quarta-feira, 8 de junho de 2011





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terça-feira, 2 de agosto de 2005




>>> algumas coisas sobre os homens #1



cada corpo tem uma cartografia. aqueles braços, aquelas costas direitas, aquele tronco alto e firme, erguido contra a noite como uma rocha. e depois um odor, uma leve sobreexcitação, os lugares que os meus dedos percorreriam, se fossem livres.



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domingo, 31 de julho de 2005




(como sabes bem)



> talvez se goste mais das pessoas que vêm de longe pelo pouco tempo que temos para gostar delas.


hoje digo: talvez se goste tanto das pessoas que encontramos longe de casa porque temos tão pouco de quem gostar.


eu gosto daquele rapaz de olhos verdes na imensidão indizível das montanhas. gosto daquele corpo seguro todo erguido contra a noite, como um naco de terra. gosto da curva daquele abraço. contra a firmeza daquele corpo, a noite temível não pode. habito agora um lugar incerto na distância.



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segunda-feira, 18 de julho de 2005




> das coisas simples #2


há-de ser um cansaço, um excesso, um crescimento, mas eu já não sei escrever grandes cartas aos fantasmas ausentes. já não sei demorar-me sobre a falta, já não sei tratar por tu as grandes perdas. na verdade, não estou para isso. não tenho pachorra para os graves lamentos. o amor tornou-se uma coisa lenta e contida, à parte de mim. já não há rosto algum que substitua a minha vida. ainda que nada se cumpra *, ainda que me doa a sede à boca da garganta.



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domingo, 17 de julho de 2005




> das coisas simples #1


não falamos dos livros nem dos discos nem das árvores nem do rumor próprio das noites de verão ou dos mistérios do universo. estamos parados dentro de um momento. só sei d'aquellos ojos verdes, uma faca encostada à minha garganta. não falamos das coisas nem da terra, nem do desconhecimento que temos dos caminhos um do outro. é possível estar-se apenas tranquila num abraço - eu moro num abraço que me sustenta. um corpo é quanto basta. face a desse corpo, deixam de ser precisos os textos longos, os exercícios poéticos. só o teu corpo importa. há uma felicidade implícita em ser-se mínima.



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sábado, 9 de julho de 2005




> agora percebo


quando se gosta de uma pessoa simples, também se escreve mais sobre as coisas simples. o que também é uma justificação da condição de ser mínima.



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domingo, 3 de abril de 2005




//adenda ao late night chic post


everybody's got a soft spot. o meu são os gajos que dançam. i'm a sucker for bodies in motion.



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#late night chic post


vamos esclarecer uma coisa: eu nunca vi os Morangos com Açúcar. e tenciono continuar a não ver. mas há coisas que marcam a vida de uma pessoa, e como se sabe a vida de uma pessoa vale um post. eu há tempos vi este gajo





ao vivo a dançar isto

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You love me especially different every time
You keep me on my feet happily excited

By your cologne, your hands, your smile, your intelligence
You woo me, you court me, you tease me, you please me
You school me, give me some things to think about
Ignite me, you invite me, you co-write me, you love me, you like me

You incite me to chorus, ooh...

>>> Jill Scott | He Loves Me (Lyzel In E Flat)

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e há que dizê-lo com frontalidade: o Cifrão rula quando mexe aquele corpinho. pronto, tenho dito.





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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005




> it don't mean a thing if it ain't got that swing


chamemos-lhe, por enquanto, Mr. X. quando um gajo tem swing, é suficiente para que passe as noites sem dormir, e renuncie ao Homem Revoltado.



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> keep playing


em certos momentos compreendo que há bocados de vida que não podemos, de todo, carregar connosco. isso implica, muitas vezes, abandonar lugares, pessoas e hábitos queridos. eu às vezes (só às vezes) preferia que não se lembrassem tanto de mim.



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sexta-feira, 14 de janeiro de 2005




(& the World keeps turning)


o João, cuja juventude me aflige, estava deitado sobre um banco de jardim, quieto e absorto, com o braço esticado por trás da cabeça. a camisola descobria uma crista ilíaca majestosa e perfeita. então percebi que é possível amar por um instante um pedaço de corpo como se fosse o amor todo pelo tempo todo, e como é estranho esse amor repentino pelos homens de belos ossos, assim como o amor impossível pelos ramos das árvores.



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segunda-feira, 31 de maio de 2004




A essência humana


Aos homens todos é dado conhecerem-se a si mesmo e saberem pensar.


Heráclito
in Hélade - Antologia da Cultura Grega




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sexta-feira, 28 de maio de 2004




«Nada há de mais assustador do que uma classe de bárbaros a quem ensinaram a considerar a existência como uma injustiça e que desse modo vai peparando a vingança não só para a sua geração mas também para todas as gerações futuras.»

Nietzsche
| A Origem da Tragédia



isto fez-me pensar na questão do pecado original. nascer-se assim com um fardo que nos é impingido, à margem da consciência, pelo dogma dos rebanhos alheios. é este o legado de vingança que nos deixam os nossos ancestrais, cuja única resolução (ou consolo) que encontrou para o sofrimento humano primordial - que se identifica com o pavor da morte - foi o absurdo da religião. é a mais vil forma de tirania. um ser humano nasce inteiro e disponível para todas as escolhas. não aceito uma liberdade decepada pelo medo dos outros. mesmo receando o desconhecido, caminho para ele, orgulhosamente humana (apenas humana).



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quinta-feira, 27 de maio de 2004




:: persona ::


aquela que vejo, through the looking glass, sou eu, ou é um outro que me olha com o mesmo espanto?



