quarta-feira, 11 de agosto de 2010




Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi de meus passos a poeira do desencontro


Sophia de Mello Breyner Andresen



















































És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.


Sophia de Mello Breyner Andresen






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posted by saturnine | 14:10 | 9 Comentários


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segunda-feira, 26 de julho de 2010



a little bit more on less is more


É verdade que não é só o lugar que condiciona a construção da identidade. Houve um momento chave, em que me veio parar às mãos a obra completa da Sophia de Mello Breyner Andresen.





As grutas

O esplendor poisava solene sobre o mar. E – entre duas pedras erguidas numa relação tão justa que é talvez ali o lugar da Balança onde o equilíbrio do homem com as coisas é medido – quase me cega a perfeição como um sol olhado de frente. Mas logo as águas verdes em sua transparência me diluem e eu mergulho tocando o silêncio azul e rápido dos peixes. Porém a beleza não é solene mas também inumerável. De forma em forma vejo o mundo nascer e ser criado. Um grande rascasso vermelho passa em frente de mim que nunca antes o imaginara. Limpa, a luz recorta promontórios e rochedos. É tudo igual a um sonho extremamente lúcido e acordado. Sem dúvida um mundo novo nos pede novas palavras, porém é tão grande o silêncio e tão clara a transparência que eu muda encosto a minha cara na superfície das águas lisas como um chão.
As imagens atravessam os meus olhos e caminham para além de mim. Talvez eu vá ficando igual à almadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água.
Estarão as coisas deslumbradas de ser elas? Quem me trouxe finalmente a este lugar? Ressoa a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo e doirado o quarto de areia e pedra. No centro da manhã, no círculo do ar e do mar, no alto do penedo, no alto da coluna está poisada a rola branca do mar. Desertas surgem as pequenas praias.
Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror de penetração na habitação secreta da beleza, terror de ver o que nem em sonhos eu ousara ver, terror de olhar de frente as imagens mais interiores a mim do que o meu próprio pensamento. Deslizam os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso gargantas de pedra e a arquitectura do labirinto parece roída sobre o verde. Colunas de sombra e luz suportam céu e terra. As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes. Arcos e rosáceas suportam e desenham a claridade dos espaços matutinos. Os palácios do rei do mar escorrem água e luz. Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu.
O meu olhar tornou-se liso como um vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.
E eis que entro na gruta mais interior e mais cavada. Sombrias e azuis são as águas e paredes. Eu quereria poisar como uma rosa sobre o mar o meu amor neste silêncio. Quereria que o contivesse para sempre o círculo de espanto e de medusas. Aqui um líquido sol fosforescente e verde irrompe dos abismo e surge em suas portas.
Mas já no mar exterior a luz rodeia a Balança. A linha das águas é lisa e limpa como um vidro. O azul recorta os promontórios aureolados de glória matinal. Tudo está vestido de solenidade e de nudez. Ali eu quereria chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras.






Esse momento redefiniu-me e é daí que vem a minha noção aguçadíssima do lirismo implícito da vida quotidiana. É daí que vem a minha convicção de que a poesia é como uma pedra polida e, por conseguinte, minimalista. Aprendi que cada palavra deve ser exacta, nem mais, nem menos. Aprendi que é bom ter o conhecimento do inferno, e a descrever com exactidão as imagens desse inferno. Aprendi que este conhecimento que dói pressupõe também a alegria do recomeço. Por isso preciso do mar, que se converte no elemento essencial onde é possível fazer a limpeza da alma, renascer, recomeçar. Aprendi também que pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos/ E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor* e que o mar de Creta por dentro é todo azul. Todo azul. Não é verde, nem azulado. Azul.




