sexta-feira, 30 de julho de 2004




:: minotauro #3 ::



«It may be this love is a debt I am paying, due to the destiny of my line, and that Aphrodite is exacting a tribute of me for all my race. Europa – this is the first beginning of our line – was loved of Zeus; a bull’s form disguised the god, Pasiphaë, my mother, a victim of the deluded bull, brought forth in travail her reproach and burden.»

Ovid | Heroides
*

posted by saturnine | 11:09 | 0 Comentários


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:: difficult mornings ::


Picasso | Minotauro

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tumbling & crumbling.
aching & heartbreaking.

posted by saturnine | 10:32 | 0 Comentários


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:: os insones ::

nada resta que possamos fazer, nenhuma palavra nos protege contra a noite ou contra a morte, a única coisa que podemos fazer é permanecer aqui, de mãos apertadas como se caminhássemos lado a lado.


posted by saturnine | 01:12 | 0 Comentários


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:: the promised womb* ::

é possível que encontremos a beleza nas feridas, que nos pareça sempre o maior deslumbramento de todos pertencer à raça daqueles que sucumbem à violência das paixões. amamos inquestionavelmente aqueles que, como nós, transportam um deserto dentro do peito.



* Dead Can dance

posted by saturnine | 01:04 | 1 Comentários


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cripple & the starfish *

senti a estranheza desta música. um certo desconforto, admito-o. é verdade que não soube dizer se gostei, que preciso também de ouvi-la vezes sem conta. mas não se fica indiferente a uma sonoridade destas. senti o mesmo calafrio quando ouvi pela primeira vez Jeff Buckley ou Sigur Rós. mas não era ainda bem isso. até que, finalmente percebi: o que esta voz encerra, que me perturba, é o mesmo outono que aqui me confrange.

posted by saturnine | 00:44 | 0 Comentários


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quinta-feira, 29 de julho de 2004




:: por 5 minutos de festa ::



não há maior fragilidade do que a distância.
ainda assim, é possível tactear as palavras.
há um ano que a espuma se mistura com a substância dos meus dias,
assim mais branca, mais límpida, mais dolorosa também.

posted by saturnine | 23:00 | 0 Comentários


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:: música para uma noite de ardor estival ::



antony & the johnsons | cripple & the starfish
lhasa de sela | small song
lhasa de sela | soon this place will be too small
emir kusturica & the no smoking orchestra | corfu
emir kusturica & the no smoking orchestra | the devil in the business class
taraf de haidouks | ardelaneasca, sirba bulgara
al turath ensemble | muwashashaha - hajarni habibi
maria rita | menina da lua


.......................
para depois:

kristin hersh | hips and makers
*




posted by saturnine | 20:48 | 0 Comentários


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:: cats ::

quem me conhece sabe bem da minha paixão pelos felinos. para mim são tudo gatinhos. coisinhas fofas e peludinhas. por vezes estranham-me, quando digo que dos jacarés acho que são fofinhos, porque têm um olhar muito felino. mas não se iludam, eu não gosto de coisas fofinhas, muito menos de gatos fofinhos. gato que é gato é bravo, insolente, mafioso. gato que é gato é mau.



posted by saturnine | 15:34 | 0 Comentários


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quarta-feira, 28 de julho de 2004




* não será um exagero chamar à nossa espécie humanidade?







Darfur | Sudão

posted by saturnine | 15:00 | 0 Comentários


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ATROCITY EXHIBITION


Darfur, Sudão


Asylums with doors open wide,
Where people had paid to see inside,
For entertainment they watch his body twist
Behind his eyes he says, 'I still exist.'

This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.

In arenas he kills for a prize,
Wins a minute to add to his life.
But the sickness is drowned by cries for more,
Pray to God, make it quick, watch him fall.

This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.

This is the way.
This is the way.
This is the way.
This is the way.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.

You'll see the horrors of a faraway place,
Meet the architects of law face to face.
See mass murder on a scale you've never seen,
And all the ones who try hard to succeed.

This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.
This is the way, step inside.

And I picked on the whims of a thousand or more,
Still pursuing the path that's been buried for years,
All the dead wood from jungles and cities on fire,
Can't replace or relate, can't release or repair,
Take my hand and I'll show you what was and will be.


Joy Division


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não custa assim tanto quebrar o silêncio. um só esforço mais e pode ser que quebremos a indiferença. voltemos um olhar que seja para Darfur.

posted by saturnine | 14:33 | 0 Comentários


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:: displacement ::

o mundo é um lugar que não foi feito à nossa medida. daquilo que verdadeiramente importa, a sombra das árvores, o sopro do silêncio nas janelas, os caminhos intermináveis das noites de verão, fomos exilados. só num mundo assim faria sentido existir.

posted by saturnine | 13:08 | 0 Comentários


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:: melancholia ::


Finally we are no one | Múm


Yesterday was dramtic, today is OK | Múm

posted by saturnine | 12:38 | 0 Comentários


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:: acknowledgement ::

afinal, amar-te não foi o bastante.

........................
Na incerteza
Em que eu vivo os meus dias
Ainda espero o mais claro amanhã

Tom Jobim | Incerteza


posted by saturnine | 00:15 | 0 Comentários


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terça-feira, 27 de julho de 2004




:: exercício #8.1 ::

afinal, não preciso de ti. é fácil colocar entre nós uma distância tão grande como o mundo e, então, não reconhecer a saudade no teu rosto. é provável que exista uma falta impossível de nomear.

posted by saturnine | 23:51 | 0 Comentários


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:: rumor ::

há um clamor que avança pela noite dentro. um sopro indígena, uma incerteza de propósito. em todo o lado, onde quer que eu chore, um qualquer canto me responde.

posted by saturnine | 23:45 | 0 Comentários


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:: ritmo ::

há noites insuportáveis. vindos de todos os cantos, os mesmos sussurros, são tantos os que permanecem acordados no degredo do calor. o meu peito, insuflado como um balão de ar quente, parece prestes a rebentar. é a noite inteira a querer caber-me por dentro, mas eu, com tão pouca existência, como posso abrigar o maior dos desertos dos homens? não, é outra noite a que me habita.

posted by saturnine | 23:28 | 0 Comentários


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:: ponto negro ::

someone out there knows i'm here.


posted by saturnine | 23:02 | 1 Comentários


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:: atlântico ::

«Disse para mim que te teria amado. Pensava que já só me restava de ti uma recordação hesitante, mas não; enganava-me, havia ainda estas praias em volta dos olhos, onde beijar e deitar na areia ainda quente, e esse olhar centrado na morte.»