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«...Jamais chegaremos a fazer um juízo claro acerca de nós mesmos, se não considerarmos as cicunstâncias da nossa educação, se não avaliarmos a influência que teve sobre nós. (...)»

Nietzsche | retirado da biografia do autor, apresentada como apêndice n' A Origem da Tragédia
(Lisboa Editora, 1999)




as coisas que reconhecemos como nossas, ou próprias da nossa vida individual, a matéria daquilo que somos e as aspirações que temos enquanto seres humanos, tudo isso não pode ser dissociado do meio em que nos formamos enquanto seres conscientes - e isto é uma ideia em certa media assustadora, se nos pomos a pensar na fatal arbitrariedade das escolhas que, afinal, não dependem de nós: crescer a ouvir Beethoven poderá garantir que estejamos livres do mal de vir a gostar de Marco Paulo; tal como crescer rodeado(a) de livros nos pode afastar da possibilidade de estupidificação da era dos Big Brother; naturalmente um indivíduo não pode ser entendido à margem das circunstâncias em que foi educado. e é isto que refiro como assustador, porque há algures aqui implícita a noção de privilégio, por um lado, e por outro a noção de que se escapa por (muito) pouco ao enlace na mediocridade. é preciso ter sorte quando se nasce.



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segunda-feira, 17 de maio de 2004



:: da perigosa arrogância e a morte da tragédia ::


Eurípedes transportara o espectador para o palco para lhe facilitar a compreensão do drama (...). Ora o «público não passa de uma palavra e não deve ser considerado de modo algum como um valor sempre homogéneo e constante. Porque haveria um artista de se julgar obrigado a submeter-se a um poder cuja força reside apenas no número? E, se pelo seu génio e pelas suas aspirações, se sente superior a cada um dos espectadores em particular, como lhe será possível ter mais respeito pela expressão comum de todas as capacidades que lhe são inferiores do que pelo espectador individual melhor dotado? Na verdade, nenhum artista grego tratou o público, com tanta arrogância e insolência, como fez o próprio Eurípedes, durante a sua longa vida (...).

A Origem da Tragédia | Nietzsche


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Eurípedes, como poeta, procurava tornar o espectáculo da tragédia inteligível para o espectador, para lhe facilitar a compreensão do drama. e poderia quase considerar-se isto uma vantajosa conquista, relativamente à densa e insondável profundidade do enredo da tragédia ao estilo de Ésquilo, não fosse a presença da perigosa arrogância: dessa que surge disfarçada de complacência, e que é a pior de todas as espécies de arrogância, porque não se assume como tal, tendo por base um sentimento de superioridade em relação ao seu semelhante também ele mascarado de benevolência e paternalismo. é preciso fugir dessa espécie de arrogância, desses que se abeiram do ignorante e lhe dizem 'coitadinho, deixa-me iluminar-te o espírito'.
a natural superioridade que o artista que cria possa sentir em relação ao seu menos dotado espectador não deve jamais ser exercida sobre a forma de uma caridadezinha que procura destituir a linguagem artística da sua essência para a tornar acessível ao número. nem o artista deve constranger-se perante essa forma de superioridade. ou não fosse a falsa modéstia o primeiro sinal da perigosa arrogância.
foi por esta mão que começou a morrer, de morte súbita e violenta, a tragédia grega original.



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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


maio 2003 . junho 2003 . julho 2003 . agosto 2003 . setembro 2003 . outubro 2003 . novembro 2003 . dezembro 2003 . janeiro 2004 . fevereiro 2004 . março 2004 . abril 2004 . maio 2004 . junho 2004 . julho 2004 . agosto 2004 . setembro 2004 . outubro 2004 . novembro 2004 . dezembro 2004 . janeiro 2005 . fevereiro 2005 . março 2005 . abril 2005 . maio 2005 . junho 2005 . julho 2005 . agosto 2005 . setembro 2005 . outubro 2005 . novembro 2005 . dezembro 2005 . janeiro 2006 . fevereiro 2006 . março 2006 . abril 2006 . maio 2006 . junho 2006 . julho 2006 . agosto 2006 . setembro 2006 . outubro 2006 . novembro 2006 . dezembro 2006 . janeiro 2007 . fevereiro 2007 . março 2007 . abril 2007 . maio 2007 . junho 2007 . julho 2007 . agosto 2007 . setembro 2007 . outubro 2007 . novembro 2007 . dezembro 2007 . janeiro 2008 . fevereiro 2008 . março 2008 . abril 2008 . maio 2008 . junho 2008 . julho 2008 . agosto 2008 . setembro 2008 . outubro 2008 . novembro 2008 . dezembro 2008 . janeiro 2009 . fevereiro 2009 . março 2009 . abril 2009 . maio 2009 . junho 2009 . julho 2009 . agosto 2009 . setembro 2009 . outubro 2009 . novembro 2009 . dezembro 2009 . janeiro 2010 . fevereiro 2010 . março 2010 . maio 2010 . junho 2010 . julho 2010 . agosto 2010 . outubro 2010 . novembro 2010 . dezembro 2010 . janeiro 2011 . fevereiro 2011 . março 2011 . abril 2011 . maio 2011 . junho 2011 . julho 2011 . agosto 2011 . setembro 2011 . outubro 2011 . janeiro 2012 . fevereiro 2012 . março 2012 . abril 2012 . maio 2012 . junho 2012 . setembro 2012 . novembro 2012 . dezembro 2012 . janeiro 2013 . janeiro 2014 . julho 2015 .


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustração . início . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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