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Segunda-feira, Maio 19, 2008
O ponto de vista dos demónios #29
![]() Bonnie "Prince" Billy | The Letting Go nesta noite algo de extraordinário aconteceu. estávamos num camarote, num balcão, a uma distância que a memória (turva) torna cada vez mais funda, mais imprecisa - mais distante. eu quis gritar qualquer coisa. um pedido, um suspiro, um anseio. mas havia um assombro que tomava secretamente conta de todos os espaços, de imediato me pôs a mão crispada no braço, segurou-me pela garganta: onde pensas que vais, criatura? eu pensava que ia nas asas do desejo. mas fui atirada contra um precipício sem fundo, algo só muito vagamente parecido com as pessoas no chão abaixo de mim, e não, não é a isto que deve saber o voo. era mais uma pequena morte, eu juro que morri ali durante 2 minutos e ainda hoje não sei que sopro me devolveu à vida. caí, circularmente, interminavelmente, até não saber mais por onde cair. quando a dor é grande, os nervos são os primeiros a evadir-se em colapso instantâneo. depois é a vez dos músculos, que petrificam, atraiçoam o gesto previsto. o coração dispara, olha como corre furioso em direcção a lugar nenhum. quem poderia sustê-lo, assim em fuga? pára, regressa, onde vais, coração? subitamente, o corpo é um túmulo. a música, por momentos, eclipsa-se. só com muita dificuldade poderia ousar recordar o que ouvi. a respiração, suspensa, regressa em súbitas emergentes sôfregas golfadas. must - have - a-i-r. o que aconteceu ali (se não foi um encontro com deus ou os seus demónios), pode ter sido o que Bonnie "Prince" Billy cantava: The Letting Go é um disco extraordinário. demorou a conquistar-me. precisei de estar naquela sala, a ouvir aquelas canções, para me convencer que a voz de Dawn McCarthy era uma benção. da matéria das coisas inexplicáveis, miraculosas, próximas da impossibilidade da perfeição, o título deste disco tem origem num poema. e não pode ser por acaso - não pode - que seja um poema sobre colapso dos nervos, músculos que atraiçoam, corpo que se faz túmulo: The Nerves sit ceremonious, like Tombs — The stiff Heart questions was it He, that bore, And Yesterday, or Centuries before? The Feet, mechanical, go round — Of Ground, or Air, or Ought A Wooden way Regardless grown, A Quartz contentment, like a stone — This is the Hour of Lead — Remembered, if outlived, As Freezing persons, recollect the Snow — First — Chill — then Stupor — then the letting go — Emily Dickinson
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saturnine
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14:48 |
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Domingo, Maio 18, 2008
Domingo, 11 de Maio
com a excitação - óbvia, natural, inevitável - esqueci-me completamente que, contra todas as probabilidades, num domingo, 11 de Maio, cinco anos antes, um ponto negro ousou emergir da escuridão. ![]()
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saturnine
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19:20 |
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and then the demons strike back
isto de sobreviver aos dias é uma negociação. uma trégua, um espaço conquistado a custo. que é como quem diz: eu vou, mas volto. a própria Perséfone, coitada, cujo crime maior foi não ter resistido à sedução de uma romã, sabe-o melhor do que ninguém. aceitar uma dádiva de primavera é, ainda assim, aceitar deixar a casa sempre de mesa posta: diz que regressam logo no tempo previsto, eles, os demónios. e um amuleto é só uma trégua de estação: logo à hora marcada todo o inferno nos vem à boca.* Robert Forster | Demon Days In these demon days We’re pulling our pay The lights on the hill Are freezing us still The fingers of fate Stretch out and take Us to a night But something’s not right Something’s gone wrong The half whispered hopes The dreams that we smoked Puffed up and ran As only dreams can Dreamt by the young Sparks to be sung In places so bright But something’s not right Something’s gone wrong ________________________ * Mia Couto
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saturnine
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01:53 |
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Sexta-feira, Maio 16, 2008
against demons