Marguerite Duras | O Homem Atlântico

posted by saturnine | 01:16 | 0 Comentários


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:: of course it hurts... ::

«Nenhum sonho custa tanto a abandonar como o sonho de ter uma alma gémea, nem que seja noutro canto do mundo, uma alma tão perto da nossa como a vida.»

Miguel Esteves Cardoso | Explicações de Português

posted by saturnine | 00:12 | 0 Comentários


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segunda-feira, 26 de julho de 2004




VENEZIA








só falsas memórias me sustêm.




posted by saturnine | 20:49 | 0 Comentários


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:: o amor é um lugar estranho ::

que o amor era estranho já se sabia, mas hoje, em momento inesperado - ou não o são sempre? - veio a confirmação:

«Sabe-se que a regeneração das células do nosso corpo equivale a que, durante a vida, tudo em nós seja substituído por completo 3 vezes.

As recordações, mágoas, sonhos ou saudades devem, portanto, saltitar por entre o que flúi na azáfama do restauro



imbuída de aguda estranheza, retirei-me desconcertada. não pode ser de ânimo leve que se diga que O Amor segue já de seguida. :|

posted by saturnine | 20:18 | 0 Comentários


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:: the ultimate haiku ::


Katsushika Hokusai | The Great Wave off Kanagawa

posted by saturnine | 14:06 | 0 Comentários


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OUT OF THE EAST


Hiroji Kubota
THAILAND. Pattaya. Chonburi. 1998.



Hiroji Kubota
INDONESIA. Kalimantan (Borneo). Tabang. 1997.



Hiroji Kubota
MALAYSIA. Kota Baharu. Kelantan. 1997.

© magnum photos

posted by saturnine | 12:36 | 0 Comentários


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:: back to wonderland ::
















Marc Chagall

posted by saturnine | 11:12 | 0 Comentários


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domingo, 25 de julho de 2004




LIFE'S A BEACH


Peter Marlow
Greece. Rhodes. Prasonissi Beach, footprints in the sand.

© magnum photos

posted by saturnine | 21:12 | 0 Comentários


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:: solúvel ::

é indistinta a massa dos dias. está calor lá fora, mas é coisa que me escapa ao entendimento. neste torpor da distância, não sei sequer dizer que é verão.

posted by saturnine | 18:49 | 0 Comentários


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sábado, 24 de julho de 2004




:: labirynth ::

as manhãs continuam a ser sopradas de terror, e na densa penumbra mantenho as pálpebras fechadas, contrariando a certeza da luz lá fora. o lugar dos sonhos é como uma floresta assombrada, custa-me mais a existência nesse abismo de rostos feitos de sombras. o acordar é penoso como se ramos de árvores como braços me agarrassem e criassem suas raízes sob a minha pele. acordo ferida pela matéria dos pesadelos. o meu demónio está sentado ao meu lado. nada diz. hoje, ambos sabemos o quanto a saudade nos tortura, temos, eu e ele, o peito devastado pela falta de um abraço que não há-de vir nunca mais.


posted by saturnine | 14:32 | 0 Comentários


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:: Sileno #2 ::


pormenor de Sileno embriagado
Rubens, 1618


Segundo uma antiga lenda, o rei Midas perseguiu na floresta o velho Sileno, companheiro de Diónisos, e durante muito tempo sem pdoer alcançá-lo. Qundo conseguiu por fim apoderar-se dele, o rei perguntou-lhe qual seria a coisa que o homem deveria preferir acima de tudo e considerar sem par. Obstinado e estático o demónio não respondia. Até que, por fim, constrangido pelo rei, desatou a rir e proferiu as seguintes palavras: "raça efémera e miserável, filha do acaso e da dor! E tu porque me obrigas a revelar-te o que seria para ti melhor ignorares? O que deverias preferir não o podes escolher: é não teres nascido, não seres, seres nada. Mas como isso te é impossível o melhor que podes desejar é morrer, morrer depressa".

Nietzsche, A origem da Tragédia

posted by saturnine | 13:45 | 0 Comentários


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:: é verdade que demorei a acreditar ::


Águas
E pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão
Acordar
Águas
Das fontes
calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar


Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar


Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P' rás bandas do mar
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar


Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Balada de Outono

posted by saturnine | 11:23 | 0 Comentários


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sexta-feira, 23 de julho de 2004




HOW TO DISAPPEAR COMPLETELY (5:56)




That there, that's not me
I go where I please
I walk through walls
I float down the Liffey

I'm not here
This isn't happening
I'm not here, I'm not here

In a little while
I'll be gone
The moment's already passed
Yeah, it's gone

I'm not here
This isn't happening
I'm not here, I'm not here

Strobe lights and blown speakers
Fireworks and hurricanes

I'm not here
This isn't happening
I'm not here, I'm not here....

Radiohead



.....................
pequeno ponto negro desaparece na escuridão. falta-me substância para existir.

posted by saturnine | 21:48 | 0 Comentários


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:: Sileno ::

demora-se em mim o cansaço. enfraquece-me a vontade. hoje foi, apesar de tudo, um dia bom. o meu demónio de estimação segue-me para todo o lado, caminha silencioso atrás de mim, qual Sileno, e eu suspeito que ele sabe todas as coisas que eu não sei sequer perguntar.


posted by saturnine | 20:21 | 0 Comentários


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:: dia de desaniversário #2 ::


Vertigem | Miguel Soares

o que amo é o orgulho partilhado do corpo e a linha que transige, linda, a alma
o que quero é a vontade simples de alcançar e procuro que siga sempre um caminho vário
desejo olhar o corpo despido, por vezes, depois de dado aos compassos da saudade
o que quero é a verdade clara de mim que seja dádiva de tudo o que tenho
as bocas unem-se por vezes em símbolos do que somos já:
a indistinção da carne
e a perpétua vontade de nos trocarmos

de nos tocarmos.