* O Minotauro



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terça-feira, 23 de março de 2010



being idle #1


Se fosse enunciar alguns dos meus prazeres ociosos, a coisa passaria mais ou menos por escrever; comer cerejas durante todo o dia, sob todos os pretextos, como se não houvesse amanhã; cozinhar só para mim, quando não há mais ninguém por perto, requintadas refeições, como cogumelos Portobello recheados e gratinados no forno com folhadinhos de requeijão com espinafres e azeitonas; folhear livros de receitas apetitosas, com fotografias de fazer crescer água na boca, imaginando quão saborosas serão, mas que muito provavelmente nunca irei experimentar; ter um gato ao colo, afundando as mãos na sua barriga fofinha e felpuda, enquanto o seu ronronar me acalma e embala; passear em livrarias, escrutinando todas as estantes e todas as preciosidades, como se tivesse todo o tempo do mundo, mesmo que não tenha no fim de contas dinheiro para comprar nada; ficar deitada na areia da praia, de olhos fechados, sentindo um crescente rejúbilo enquanto o sol me aquece a pele, ouvindo ao longe os gritos das crianças a brincar, enquanto o cheiro do protector solar se mistura com o odor da maresia.

Este é um dos meus prazeres mais antigos. Situa-se bem enrarizado nas memórias afectivas da infância e transporta-me para os longos verões que passava na praia com os meus primos (que eram os meus irmãos, no final de contas), onde o ponto de encontro era sempre debaixo da bola gigante da Nivea (ainda hoje não sei, sendo a praia tão vasta, como é que toda a gente marcava encontro debaixo da bola da Nivea, e toda a gente se encontrava), onde fazíamos das toalhas turbantes e véus, e onde me lembro, desde sempre, de aprender aquilo que reencontrei continuamente nos poemas de Sophia de Mello Breyner, anos mais tarde: mergulhar, nadar, brincar nas rochas, sabendo que é com o sal do mar que se sacode a poeira do desencontro e se parte em busca da límpida medida.





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terça-feira, 31 de julho de 2007



I keep going round and round in the same old circuit


sou uma pessoa de velhos hábitos. resisto às mudanças. mantenho-me com as mesmas músicas, os mesmos sabores de gelado, os mesmos livros preferidos, as mesmas pessoas. até os fantasmas. ando sempre de mão dada com os velhos demónios. a familiaridade é um conforto. e é também um dedo permanentemente apertado sobre um botão que dói. dói sem intermitência, até que pelo hábito deixa de doer. eu moro numa casa ao pé da linha dos comboios. e é verdade que eu já não ouço os comboios. e quando chego a uma música, umas frases assim, acontece que não consigo ir para outro lado qualquer. o mundo acontece todo em simultâneo dentro de uns versos. era para falar mais um pouco da Aimee Mann, mas num dia povoado pela morte quem me assalta a memória é a Sophia. de Mello Breyner, pois claro:



«Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.»




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quarta-feira, 25 de abril de 2007



We shan't go quietly into that good night


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen





imagem rapinada da Vila Dianteira





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segunda-feira, 28 de março de 2005




(this must be) underwater love





As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulsos que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?


Sophia de Mello Breyner Andresen





Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus braços
Vivem de pouco pão e de luar.


Sophia de Mello Breyner Andresen





Meu signo é o da morte porém trago
Uma balança interior uma aliança
Da solidão com as coisas exteriores


Sophia de Mello Breyner Andresen

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© lbs
Oceanário de Lisboa | Março 2005

>>> this must be underwater love, para ver mais no pale blue dot.




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sábado, 22 de janeiro de 2005




Don Juan #2


«E se ele olha qualquer coisa, não são decerto os fantasmas dos amores esvanecidos, mas (...) alguma planície silenciosa de Espanha, terra magnífica e sem alma, em que ele se reconhece

O Mito de Sísifo | Albert Camus



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a primeira vez que tive algum contacto com o deserto foi numa viagem pelo interior de Espanha, em que o silêncio absoluto para fora de nós e o sol implacável como um castigo * sobre a planície me impressionaram duramente, e para sempre se imprimiram nas urgências da minha alma. daí resultou que nunca mais me abandonaram as imagens de uma desolação magnífica.