against demons é um amuleto. se eu tivesse etiquetas neste blog, esta seria a número um. um amuleto, uma gárgula, uma coisa inventada, mágica, simbólica, que mantém afastadas as investidas das trevas. aqui, against demons é a música que preenche os meus dias, a certeza de que o pop/rock é mesmo um dos assuntos mais sérios da vida, e que trazer por dentro uma canção é uma protecção, como quem ostenta um qualquer objecto da sorte contra a matéria má dos dias. And do adults just learn to play The most ridiculous, repulsive games? Turn on me por isso é que há dias a fio só tenho duas coisas no meu leitor: The National e The Shins. que por um qualquer efeito mágico, são ambivalentes. droga e antídoto. veneno e bálsamo. aos primeiros, pergunto: espelho meu, espelho meu, que perguntas te faço eu? Start a war é o que eles dizem. mas depois sossegam: no thinking for a little while let's not try to figure out everything at once Fake Empire e há coragem para deixar que seja noite. (we're half-awake in a fake empire, frase-refrão mais emblemática do ano passado, bem no encalço da frase-refrão mais brilhante de 2005: break my arms around the one I love.) já os segundos, trazem-me um retrato: Then follow it with hesitation, But there are just so many of You out there for rent A stronger girl would shake this off in flight, And never give it more than a frowning hour, But you have let your heart decide, Loss has conquered you, You've won one too many fights, Wearing many hats every time, But you wont win here tonight mas ainda vão a tempo de deixar um pedido, um recado, um desejo: This time Girl Sailor e eu suspendo-me um momento, uma hora, não sei quanto tempo. aguardo que passe. e confesso que menti. há mais coisas que me passam pelo leitor, a desoras. uma canção rara de The Go-Betweens, uma canção menos rara de Van Morrison e uma canção ao vivo de Robyn Hitchcock. canções que foram ofertas, preciosas e inesperadas, pelo que têm o dom de ser amuletos da melhor espécie: contra o medo, nada melhor do que ser levado pela mão. _______________________________ * Herberto Helder
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saturnine
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21:37 |
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Quinta-feira, Maio 15, 2008
miles to go before I sleep #20
é possível que ainda demore, a lenta gradual descida deste limbo onde cada recanto reconduz às mesmas memórias, à mesma fantasmagoria. é possível que ande ainda tempo indefinido de rosto impreciso, feito canção. é possível que a cada coisa que dói só saiba responder com a inutilidade de um verso. Did somebody break your heart again? Oh poor sky, don't cry on me Are you gonna fall apart again?' The National
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02:23 |
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Quarta-feira, Maio 14, 2008
não há duas sem três
resta ainda dizer que houve bons pensamentos e bons desejos e uma ou outra impossibilidade fodida e muita gente em que pensei e entre as que conheço e as que não, não perdi oportunidade para cumprir um pedido e suspirar para dentro: The National
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01:25 |
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you came on like a punch in the heart #3
de tantas formas, depois das pequenas mortes, se fazem às unhas à terra e se regressa ao lado arejado do solo. de tantas formas, depois de nos matar, nos volta a resgatar uma cidade. um certo limbo, um certo aperto no coração, uma certa indecisão entre a angústia e o nirvana, não são maus de todo. é bom reconstruir lugares. Lisboa, ganhaste-me outra vez. ![]() © Senhor Manel I was in a train under a river when I remembered what What I wanted to tell you, man What I wanted to tell you, man I got two sets of headphones, I miss you like hell Won't you come here and stay with me Why don't you come here and stay with me
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00:04 |
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Terça-feira, Maio 13, 2008
Break my arms around the one I love
![]() The National | 11 de Maio | Lisboa © ilustre Senhor Manel, ao lado de quem tive o prazer de me sentar (na primeira fila, ao centro) The National | Daughters of the Soho Riots não há muitas palavras para isto. epifania. amor. derrota total. pequenas mortes. os rostos que vi, os que tanto queria ver, os que - qual Bartleby de meia-tigela - preferia não. a sensação de que somos vagamente weirdos em mútuo reconhecimento. eu pelo menos sou uma grande weirdo e doem-me permanentemente as coisas que trago por dentro. doem um bocadinho mais quando soa a "Daughters of the Soho Riots". doem particularmente se deixo ecoar-me na cabeça I wanna hurry home to you put on a slow, dumb show for you and crack you up and I'm closing on 29.
