quarta-feira, 11 de agosto de 2010




Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi de meus passos a poeira do desencontro


Sophia de Mello Breyner Andresen



















































És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.


Sophia de Mello Breyner Andresen






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sábado, 2 de agosto de 2008



The sea, the sea








o título acima é do livro que estou a ler, de Iris Murdoch. acompanhou-me na viagem rumo ao sul, mas só no regresso se me ofereceu o momento de lhe pegar. ante a enfermidade, há que antes preparar o corpo para a cura (coisa que aprendi com Ossanha Traidor).
de partida para o sul, eu fugi para o mar. fugi como a quem urge embrenhar-se sozinho no mato e encontrar-se com deus. a mim urgia mergulhar, nadar, limpar, curar, regenerar. eu sou um ser do verão. a minha única e verdadeira vocação é deambular pelos lugares onde se pode viver do sol. parti, sequiosa, seguindo o rasto da minha sede - e a minha sede põe-me o travo do sal na boca, leva-me para o sul, onde o azul é estupidamente desconcertante e onde o vento frio da noite traz o azul-negro do céu crivado de estrelas. andei por terras onde os mouros passaram. lugares pouco mais que desolados, pequenos, onde a civilização chega só em doses muito moderadas, onde é possível esquecer que há tempo e coisas mundanas - ali, é só a presença da terra. a terra dura e árida, escarpada, impressionantes falésias ao fundo das quais se estendem silenciosos oásis de brisa fresca. a terra chama, e eu vou. ajoelho e estendo o corpo no solo quente. vergo ante o jugo implacável de um sol castigador, arde-me a pele no excesso de luz, e depois chega a redenção: um reino subitamente descoberto, a recompensa pelo esforço da sobrevivência ao caminho árduo, como uma gloriosa coroação quando a manhã vai alta, ao fundo, o mar.
o alívio que é seguir pela estrada que arde, descer 285 degraus escavados na rocha, chegar à praia quase deserta. o mar, do lado ocidental da costa (na verdade é o oceano) tem o tom atlântico característico, vagamente assustador, encapelado, ruge e rebenta violentamente antes de chegar ao areal, e a brisa salpica o corpo de água muito salgada carregada de iodo, em que não é possível nadar. do lado sul, é mar mediterrâneo, baías calmas e verdes que enchem as praias de algas e conchas, onde se nada como se não houvesse amanhã, como se se pudesse nadar até ao fim do mundo - e de lá regressar ao princípio. naturalmente (e felizmente), o lado ocidental é o menos civilizado. é quase possível não ter que articular palavra um dia inteiro. as pessoas circulam ao longe, vemo-las, ouvimos, mas fazem parte de uma história distinta e distante, não nos dizem respeito. o interesse está única e exclusivamente concentrado na paisagem, na planície queimada, os montes verdejantes, as casas caiadas de branco em silêncio absoluto, de cujas varandas e terraços mouriscos emergem cachos de buganvílias numa explosão de cor. ao fundo, o mar.
tenho no mundo um lugar de eleição, que se chama Vale dos Homens. tenho no corpo um bronzeado bonito e saudável. um dia, quando for grande, hei-de ter uma casa branca junto ao mar, com cachos de buganvílias a pender dos arcos das varandas mouriscas, algures numa rua estreita, na qual incide o sol a pique ao meio-dia e onde à noite se sente o ar perfumado, num lugar a sul, só moderadamente civilizado, algo como Aljezur.















































Conhecias o verão pelo cheiro,
o silêncio antiquíssimo
do muro, o furor das cigarras,
inventavas a luz acidulada
a prumo, a sombra breve
onde o rapazito adormecera,
o brilho das espáduas.
É o que te cega, o sol da pele.


