Um dia, decidi fazer da minha vida um blog, porque não tinha nada melhor que fazer com ela. Traduzi-me num pequeno ponto preto, cheio de inspirações
monolíticas, e esse foi o meu melhor exercício de identidade. Nunca uma fuga tão inútil - de si mesmo,
para dentro - tão bem se disfarçou de uma vontade de aproximação. A minha inabilidade pessoal e social fez de mim uma excelente blogger, por um tempo determinado (uma das minhas mais sublimes vocações inúteis).
Não esperava que iria um dia
crescer, e que esse crescimento iria deixar o rasto da minha fuga a descoberto, reluzindo como o branco do osso no centro de uma fractura exposta. As ligações que, em plena fuga, estabeleci, apresentam-se-me agora na terminação de braços que se agitam, mas não se ligam a coisa nenhuma. Um dia, subitamente, algo abranda, suspende-se a fuga. Agora, tenho habilidades,
acreditem-me. Só que estou já demasiado longe e deixei demasiada coisa para trás, não é? É, pois.
As minhas 100 visitas diárias há muito tendem progressivamente para zero, o que me parece perfeitamente de acordo com a minha muito antiga premonição de que um dia este pequeno ponto preto iria encolher encolher encolher até desaparecer completamente. Estou em pleno deserto e sou um mero grão de areia. Aprendi a gostar de cortar as folhas velhas sem remorso. Por agora, meus amigos, este blog está em
pause.
Etiquetas: a minha vida dava um post, blogspotting, closed for the season, compêndio de vocações inúteis