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00:26 |
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Quinta-feira, Maio 08, 2008
Este post tem dedicatória
![]() The Go-Betweens | Spring Rain
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00:16 |
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Quinta-feira, Abril 24, 2008
you came on like a punch in the heart #2
o Nick Cave data de temos tão remotos na minha vida musical que a memória das primeiras audições evoca uma época em que ainda lia a colecção Triângulo Jota. decorria o ano de 1992 da graça do Senhor, o Henry's Dream acabadinho de sair. bem sei que cada coisa é uma coisa e que cada maravilha é sempre a única maravilha e que o amor é sempre uma coisa do princípio e do fim do mundo. mas ainda assim não é hipérbole nem falta à verdade se constatar que não me lembro de outra coisa assim. uma epifania completa: you came on like a punch in the heart. foram precisos 16 anos (mais de metade da minha vida) para ver como era aquele rock, aquela fúria, assim de perto. e agora, percorrer assim os caminhos tortuosos, ramificados, intrincados, a que conduzem estas músicas, é como um súbito alívio de agarrado. o corpo expande-se em interna descompressão. coladas a essas músicas, há toda a parafernália de recordações da entrada abrupta nos vintes, as aulas de desenho, as festas de fim de semestre, a evidência do verão à chegada de Junho, os jardins ociosos das Belas Artes, o sol, as noites, os perfumes, os rostos que beijei, meu deus, os rostos que desejei beijar, muitas tardes passadas no quarto pequeno, com pouca luz, a imaginar encontros, a fantasiar futuros, a carpir as mágoas habituais, sem saber muito bem que ordem havia na desordem completa do mundo, mas sabendo que havia uma música que era um farol e que dizia estoicamente the mercy seat is waiting/ and I think my head is burning/ and in a way I'm yearning/ to be done with all this measuring of truth./ an eye for an eye/ a tooth for a tooth/ and anyway I told the truth/ and I'm not afraid to die. muitas tardes que se transformaram em noites. noites que se transformaram em pessoas. pessoas que se transformaram em paixões. paixões que se transformaram naquilo que me lembro daquilo que sou. how fucking romantic. acho que chegou a minha vez. se eu fosse um vídeo, seria este:
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00:34 |
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Quarta-feira, Abril 23, 2008
you came on like a punch in the heart*
![]() eu não me contentaria com nada menos do que o melhor. não me contentaria com menos do que ter a certeza que aquele olhão azul estava mesmo ali a azular. estava tão perto que os perdigotos do senhor me acertavam. morri ali pelo menos uma ou duas vezes. mas a mensagem estava por todo o lado: dig yourself. e regressei. de coração abalroado. não há escala para isto, não é tão bom quanto melhor que muito pior ainda que. é só uma evidência absolutamente necessária: um grande amor à espera de ser cumprido. não havia tempo que bastasse para tudo o que havia para ser dito. mas houve verdade suficiente para que os anos se condensassem de súbito em breves instantes. os rostos que eu percorri, meu dEUS, as memórias. uma vida inteira ali dentro, uma vida inteira carregada de gente, de histórias dentro de músicas dentro de histórias. não era preciso muito para que fosse um concerto bestial: o essencial eu levo sempre comigo. e eu, que sou assumidamente uma "Henry's Dream" / "Let love in" kind of girl e que sempre achei que era quase imperdoável a irremediabilidade da passagem do tempo, dei por mim a gostar deste homem-grinderman. é-se o que se é, o tempo todo não nos pertence. ficamos com o pouco que nos calha. e ainda assim, por vezes, é tão mais do que aquilo que deveríamos esperar. * Jesus of The Moon
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03:41 |
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Sexta-feira, Abril 18, 2008
on being the woman who could not live with her faulty heart