Eugénio de Andrade, Matéria Solar






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sexta-feira, 1 de agosto de 2008



sob o signo do sol:
pré-congelado #2


quando habitualmente em Junho começa a cumprir-se a promessa anual do reino glorioso do verão, acontece qualquer coisa que me transfigura: o corpo instintivamente entra em interna movimentação. como se de uma metamorfose se tratasse, de dentro para fora, vai sendo expulso o inverno, o desaparecimento contínuo, a depressão. é uma purga. temporária, mas possível, necessária. tudo começa quando a linguagem se torna estranha, um excesso. o verão começa quando já só consigo ouvir coisas que não consigo compreender.
há música que me faz sonhar com uma Terra que eu não posso saber de todo se existe mesmo. uma visão romântica dos desertos, das plantações de café, da dureza dos lugares inóspitos onde a presença humana diz pouco da civilização, onde a água é, mais que uma benção, uma religião. mas a música leva-me a essa terra que trago dentro da cabeça, dentro do corpo, à espera de desabrochar.
entre Junho e Setembro, a única música possível é essencialmente árabe e africana. o fascínio do exotismo está claramente marcado, sempre foi assim para o homem ocidental. mas há qualquer coisa de extremamente maravilhoso em escutar aquelas vozes, como cânticos vindos do princípio e do fim do mundo, não conseguir inteligir, e sentir que assim é que está bem, tudo está no seu lugar, que é a própria terra antiga que nos fala, e que é tempo de nos entregarmos ao abandono do sofrimento excessivo.





Sines



este ano, renunciei (não sem alguma angústia) aos festivais de verão habituais. fiz a minha estreia no Festival Músicas do Mundo em Sines. de lá, trago uma injecção de boas vibrações (que conseguiu felizmente superar a minha crescente fobia de multidões e freaks e espíritos de festival), e o espanto e a alegria de dois momentos: Faiz Ali Faiz (Paquistão) e Rokia Traoré (Mali). no primeiro, levitei para outra dimensão, quase hipnotizada, como uma cobra encantada; no segundo, dancei como se não houvesse amanhã, e viajei, viajei para longe, tão longe quanto a minha cabeça me conseguiu levar. as vozes, as vozes. como se o tom de pele conferisse dignidade ao espírito: quanto mais escuro melhor. durante dias a fio, andei com um refrão paquistanês que não compreendo de todo na cabeça. músicas longuíssimas, seguramente com 10, 15, 20 minutos. cheias de cambiantes, avanços e recuos, mas sempre guiadas por uma harmonia subtil que as encerrava dentro de uma unidade implícita. ou seja: regressávamos sempre ao ponto onde algo era reconhecido, mesmo se não soubéssemos que rumo tomávamos.
sobre a voz de Rokia Traoré consigo dizer pouco, a não ser que parece trazer a África toda dentro. ia deixar aqui umas amostras, mas não sou capaz. não faz jus ao que vi e ouvi. é partir em busca, se faz favor, ver para crer (querer).





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segunda-feira, 28 de junho de 2004



:: quiet nights of quiet stars ::


está calma a noite, como é próprio do fim de Junho, na silenciosa dilatação das sombras até aos cantos da casa. mesmo à janela fechada pressinto o rumor das árvores. o ardor do solo. o grande olho amarelo dos girassóis sob os quais pasmo como se fossem templos. está calma a noite, pacífica, atlântica. o aperto no peito é o mesmo de sempre, constrangimento de saudade, é o não-aqui do teu corpo, e a promessa de um dia limpo no azul-negro que se estende sobre as ruas. qualquer coisa em mim tardou e eu atrasei-me para o verão. foi este o meu dia mais longo, de noite feita apenas para brevemente sonhar.


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Quiet nights of quiet stars
quiet chords from my guitar
floating on the silence that surrounds us
*



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quinta-feira, 29 de abril de 2004



:: post-scriptum ::


Era preciso escrever, mesmo apesar do cansaço, e da pesada fibra nocturna da penumbra. Escrever para resgatar o tempo que passa, os momentos que adiei para depois, escrever como quem procura salvar alguma coisa, sabendo bem — como Duras — que a escrita não salva de coisa nenhuma. E é verdade que os dias de sol não servem para escrever, aprendemos a guardar as palavras na margem da boca, para depois, porque a primeira urgência é apenas fruir do lento ardor do solo. Por isso se guarda este ofício para as noites, quando as sombras se abeiram da insónia, mesmo quando não há medo, mesmo quando há só silêncio pacífico. Respiro o azul-negro das horas tardias já em pressentimento do verão, a partir de agora sei que a minha estação está próxima e que em breve desenrolarei os membros entorpecidos, como asas guardadas pelo inverno. Acontece que voltei a ver com frequência o rosto diluído da mulher junto ao cais, o seu vestido branco ondulando ao sabor do vento, e sei que naquele ar há um perfume de magnólias. O mar está próximo, e sei que se caminhar, se a vir dar um passo, há-de ir pelo meio das ruas estreitas de uma vila pequena em direcção à praia, onde os muros brancos de cal ardem sobre o sol, e os amantes que passam descansam o medo à sombra das amoreiras.