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* Sophia de Mello Breyner Andresen



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segunda-feira, 26 de abril de 2004



:: elogio do ar livre :


Abre a porta e caminha
Cá fora
Na nitidez salina do real


Sophia de Mello Breyner Andresen | Cá fora
Junho de 1994, Musa




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sábado, 17 de abril de 2004



aqui cheguei após longo caminho, e depus sob o sol as durezas do inverno.


quando chega esta altura do ano, quando Maio se precipita, não abanono só os casacos, abandono toda a ferida do frio, ao despir-me das lãs dispo-me do inverno inteiro. é tempo de arejar a casa, abrir as janelas. enquanto uns guardam as roupas quentes e retiram dos armários as roupas frescas, eu faço o mesmo com os livros. é tempo de guardar Al Berto, Dostoievski, Daniel Faria, para que repousem numa silenciosa hibernação, tempo de trazer à luz das tardes nas varandas Sophia de Mello Breyner, Marguerite Duras, Eugénio de Andrade. afastem de mim as vozes escuras do abismo. agora é tempo de palavras brancas, alimentadas de claridade, de celebração de vida.



Luminosos os dias abolidos
Quando o meio-dia inclinava a sombra das colunas
E o azul do céu tomava em si a terra
Apaziguada no murmúrio
Das folhagens e dos deuses.


Sophia de Mello Breyner Andresen | Luminosos os dias



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domingo, 21 de março de 2004




:: alegria pelo dia de hoje #2 ::


É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala

As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento

Por isso me parece a imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo.


Procelária | Sophia de Mello Breyner Andresen



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:: alegria pelo dia de hoje ::


Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi de meus passos a poeira do desencontro


Acaia | Sophia de Mello Bryner Andresen


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pelo Dia Mundial da Poesia. aquele que poderia ser o meu poema preferido, se o houvesse.




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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004




:: a oriente ::

voltar o corpo para o sol, alimentarmo-nos do sal sobre a pele, resistir na ferida do excesso sobre o corpo. sonhar enquanto é tempo, avançar com os olhos pela noite dentro, como se fosse possível desvendá-la. enterrar as mãos na areia, equilibrar os ombros com o implacável azul do horizonte, pressentir o oásis longínquo que será o refúgio para a nossa sede. habitar um mundo que não nos pertence, ser nómada, ser viajante, na própria matéria dos nossos dias. moldar a boca à forma do silêncio, aprender a sustentar o desejo para que não doa a ausência, deitar o corpo sobre a terra para sentir o ardor do chão. limpar dos pés a poeira do desencontro *, acolher o azul-negro da noite com os olhos postos no firmamento, saber assim que o universo é aberto de vastos espaços, mas que só no deserto as estrelas nos falam, animadas pelo sopro dos deuses.

* Sophia de Mello Breyner Andresen





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sábado, 21 de fevereiro de 2004




:: redundâncias | pela próximidade do verão ::

acontece-me sempre isto. um inverno inteiro passa e eu sem conseguir aproximar-me dos livros de Sophia. está frio dentro da luz que eles prometem e que tarda. não tenho outra religião que não seja a do Sol. a cada ano me apaixono e converto novamente, se encontro um poema ao acaso, que me fala da minha natureza longínqua. na precaridade dos dias tenho assim a única certeza possível — se habito um mundo que não foi feito à minha medida, há pelo menos uma visão comum, de saudade extrema, de um mundo glorioso de imagens prometido à minha alma. e assim aprendo a necessariedade e o rigor da substância sagrada das palavras.





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:: explicação ::

IV

Meu coração busca as palavras do estio
Busca o estio prometido nas palavras

Sophia de Mello Breyner Andresen | Poesia de Inverno





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:: varandas ::



Edward Hopper | Second story sunlight



É na varanda que os poemas emergem
Quando se azula o rio e brilha
O verde-escuro do cipreste — quando
Sobre as águas se recorta a branca escultura
Quasi oriental quasi marinha
Da torre aérea e branca
E a manhã toda aberta
Se torna irisada e divina
E sobre a página do caderno o poema se alinha

Noutra varanda assim num Setembro de outrora
Que em mil estátuas e roo azul se prolongava
Amei a ida como coisa sagrada
E a juventude me foi eternidade


Sophia de Mello Breyner Andresen



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porque a varanda é o lugar privilegiado do sol
é onde a sombra se forma em colunas negras
e onde o silêncio — rente à penumbra fina —
transpira o hálito azul o rumor das manhãs
ou o tom nocturno das praias distantes
a medida justa das coisas
a claridade precisa da poesia.