......................
não são as margens que importam, mas a ponte que serve de caminho entre elas. obrigada pelo gesto. há pequenos nadas que valem mais que tudo o resto. *

posted by saturnine | 19:57 | 0 Comentários


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:: retalhos & recortes #14 ::



«Demoro-me na despedida para acreditar que já não estás.»

estranho amor

posted by saturnine | 01:00 | 0 Comentários


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:: bad trips #1 ::

não há pior coisa que, ante uma dor que é real, perda efectiva, lá vir o condescendente comentariozinho 'pior é nunca ter amado'. ora foda-se. e isso por acaso é coisa que se diga? não há alegria, não há compensação, há só desolação e desencontro, ou quanto mais não seja há um direito a querer estar só um momento no fundo do abismo. antes um par de estalos bem dados, um 'acorda para a vida!'. com o paternalismo fico pior que estragada. não quero esse falso sossego. o único consolo possível é o tempo que passa, penosamente lento, o tempo necessário de um luto.

posted by saturnine | 00:40 | 0 Comentários


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:: exercício #7.1 ::

sei que não posso querer-te. mas que falta me faz hoje o teu abraço.


posted by saturnine | 00:27 | 0 Comentários


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:: the downward spiral ::

abeiro-me do perigoso limiar do silencioso assalto das imagens. subitamente, sou eu deitada nesse canto escuro que tudo sabe, riscando pequenas frases no chão, como se o tempo tivesse passado e ainda a memória me confrangesse o coração.

posted by saturnine | 00:09 | 0 Comentários


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:: nothingnowhereiswhatitseems ::



While you make pretty speeches
I'm being cut to shreds

You feed me to the lions
A delicate balance

And this just feels like spinning plates
I'm living in cloud cuckoo land
And this just feels like spinning plates
My body is floating down the muddy river

Radiohead | Like spinning plates

posted by saturnine | 00:01 | 0 Comentários


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quinta-feira, 22 de julho de 2004




:: it'll end in tears #2 ::

nenhuma outra hora me custa tanto como esta. num degrau da casa vazia me sento e o meu demónio me segue, senta-se comigo, espreitamos o escuro e o silêncio, olhamos nos olhos um do outro e mais uma vez nos reconhecemos, velhos conhecidos, longas conversas sustentamos enquanto a noite nos atravessa. o demónio que me habita precisa de carinho, o seu corpo é o labirinto da minha tristeza. ata-se o nó mais apertado na garganta. as pálpebras húmidas estremecem e então já não vejo. tudo é falta, tudo é frio. como me custa esta noite a saudade. não há mágoa, não há estranheza, há somente a tua ausência e as paredes em que a choro. como me fazes falta esta noite. porque foste e porque não voltas?

posted by saturnine | 23:46 | 0 Comentários


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:: it'll end in tears (i've always known it) ::

no such other song.



On the floating, shipless oceans
I did all my best to smile

til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.
And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken lovelorn on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."

Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."


This Mortal Coil | Song to the siren


(of love and magic. of beauty and loss.)


posted by saturnine | 21:37 | 0 Comentários


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:: écrire ::

diz o Puto Paradoxo:
Eu escrevo para fechar a ferida aberta cá dentro.

há precisamente um ano atrás, quando mais me fez falta, disse-me o Vítor:
Escrevo porque é a minha forma de estar sozinho. (Bernardo Soares)

diz o Mia Couto, gravado na minha pedra-de-peito:
Nenhuma palavra / alcança o mundo / Ainda assim / escrevo.


que digo eu?

'escrevo para contrariar a tua ausência.'

posted by saturnine | 21:07 | 0 Comentários


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quarta-feira, 21 de julho de 2004




:: a mentira necessária ::

          «O salgueiro pega de estaca
          O amieiro de raiz
          Não te gabes que me deixaste;
          Fui eu que te não quis.»


cancioneiro popular, nos dias com árvores.


posted by saturnine | 21:51 | 0 Comentários


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:: but i miss you most of all ::

não me custam os dias neste adiamento do sossego, sento-me a contar as horas que passam, vejo que o mundo continua no seu lugar, e se não me movo em demasia, quase não me apercebo que tudo está do avesso, passo à margem da minha estranheza nestes dias. o que me custa, é a falta das rotinas, não o não estares aqui, mas o saber-te nunca mais aqui, nunca mais o telefone tocou, nunca mais os fins de tarde foram nossos, nunca mais tive corpo a que regressar.

posted by saturnine | 21:41 | 0 Comentários


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:: where's that love you promised me? ::

antes vivíamos para o tempo em que os sapos se tornariam príncipes. hoje, vivemos o tempo em que os príncipes se tornam sapos.


posted by saturnine | 21:08 | 0 Comentários


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:: momento bomba inteligente ::

estado em que se encontra este blog: so need your love, so fuck you all *



posted by saturnine | 00:37 | 0 Comentários


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:: bad trip ::

não é a mesma angústia de sempre, entre nós agora cava-se um abismo de estranheza. enquanto antes pelas paredes da casa te chorava, agora embarco no torpor da distância, não te reconheço, não sei o que amei. és um fantasma e eu sou um fantasma. algures, a noite aufunda-se e espera-nos.

posted by saturnine | 00:21 | 0 Comentários


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terça-feira, 20 de julho de 2004




:: what goes around comes around ::

não é transcendência nem superstição (até aqui tinhas sido tu a minha única religião), é tão só a lei natural de todas as coisas, porque é bem sabido que a terra reclama a si o que lhe é devido, e que tudo o que vai tem volta, e é mais que certo que há-de pesar-te sempre a culpa e o remorso, e dia a dia é disso que me alimento, da certeza de ver-te definhar, porque não se toma parte no mal impunemente. sabe que regressarei com o inferno atrás de mim. you ain't seen the last of me yet.