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quarta-feira, 21 de abril de 2004



:: preparação ::


O pátio está silencioso ao fim da tarde. Circundado por vastos cachos de rododendros e jasmim, que emergem da cal dos muros, é o lugar exacto do sol na hora do poente. Do outro lado, a estrada negra e deserta. Nenhum ruído perturba a quietude da cena. Nenhuma voz atravessa a cidade até à praia. Lentamente, adensa-se a penumbra — quase táctil — e azulam-se as sombras, em breve a noite riscará de negros contornos os corpos que se passeiam à beira-mar. Neste silêncio, amplo e imóvel, se acontece o medo é só porque alguns olhos, adentrando a escuridão, se parecem com estrelas longínquas.



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segunda-feira, 19 de abril de 2004



:: meio-dia ::


Tenho as primerias páginas rascunhadas daquela história à espera, possivelmente, de uma luz maior, ou de um verão mais doloroso, para que arrancar à brancura do silêncio as palavras agudas da ausência fosse, enfim, tarefa mais fácil.
Estamos imóveis perante a paisagem suspensa, é meio-dia queimando sobre o areal, os passos ardem sobre o espaço vasto. Não há uma erva que se mova, o próprio vento não se precipita para o céu deserto. A luz arde nas pálpebras, de muito contemplarem o mar ao longe. Há um carro parado na beira a estrada, um homem a olha, escavada na terra ígnea das planícies. Ao seu lado, uma mulher enverga uma camisola branca.




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segunda-feira, 12 de abril de 2004




:: das horas mansas
    dos lugares silenciosos ::


rente aos muros          a claridade
irrompe pelas janelas
um quadrado azul          recorta
o silêncio interior

— da mesma substância da luz
uma moradia de palavras
habitada de contornos negros —

um canto subitamente feito claro
                             o odor antigo
                             do jasmim
                             da madeira
                             repousa na quietude das horas
                                                                  da tarde.



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segunda-feira, 5 de abril de 2004




:: moderato cantabile ::


era inevitavelmente para isto que caminhava, estas duas palavras que são como o verão riscado sobre a memória, se entretanto já me envolvia o perfume e o enlevo da noite morna, a memória dos passos na varanda, de todos os nomes que entretanto esqueci, rostos despedaçados contra o azul e contra a exaltação das flores, ao longe um canto antigo e imenso, sem dúvida o mar, contra todo o esquecimento.



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:: nocturno ::


é este o cheiro das noites atlânticas, dos murmúrios rente ao calor sossegado das varandas, onde os corpos repousam do ardol do sol, cheios de íntimas insinuações, como se soubessem decifrar a matéria negra do silêncio. é este o cheiro do próprio verão, das promessas feitas porque os dias são longos e justos, enfim, da própria substância do desejo.



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quinta-feira, 25 de março de 2004




:: moderato cantabile, por exemplo ::


há meses inteiros - como se não tivesse havido entretanto senão inverno - sonho com a Avenida Atlântica, com as praias desertas, com o destino dos caminhantes silênciosos nas noites perfumadas de sal, com uma mulher que caminha rumo ao cais e um navio possivelmente ancorado ao largo, em majestosa indiferença, depois um rosto de pedra com o olhar fixo no vazio, as pálpebras carregadas de sombras e o peito ardendo com qualquer coisa que se move por dentro, destrutiva, mas acima disso tudo a cadência das palavras, o ritmo exacto, a medida justa dos silêncios, o amor em carne viva riscado a negro sobre as páginas, a memória do azul mais esplêndido que conheci, esse das viagens pela estrada que arde rumo a um lugar qulquer ao pé da água, próprio para o amor ou para a poesia.