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segunda-feira, 26 de janeiro de 2004




:: do politicamente (in)correcto ::

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

...

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Senhas | Adriana Calcanhotto




e serve-me isto para dizer que também eu - e tu - pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos / e reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor. *

* Minotauro | Sophia de Mello Breyner





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sexta-feira, 7 de novembro de 2003



visceral #5


não era a brincar que o Shrek dizia que o indivíduo se compunha de 'camadas' (layers), como as da cebola, nem é pensamento para ser desconsiderado. dia a dia revolvo e exponho as minhas camadas internas, percebo que o meu pensamento se organiza por estratos. percebo que a angústia prolongada remove camadas superficiais, deixa o corpo em carne viva. e é aí que se encontra a matéria nuclear do que somos, mais bruta, mais frágil, mas que ainda assim - dúctil como o ferro em brasa - nos coloca face à tristeza com a implacabilidade da lucidez.



Procelária | Sophia de Mello Breyner Andresen

É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala

As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento


Por isso me parece a imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo.






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quinta-feira, 6 de novembro de 2003



visceral #3




confesso que não sabia. Sophia de Mello Breyner Andresen, 6 de Novembro de 1919. as suas palavras carregam a minha vida. é apenas justo que comemore o aniversário de nascimento no mesmo dia em que eu comemoro o aniversário do meu (re)nascimento.


Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem



também aqui e aqui e aqui.





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sábado, 25 de outubro de 2003



para um dia de inverno e o cheiro a Burberry


Sobre os Mortos | Fernando Echeverría
Os papéis de K. | Manuel António Pina
Beau Séjour | Manuel de Freitas
Assinar a pele | antologia de poesia contemporânea sobre gatos

Plastic Love Memory | De-Phazz

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Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen






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segunda-feira, 25 de agosto de 2003





Penélope | J.W. Waterhouse

Quando as luzes da noite se reflectirem nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os negrumes da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio
Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridao fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto

Ítaca | Sophia de Mello Breyner Andresen





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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


*

calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


maio 2003 . junho 2003 . julho 2003 . agosto 2003 . setembro 2003 . outubro 2003 . novembro 2003 . dezembro 2003 . janeiro 2004 . fevereiro 2004 . março 2004 . abril 2004 . maio 2004 . junho 2004 . julho 2004 . agosto 2004 . setembro 2004 . outubro 2004 . novembro 2004 . dezembro 2004 . janeiro 2005 . fevereiro 2005 . março 2005 . abril 2005 . maio 2005 . junho 2005 . julho 2005 . agosto 2005 . setembro 2005 . outubro 2005 . novembro 2005 . dezembro 2005 . janeiro 2006 . fevereiro 2006 . março 2006 . abril 2006 . maio 2006 . junho 2006 . julho 2006 . agosto 2006 . setembro 2006 . outubro 2006 . novembro 2006 . dezembro 2006 . janeiro 2007 . fevereiro 2007 . março 2007 . abril 2007 . maio 2007 . junho 2007 . julho 2007 . agosto 2007 . setembro 2007 . outubro 2007 . novembro 2007 . dezembro 2007 . janeiro 2008 . fevereiro 2008 . março 2008 . abril 2008 . maio 2008 . junho 2008 . julho 2008 . agosto 2008 . setembro 2008 . outubro 2008 . novembro 2008 . dezembro 2008 . janeiro 2009 . fevereiro 2009 . março 2009 . abril 2009 . maio 2009 . junho 2009 . julho 2009 . agosto 2009 . setembro 2009 . outubro 2009 . novembro 2009 . dezembro 2009 . janeiro 2010 . fevereiro 2010 . março 2010 . maio 2010 . junho 2010 . julho 2010 . agosto 2010 . outubro 2010 . novembro 2010 . dezembro 2010 . janeiro 2011 . fevereiro 2011 . março 2011 . abril 2011 . maio 2011 . junho 2011 . julho 2011 . agosto 2011 . setembro 2011 . outubro 2011 . janeiro 2012 . fevereiro 2012 . março 2012 . abril 2012 . maio 2012 . junho 2012 . setembro 2012 . novembro 2012 . dezembro 2012 . janeiro 2013 . janeiro 2014 . julho 2015 .


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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