.........................
'I came to cut you up
I came to knock you down
I came around to tear your little world apart
I cam to shut you up
I came to drag you down
I came around to tear your little world apart
And break your soul apart'

Garbage | Vow


posted by saturnine | 23:45 | 0 Comentários


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:: minotauro #2 ::

aquilo que não te perdoo é a incerteza. esta existência agora desapropriada o seu significado, que faço eu aqui com as memórias que, afinal, nada me dizem do que fui? é verdade que ainda sinto a falta, constrangida pela certeza da indiferença. é por vezes o silêncio aquilo que mais revela. não te perdoo esta tristeza que me devora, nunca o amor deveria ser um lugar de exílio. que fazes tu dos anos que te dei? um monstro me habita, na sua companhia passo as noites, e longas conversas temos. mas nada do que me diz me ajuda a compreender o mundo, permanecemos, eu e ele, contra tudo e contra todos, alheios à desesperança, a esta incredulidade de perder-te.


posted by saturnine | 22:59 | 0 Comentários


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segunda-feira, 19 de julho de 2004




:: exercício #6.1 ::

dormir. a noite é circundada pelo medo, as manhãs são sempre fundos abismos de incerteza. urge qualquer coisa como um sono são, livre dos sonhos. quero um outro lugar para o cansaço que não este povoado de demónios que trato por tu. conhecidos que são, somos velhos amigos, mas cuja face me deixa cada vez mais próxima da náusea. adormecer, onde tu não me persigas.


posted by saturnine | 21:57 | 0 Comentários


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«Não, não era amor, era pior ainda.»

com a distância vem o nojo, sempre se soube que de longe a lucidez é mais certa, mais nítidos todos os contornos, mesmo os da podridão. assim me apareces, cadáver sem graça, corpo decadente onde já nenhum encanto brilha, tudo em teu redor é prenúncio de morte. é impossível o amor pelos canalhas, impossível a ternura pela violência das feridas, resignamo-nos assim ao amor das memórias, aos lugares recônditos onde um dia um breve encontro gerou uma sombra comum.

posted by saturnine | 21:47 | 0 Comentários


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:: punch bag ::

é tardia a hora, o sono aperta, enquanto o medo me cerca. é o susto, da falta que subitmente não me fazes. quão fácil é desprezar a mentira que foi o amor. não restar nada, preocupação sequer, qualquer desejo de um final feliz para os teus dias. durmo sem me lembrar do que fui. angry is fine.

posted by saturnine | 01:13 | 0 Comentários


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domingo, 18 de julho de 2004




:: dia de desaniversário ::

e recebi dois presentes:


I envy not in any moods
The captive void of noble rage,
The linnet born within the cage,
That never knew the summer woods:

I envy not the beast that takes
His license in the field of time,
Unfetter'd by the sense of crime,
To whom a conscience never wakes;

Nor, what may count itself as blest,
The heart that never plighted troth
But stagnates in the weeds of sloth;
Nor any want-begotten rest.

I hold it true, whate'er befall;
I feel it, when I sorrow most;
'Tis better to have loved and lost
Than never to have loved at all.


Alfred Lord Tennyson


* * *


É melhor não dormirmos
sob o árido labirinto da tristeza.


À nossa frente existe um pórtico
purificado por uma névoa de sons.

Vamos transgredir o limiar do absurdo,
porque encontramos um abrigo musical,
onde ninguém pode separar as nossas bocas
o percurso das águas outonais.

É verde o germe do sol nos nossos olhos
e, sem querer, a sombra de um pretexto
emerge do assombro de nós próprios
como um regresso plural da inocência.



Estamos num lugar de Junho
e qualquer sinal de ausência
pode ser apenas um veleiro
que partiu dos nossos dedos.


Graça Pires

posted by saturnine | 23:26 | 0 Comentários


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sábado, 17 de julho de 2004




:: exercício #5.1 ::

gritar as palavras silenciadas, chamar-te os nomes que mereces (cabrão de merda). para que saibas que entro depressa na noite escura, mas que entro de olhos abertos. compreende que a vida que me levas me faz falta, e que um dia cobrarei a minha dívida. entretanto, se é verdade que dentro do meu peito um buraco sangra, é certo que em ti também qualquer coisa há-de morrer. é muito bom que a culpa te consuma, que uma outra sombra para sempre te habite, que aprendas assim o outro lado do engano.

posted by saturnine | 20:07 | 0 Comentários


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:: exercício #4.1 ::

não perdoar-te jamais este exílio a que me votas. o amor não exije tempo nem espaço, tão só pede a decência da verdade para ser livre. não é o desamor que me aflige, mas a cobardia. o remorso, depois disfarçado de piedade, torna-se insuportável e decadente. que fazes tu, de lágrimas nos olhos, se sem pudor me negas e aniquilas?

tomam-me por parva, eu que até sonho muito, mas de olhos bem abertos. mas gajo que é gajo é parvo. nunca um 'não és tu, sou eu' escondeu a verdade que afirma: não és tu, é outra gaja.

posted by saturnine | 19:55 | 0 Comentários


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:: carta ::



This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die
But it's over
Just hear this and then i'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

This is our last embrace
Must I dream and always see your face
Why can't we overcome this wall
Well, maybe it's just because i didn't know you at all

Kiss me, please kiss me
But kiss me out of desire, babe, and not consolation
You know it makes me so angry 'cause i know that in time
I'll only make you cry, this is our last goodbye

Did you say "no, this can't happen to me,"
And did you rush to the phone to call
Was there a voice unkind in the back of your mind
Saying maybe you didn't know him at all
You didn't know him at all, oh, you didn't know

Well, the bells out in the church tower chime
Burning clues into this heart of mine
Thinking so hard on her soft eyes and the memories
Offer signs that it's over... it's over


Last goodbye


posted by saturnine | 10:16 | 0 Comentários


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:: primeiro domingo de sombra ::



I'm lying in my bed, the blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole

If only you'd come back to me
If you laid at my side
Wouldn't need no mojo pin
To keep me satisfied
(...)