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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004




:: a oriente ::

voltar o corpo para o sol, alimentarmo-nos do sal sobre a pele, resistir na ferida do excesso sobre o corpo. sonhar enquanto é tempo, avançar com os olhos pela noite dentro, como se fosse possível desvendá-la. enterrar as mãos na areia, equilibrar os ombros com o implacável azul do horizonte, pressentir o oásis longínquo que será o refúgio para a nossa sede. habitar um mundo que não nos pertence, ser nómada, ser viajante, na própria matéria dos nossos dias. moldar a boca à forma do silêncio, aprender a sustentar o desejo para que não doa a ausência, deitar o corpo sobre a terra para sentir o ardor do chão. limpar dos pés a poeira do desencontro *, acolher o azul-negro da noite com os olhos postos no firmamento, saber assim que o universo é aberto de vastos espaços, mas que só no deserto as estrelas nos falam, animadas pelo sopro dos deuses.

* Sophia de Mello Breyner Andresen





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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004




[interior]


1
a casa fechada
o verão demora-se pelas paredes brancas
inclina-se a tarde pela praia


2
as janelas abertas de par em par
um quadrado de luz rasga o silêncio
o dia aureolado de azul


3
o rumor do mar ao longe
os joelhos descansados sobre o chão
os corredores de súbito inquietos
é este o lugar que o medo habita


4
densas são as sombras
negra a noite perfumada.



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sábado, 31 de janeiro de 2004



:: magnólias para a Sandra ::




moderato cantabile #2

no interior da casa
o cheiro antigo dos livros
e o quadrado azul do verão
a claridade densa na janela
e um odor conhecido
invade o quarto desde o jardim
é agosto coroado de sol
na cidade que arde no silêncio
das tardes assim brancas
voltadas para o mar

existe uma mulher nessa casa
um piano velho que murmura
e o perfume das magnólias
como se não houvesse outro no mundo.





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segunda-feira, 26 de janeiro de 2004




[moderato cantabile]

aquele vulto além no cais
ou a sombra que se estende
pela avenida em brasa
o perfume estonteante das magnólias
transpirado no ar do verão
talvez os meus passos incertos
arrastando qualquer coisa pelas ruas
ou a tarde que cai sobre os muros
alheia ao murmurar das casas
por entre os jardins

o tom atlântico das palavras
os dedos que ardem sobre os livros.





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sexta-feira, 12 de setembro de 2003



como Antígona


eu sou aquela que não aprendeu a vergar-se perante as desgraças.





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segunda-feira, 25 de agosto de 2003





Ítaca, Grécia

é uma densidade que de súbito
se faz aérea e livre
os caminhos ausentes de passos
constroem o lugar comum
e uma transparência inesperada
emerge do caos das sombras

a teia dos desencontros desfaz-se
na primeira areia que inicia a ilha
e um manto ébrio de significados
revela-se no espelho claro das águas

o lugar converte-se em pressentimento
que em Ítaca qualquer coisa fará sentido.




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segunda-feira, 18 de agosto de 2003




[titubeando a eternidade]

se é possível que Ítaca dure para sempre
que a espera não se extinga nunca

será possível também que
Ulisses não regresse jamais
que a noite encontre Penélope
finalmente adormecida
sobre o tempo não desfiado.

para a Isa A., aqui perto deste rochedo de onde vejo que o mar devora a ilha.





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Eurydice


não há fonte ou ânfora bastante para as lágrimas todas que tenho para chorar-te.





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segunda-feira, 11 de agosto de 2003




*atlântica*

[motivo]

porque me aconteceu ser um corpo atlântico:


[construção]

este é o tempo das magnólias eternamente em flor
da brancura luminosa e fresca das paredes de cal
do silêncio quebrado nas amuradas junto à praia
do absoluto quadro azul da janela frente ao mar

este é o tempo em que o verão cai a pique
sobre os ombros nus que sustentam o sol
sem qualquer protecção contra a noite

este é o tempo de explicar
os pássaros que voltam
as planícies que doiram
o contraluz da ausência.


[resolução]

as palavras repousam, mediterrânicas,
na sustentação do invisível.






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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


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