Mojo Pin


posted by saturnine | 10:08 | 0 Comentários


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:: os sentimentos atrasam * ::

não é que seja impossível a distância e o silêncio, é que a casa está repleta de cheiros conhecidos, insuportáveis, parece que afinal o verão tem sempre o mesmo cheiro. não é que eu não saiba como é fatal este mergulho, como é agonizante a escrita, mas é que a casa está vazia e eu caminho dentro dela como um fantasma, sem saber o que fazer de mim. tudo tem a marca da tua presença - especialmente os lugares a que não voltarei. a roupa ainda arrumada em sacos, os livros, os CD's, todas as coisas de que não quero saber, as malas ainda por desmanchar, muitos rituais ainda por cumprir. é a certeza de que ainda não aprendi a perder-te, só aprendi que os objectos de afecto, afinal, também morrem connosco.

* Antonin Artaud

posted by saturnine | 09:50 | 0 Comentários


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sexta-feira, 16 de julho de 2004




:: carved on stone ::

I want you to know that I'm happy for you
I wish nothing but the best for you both
An older version of me
Is she perverted like me
Would she go down on you in a theater
Does she speak eloquently
And would she have your baby
I'm sure she'd make a really excellent mother

'Cause the love that you gave that we made
wasn't able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, 'til you died
But you're still alive

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know


You seem very well,
things look peaceful I'm not quite as well,
I thought you should know
Did you forget about me Mr. Duplicity
I hate to bug you in the middle of dinner
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her

'Cause the love that you gave that we made
wasn't able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, 'til you died
But you're still alive

'Cause the joke that you laid in the bed that was me
And I'm not gonna fade
As soon as you close your eyes and you know it
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it


Alanis Morissette | You oughta know

para ti, para que saibas que não esqueço, que estou aqui e que hei-de reclamar um dia a vida que me levaste, eu que me mantenho, por agora, silenciosa, muito Senhor dos Anéis, the all seeing eye.


posted by saturnine | 21:59 | 0 Comentários


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:: smell memory ::

é inequívoco que não há uma falta incompensável, que o amor há-de surgir, que mesmo as feridas que o tempo não cura não permanecerão sempre em carne viva. não é só a tua falta, à qual hei-de habituar-me, que aniquila a minha vontade de seguir além do desencontro: é a memória dos cheiros, do teu cheiro absolutamente perfeito, que não sei distinguir de mim, é isso que me faz mais falta, que estranho algum que me apareça poderá trazer-me de volta. é pela ausência do cheiro que tem a tua pele na curva do pescoço que sei que para sempre te perdi. não há consolo para o desamparo das ternuras. é matéria viva que se estilhaça, se preciso aprender a separar de mim o peso esmagador da memória.

posted by saturnine | 21:44 | 0 Comentários


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:: que fazemos de nós? ::

colocamos os dedos nas mútuas feridas, acreditando no consolo da companhia para o exílio. mas a verdade é que é também um engano procurar o conforto na proximidade das dores dos outros. nem sempre quem nos compreende encerra em si uma solução. sofremos em conjunto, e é só. não nos salvamos, não nos arrancamos ao absurdo das pequenas mortes. é possível amar-se também a ideia de uma presença, é esse o poder das palavras, o mal intrínseco à fragilidade. que fazemos de nós, quando inventamos abraços?

posted by saturnine | 21:31 | 0 Comentários


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:: minotauro ::

conheço este ofício há anos. por isso me dói o sol sobre a pedra, o medo todo em volta, a mim que já não me sustentam nem amedrontam as imagens de longos corredores vazios. o horror abandonou-me, levando de mim o que lhe era devido, não deixando senão a memória de um buraco no peito que sempre transporto, de que às vezes me esqueço, é certo. mas tenho uma ferida que nunca há-de sarar, é verdade, e para sempre uma mágoa que transforma o verão num lugar triste. estou cansada destes passos, e não posso mais chorar-te ao longo das paredes deste abismo. não quero saber do deserto, nem dos livros. quero uma medida justa pela manhã, o nó desatado na garganta. é com violência que percebo o mundo subitamente desajustado, que mundo é este, que eu não queria ver?



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posted by saturnine | 20:56 | 0 Comentários


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:: life's a fucking roller-coaster #2 ::

uns dizem-me que ao vivo sou menos obsessiva, menos bulímica (e eu acrescento, menos desesperada). é verdade. as coisas presentes distraem-me da incerteza dos dias. é verdade que faço das tripas coração, que por isso me dói o corpo o dia inteiro, mas que ainda assim é possível sorrir, e só neste sossego que eu não queria, nesta devastação que eu não procurava, algo em mim se desagrega e se parte. esperei o verão como quem espera a liberdade, e agora encontro-me na humilhação do abandono em plena praia. que é feito dessa fibra de mim capaz de ver para além das nuvens negras que me enchem os olhos de sombras?

(dizem-me que sou acrobata das emoções. quem mais consegue esta ginástica, de tocar tão distintos picos em tão pouco tempo?)

tenho uma ferida que nunca há-de sarar.

posted by saturnine | 19:45 | 0 Comentários


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quinta-feira, 15 de julho de 2004




Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.
*


sou eu que entro na noite a correr, ou é outra vez esse canto escuro que tudo sabe que estende o seu longo braço negro e me alcança aqui, frágil, mesmo onde o dia ainda perdura? o pouco que entendo disto é que seja talvez este o meu lugar, a que sempre volto irremediavelmente, onde não há matéria possível para o amor, se afinal de contas há tanto tempo pus a vida no prego, e a noite sempre a reclama mais cedo ou mais tarde. aqui estou de volta ao inferno de minha criação, eu que não soube como fugir ao desamor, que não soube como não fazer da escuridão um lugar triste. estalam por dentro as feridas antigas. toda eu carne viva. repito-me. encolho-me. torno-me de novo minúscula. perderei existência. já há muito o sabia. sempre soube que envelheceria cedo, como Duras. que um dia olharia o meu rosto no espelho e não mais saberia de mim.

posted by saturnine | 18:36 | 0 Comentários


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:: (falling) over & over & over & over again now ::

é pela absurdidade do engano que me revolto, pelo nojo da mentira que o meu coração se confrange. nunca o não teres sabido amar-me, mas antes o não saberes dizê-lo em verdade. se um olhar se desvia, é porque encontrou outro destino. eu sei-o, e por isso, em pequenos momentos, te odeio tanto como te amo.

posted by saturnine | 18:23 | 0 Comentários


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quarta-feira, 14 de julho de 2004




incitação

How can I deal with this, if he won't get with this
Am I gonna heal from this, he won't admit to it
Nothing to figure out, I got to get him out
It's time the truth was out that he don't give a shit about me
*


...


declínio

And when I think of it, my fingers turn to fists
I never did anything to you, man
But no matter what I try
You'll beat me with your bitter lies
So call me crazy, hold me down
Make me cry, get off now, baby
It won't be long 'till you'll be
Lying limp in your own hand
**


* Get Gone
** Limp
(Fiona Apple)



posted by saturnine | 23:41 | 0 Comentários


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:: self-portrait ::



(...)
But she knows she has curse on her
A curse she cannot win.
For if someone gets
Too close to her,

The pins stick farther in.


Tim Burton | Voodoo Girl


posted by saturnine | 23:35 | 0 Comentários


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:: do incontornável ::

«A dor da separação, o choque da perda parecem (e infelizmente, por vezes, são) insuportáveis. Mas a dado momento a própria miséria, na sua gula totalitária, tem um repente auto-fágico e devora-se, ajudando-nos a reagir e a tentar lutar por uns dias mais suportáveis. Experiência lenta. Um dia e depois outro parecem-nos mais distantes dos momentos dolorosos e novas memórias vão sendo formadas. Ilusão. Um dia, porém, o pior da perda chega. Num qualquer momento apercebemo-nos de que conseguimos viver sem alguém quando nos tinhamos prometido a nós mesmos e ao outro uma eternidade sem fim. Ou pelo menos, lealdade e amizade. E aí sentimo-nos falsos, sentimos que para suportar o sofrimento, para acabar com ele, matámos o amor. Pior. Conseguimos matá-lo. Eis o pior da perda: enlouquecer-nos ao ponto de desejarmos o esquecimento, de afirmarmos, a coberto de uma racionalidade doente, que o melhor é esquecer e andar para a frente. Eis o pior da perda: forçarmo-nos a matar o bom para matar o mau.
Mas se pelo contrário não o conseguimos, teimamos em manter vivo o amor, o sentimento, mesmo que sós, se assim mantemos vivo o valor que atribuímos ao outro e que era genuíno, que não mudou só porque ele partiu...bem...se não o conseguimos...somos vulgarmente aqueles que ainda não "ultrapassaram a perda". Pois eis o que vos digo: há perdas que não se ultrapassam, levam-se connosco para que não nos percamos de nós. Nem percamos o outro de nós.»


Puto Paradoxo dixit.

.....................

foi assim que, há um ano atrás, dei por mim em busca de uma límpida medida. é um exercício por demais tentador fazer nossas as dores alheias, é uma pouco leal economia de palavras, mas que fazer? perante o desastre do desencontro há-de sempre ser o nosso único conforto encontrar aqueles que, como nós, calcorreiam sozinhos as profundezas do abismo.

posted by saturnine | 20:09 | 0 Comentários


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:: promessa ::

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.


Nunca mais servirei senhor que possa morrer.


Sophia de Mello Breyner Andresen
Meditação do Duque de Gandia pela morte de Isabel de Portugal



.....................

quando se fazem promessas de eternidade, nunca nos dizem que, afinal, o amor pode morrer. é bom saber-te num lugar qualquer do mundo, apesar de tudo, saber que é sempre possível procurar-te, um telefonema, um encontro casual, saber como estás, sossegar a saudade. mesmo sabendo que nunca o farei. e então o que faço a isto que sou, tudo tão agarrado às coisas que me levaste, que não páras de levar a cada dia de prolongada distância? quando me prometeste a eternidade, nunca me disseste que, afinal, o amor podia morrer.

posted by saturnine | 19:39 | 0 Comentários


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terça-feira, 13 de julho de 2004




:: exercício #3.1 ::

não te posso perdoar o engano de ter esperado em vão. quero de volta a vida que me levaste.


posted by saturnine | 22:52 | 0 Comentários


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:: revisited ::

como era? não fodes nem sais de cima. puta de vida. foda-se. there's no winning.


posted by saturnine | 22:43 | 0 Comentários


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:: recado ::

              ouve-me
                 que o dia te seja limpo e
                 a cada esquina de luz possas recolher
                 alimento suficiente para a tua morte

                 Al Berto



não há volta a dar-lhe. hei-de sempre voltar a isto. amar-te ainda, perdida e irremediavalmente. aqui passear tão despida, tão em carne viva, onde todos me vêem, mas para que outros não me vejam. se me tocas, amor, com silêncio ou distância, desfaço-me.


posted by saturnine | 22:05 | 0 Comentários


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:: é mentira ::

desdigo tudo o que disse. a aparente falta de movimento ou agitação que descrevi é no fundo o torpor da dor aguda. se me mexo, a ferida lateja. há, afinal, a angústia e a raiva e a fúria se me lembro de tudo o que morre. no fundo, na sua negação, acabei por chegar a uma epifania: escrever é um acto anestésico. se não pressinto o desespero é porque as palavras ocupam o lugar da tua memória com divagações que afastam a única coisa que é certa, incontornável, irremediável: a falta que me fazes. não há motivos para o teres partido, há só esta imensa e insuportável falta que me fazes. a tristeza, se me lembro. quando escrevo, corro em fuga, e o bafo da loucura sopra quente atrás de mim.

posted by saturnine | 21:53 | 0 Comentários


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:: já não sei escrever sobre a dor ::

o momento chega em que já nem as epifanias nos bastam, porque não as há, onde as palavras já gastaram tudo, e se exauriram da substância das importantes revelações. que há para concluir aqui, onde já tudo é sabido? que surpresa existirá em abrir a mesma porta do mesmo quarto fechado onde o mesmo canto escuro me olha e de mim tudo sabe, sabendo que eu sei? é verdade que já não me espantam os corredores estreitos povoados de espectros, é verdade que não há medo em mim, é verdade que entro a correr na noite escura. tudo me é familiar. não é por acaso, é porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos / e reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor *. reconheço a fibra deste lugar, e nele nada me horroriza. tornei-me nisto, habitante íntima deste inferno. não posso escrever sobre a dor porque não há nada que ela tenha para me revelar. é isto que sou, em redor de mim todas as coisas que conheço, o mesmo braço de ferro com os demónios amestrados, sem poesia alguma, não há redenção, só há o tempo passado que sempre é melhor que a ferida aberta, so let's just get it over with. se agora insisto nas palavras, é para as gastar inutilmente, à espera que o tempo passe. porque é só esse o meu ofício. esperar que o tempo passe, vasculhando os escombros.

posted by saturnine | 21:23 | 0 Comentários


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:: exercício #2.1 ::

saber que não me mereces o assombro. só me consome a saudade do que nunca foi. separar do teu nome a comoção. mas procuro na memória do teu rosto a sublime ideia da perfeição prometida, e ela ocupa subitamente o lugar inteiro da ternura. como posso seguir adiante, não consumir-me até ao magro tutano, se ainda amo a promessa há muito desfeita?


posted by saturnine | 21:17 | 0 Comentários


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«Eu escrevo para fechar a ferida aberta cá dentro. E aqui entre nós, sei que nunca a vou fechar. Hei-de estar a escrever no dia em que morrer.»

Puto Paradoxo

......................

há um ano que, em silêncio, lhe sigo os passos para saber que destino têm (teriam) as palavras. se seria possível que o tempo sanasse certas dores de crescimento. hoje sei que não, e o Puto já o sabia também. escrevo para fechar a ferida aberta cá dentro. ou, como dizia Mia Couto


Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo



não há outro poema no mundo como este. não há outro em que esteja tanto mundo e tanto eu. com este poema, todos os anos nas cinzas me deito, nas cinzas morro, ao frio acordo.

posted by saturnine | 20:05 | 0 Comentários


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:: ou, por outras palavras ::

«Depois de ter entrevisto um oásis imaginário de ternura, tornava a dar consigo patinhando no deserto real do silêncio sem fim.»

Marcel Proust, encontrado na leitura partilhada


posted by saturnine | 19:53 | 0 Comentários


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:: do valor das promessas
    e o legado de Sophia #3 ::


Senti que estava às portas do meu reino,
Entre as sombras brilhavam as paisagens
Que os meus sonhos antigos desejavam.
Mas o terror expulsou-me das imagens
Onde os meus membros já penetravam.



o hábito torna conhecidos os rostos dos demónios antigos. não é agora o medo e o susto, o brutal inesperado, antes o assombro, a lenta cadência da noite. são mais fundas as feridas que rasgam.

posted by saturnine | 19:44 | 0 Comentários


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:: inscrição ::

Saberás que não te amo e que te amo *
saberás dos meus passos vãos
dos meus ombros caídos
saberás dessa outra morte
que a tua partida descreve
que me doem os olhos
como dois sóis apagados.




posted by saturnine | 19:24 | 0 Comentários


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:: do valor das promessas
    e o legado de Sophia #2 ::


Eis que morreste. Mortalmente triste
Divaga a flor da aurora entre os teus dedos
E o teu rosto ficou entre as estátuas
Velado até que o novo dia nasça.

Se nenhum amor pode ser perdido
Tu renascerás – mas quando?

Pode ser que primeiro o tempo gaste
A frágil substância do meu sono.



das cinzas regressaste uma vez e outra. e sempre a terra te reclama no auge da estação. quando terão as minhas lágrimas regado o suficiente a semente dessa planta que não nasce?


posted by saturnine | 19:18 | 0 Comentários


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:: certeza ::

quem nasceu para ponto negro, nunca chegará a céu azul.


posted by saturnine | 19:15 | 0 Comentários


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:: do valor das promessas
    e o legado de Sophia #1 ::


O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência



só eu não aprendi.


posted by saturnine | 19:00 | 0 Comentários


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segunda-feira, 12 de julho de 2004




:: heat miser ::

há-de ser o verão que não quer nada comigo.
verga-me o sol o olhar e a vontade.
que ânfora receberia as lágrimas de mágoas por carpir?



posted by saturnine | 20:24 | 0 Comentários


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:: o nada que sei de mim ::

há feridas que o tempo não cura. vaso colado será para sempre caco partido.


posted by saturnine | 20:11 | 0 Comentários


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:: a world of hurt ::




sliiiiiide.... *



posted by saturnine | 20:04 | 0 Comentários


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:: gotta have some morphine for this aching ::


I crash in the night two worlds collide
But when two worlds collide no one survives no one survives and
The reddest of reds the bluest of blues
The saddest of songs I'll sing for you and
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep

The saddest song


* * *


Someday there'll be a cure for pain
That's the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain

Cure for pain


* * *


Tore open a package it was an empty box
No meaning to me just an empty box
Sender was a woman (x2)
She said she's sending me everything that I I I never gave her before
She said fill it up and send it back

Fill it up and send it back
So I send her back an empty box
A big mistake sent back an empty box
Half in the shadows half in the husky moonlight
And half insane just a sound
I crossed into a valley a valley so dark
That when I look back I can't see where I begin
I can't see my hands
I don't even know if my eyes are open
In the morning I was by the sea
And I swam out as far as I could swim
Until I was too tired to swim anymore
And then I floated and tried to get my strength back
And then an empty box came floating by
An empty box and I crawled inside
Half in the shadows half in the husky moonlight
And half insane just a sound in the night


Empty box


* * *


You're the night, Lilah. A little girl lost in the woods.
You're a folk tale, the unexplainable

You're a bedtime story. The one that keeps the curtains closed.
I hope you're waiting for me cause I can make it on my own.
I can make it on my own.


It's too dark to see the landmarks. I don't want your good luck charms.
I hope you're waiting for me across your carpet of stars.
You're the night, Lilah. You're everything that we can't see.
Lilah, you're the possibility.

You're the bedtime story. The one that keeps the curtains closed.
And I hope you're waiting for me cause I can make it on my own.
I can make it on my own.

The Night


* * *


I'm like a mirror. I'm nothing till you look at me.

Like a mirror

posted by saturnine | 19:46 | 0 Comentários


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:: nunca mais servirei senhor que possa morrer * ::

atravessei a noite sobre a ilha rochosa e encontrei Ulisses morto na praia.


* nunca mais amarei quem não possa viver
sempre



posted by saturnine | 19:31 | 0 Comentários


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domingo, 11 de julho de 2004




:: recomeçando do zero
    exercício #1 ::


little steps. baby steps. um dia de cada vez. uma hora de cada vez. um minuto de cada vez. um segundo de cada vez. uma vida de cada vez. porque nunca mais te quero ver é, para já, tempo demais.


posted by saturnine | 20:35 | 0 Comentários


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* of course it hurts
when buds burst *








posted by saturnine | 19:36 | 0 Comentários


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* into the night *



Why did you go?
Why did you turn
away from me?

When all the world
seemed to sing
Why, why did you go?

Was it me?
Was it you?
Questions in a world of blue

How can a heart
that's filled with love
Start to cry?

When all the world
seemed so right
How, can love die?

Was it me?
Was it you?
Questions in a world of blue

When did the day
with all it's light
turn into night?

When all the world
seemed to sing
Why, why did you go?

Was it me?
Was it you?
Questions in a world of blue




posted by saturnine | 18:57 | 0 Comentários


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'let's pretend we never met'




This is the end

Beautiful friend

This is the end

My only friend, the end



Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes
again

Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some
stranger's hand
In a...desperate land

(...)

It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die

This is the end

(.)


for my one and only beautiful friend. the end. *

posted by saturnine | 18:53 | 0 Comentários


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sexta-feira, 9 de julho de 2004




:: por falar nisso ::



a sério que gosto deste rapaz. lá se safou a tempo da nefasta influência dos apaneleirados Take That. faz algumas coisas engraçadas. é óbvio que há resíduos que ficam para sempre. tento fazer de conta que coisas como Feel não existem. e lá vou eu andar o verão todo a cantar let's pretend we never meeeeeeeeeeeeeeeeeet...


deve ser o ar de puto. enfant terrible. ou outra coisa qualquer.


posted by saturnine | 20:52 | 0 Comentários


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:: momento pimba para uma noite de verão ::

robbie williams | come undone


so need your love, so fuck you all

...

pink | just like a pill


instead of making me better, you keep making me ill

posted by saturnine | 20:06 | 0 Comentários


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:: das coisas que me provocam urticária ::

primeiro foi a destrução do velhinho e pouco conhecido duh! (já data pelo menos do mesmo tempo que o primeiro d'oh! do Homer Simpson, vejam lá), que agora foi apimbalhado pela inadmissível ignorância dos profissionais da Optimus e transformado nesse absurdo (e erro crasso de expressão) que é a geração dah!

quando eu pensava que não podíamos ir mais longe, fomos: agora é a Bacardi (marca que muito aprecio, à falta de rum vendido na Europa digno desse nome) que transforma o mosh em moche. onde é que isto vai parar? esperem, não quero saber. acabei de lembrar-me que já há quem escreva belogue e sutiã, e subitamente sinto o prurido da alergia.

posted by saturnine | 19:22 | 0 Comentários


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segunda-feira, 5 de julho de 2004




:: pela triste perda de Sophia
    pelas lágrimas da Selecção ::


Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus, em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.


Sophia de Mello Breyner Andresen


posted by saturnine | 19:41 | 0 Comentários


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:: música para uma noite sem estrelas ::

rob d | clubbed to death
underworld | born slippy
morphine | the night
dido | here
cocteau twins | sea, swallow me




posted by saturnine | 01:00 | 0 Comentários


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¨
^

posted by saturnine | 00:50 | 0 Comentários


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:: há silêncio nas ruas ::



no fim, este rosto estava desfeito em água e sal, e nele desfeito também o nosso sonho, o nosso coração sempre tão apaixonado e tão cheio de medo. pudesse eu ter-me deitado naquele chão e chorado com eles.

mas é preciso compreender os gregos - tinham os deuses do lado deles.

posted by saturnine | 00:42 | 0 Comentários


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sábado, 3 de julho de 2004




:: há muito tempo esperava pelo regresso de uma coisa assim
    ouvi-a em segredo até hoje ::



Muse | Absolution


I think I'm drowning
Asphyxiated
I wanna break this spell
That you've created

You're something beautiful
A contradiction
I wanna play the game
I want the friction

You will be the death of me
You will be the death of me
Bury it
I won't let you bury it
I won't let you smother it
I won't let you murder it

Our time is running out
Our time is running out
You can't push it underground
You can't stop it screaming out

(...)

You will suck the life out of me





Muse | Origin of Simetry


(...)
Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom in the tree you know how I feel

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good
(...)




(parece um paradoxo, mas não é.)


posted by saturnine | 11:39 | 0 Comentários


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sexta-feira, 2 de julho de 2004




:: sob o signo da perpétua juventude ::

a mais triste notícia. é como se - para sempre - se acabasse o verão.

posted by saturnine | 20:48 | 0 Comentários


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:: tão grande é a tristeza, sou um ânfora vazia de palavras ::



«A poesia é das raras actividades humanas que,
no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade.
A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta,
crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma –
- quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza»


(JL 709, de 17/12/97)


...........................
Eis que morreste. Mortalmente triste
Divaga a flor da aurora entre os teus dedos
E o teu rosto ficou entre as estátuas
Velado até que o novo dia nasça.

Se nenhum amor pode ser perdido
Tu renascerás – mas quando?
Pode ser que primeiro o tempo gaste
A frágil substância do meu sono.

Sophia de Mello Breyner Andresen
6.11.1919 - 02.07.2004

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