foi a lebre que me serviu o prato. o mundo passou a fazer subitamente muito mais sentido desde o dia em que Margaret Atwood passou a constar do meu livro de citações internas de emergência. assumi um epíteto. ![]() e assim, eu, que não consigo viver com o meu coração defeituoso, constato: It wasn't your crippled rhythm I could not forgive, or your dark red skinless head of a vulture. but the things you hid: five words and my lost gold ring, the fine blue cup you said was broken that stack of faces, gray and folded, you claimed we'd both forgotten, the other hearts you ate, and all that discarded time you hid from me, saying it never happened. There was that, and the way you would not be captured, sly featherless bird, fat raptor singing your raucous punctured song with your talons and your greedy eye lurking high in the molten sunset sky behind my left cloth breast to pounce on strangers. How many times have I told you: The civilized world is a zoo, not a jungle, stay in your cage. And then the shouts of blood, the rage as you threw yourself against my ribs. As for me, I would have strangled you gladly with both hands, squeezed you closed, also your yelps of joy. Life goes more smoothly without a heart, without that shiftless emblem, that flyblown lion, magpie, cannibal eagle, scorpion with its metallic tricks of hate, that vulgar magic, that organ the size and color of a scalded rat, that singed phoenix. But you've shoved me this far, old pump, and we're hooked together like conspirators, which we are, and just as distrustful. We know that, barring accidents, one of us will finally betray the other; when that happens, it's me for the urn, you for the jar. Until then, it's an uneasy truce, and honor between criminals. Margaret Atwood in *Two-Headed Poems
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23:54 |
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Quarta-feira, Abril 16, 2008
morto amado nunca mais pára de morrer *
aquilo que nos acontece, nunca aconteceu, nunca mais pára de acontecer. Abril dura para sempre. não nos separamos do tempo que passa. uma ferida passada é um nenúfar no peito. diariamente desabrocha as suas pétalas de estilete. See myself something different Though I try to talk sense to myself But I just won't listen Won't you go away Turned yourself in You're no good at confession Before the image that you burned me in Tries to teach you a lesson What you did to me made me see myself somethin' awful A voice once stentorian is now again meek and muffled It took me such a long time to get back up the first time you did it I spent all I had to get it back, and now it seems I've been outbidded My peace and quiet was stolen from me When I was looking with calm affection You were searching out my imperfections What wasted unconditional love On somebody Who doesn't believe in the stuff You came upon me like a hypnic jerk When I was just about settled And when it counts you recoil With a cryptic word and leave a love belittled Oh what a cold and common old way to go I was feeding on the need for you to know me Devastated at the rate you fell below me What wasted unconditional love On somebody Who doesn't believe in the stuff Oh, well Fiona Apple
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01:52 |
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Segunda-feira, Abril 14, 2008
insensatez já não mora aqui
![]() pois é. a insensatez já não mora ali. mudamos as nossas saturninas traquitanas todas para aqui. ou estamos em mudanças, pronto. mas estamos a chegar lá. venham ver-nos, please. we have cookies. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() © lbs productions
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02:55 |
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Sexta-feira, Abril 11, 2008
April was the cruelest month #3
(ou o díptico poético-terrorista)
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21:37 |
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Quarta-feira, Abril 02, 2008
April was the cruelest month #2
![]() © lbs | sintra | 2008 era o Rui Pires Cabral que dizia, nas minhas mãos, numa música antológica (& onze cidades), num café da rua de Ceuta, num Abril passado: "sem deixar eco qualquer coisa ruía." desde então, alguns dias antes, um sopro mais aflito, uma respiração mais dificultada, um vago torpor só muito subtilmente pressentido. começa a doer-me Abril lentamente por todo o corpo. até hoje, nunca mais parei de ressentir-me do eco dessa qualquer coisa que ruía sem eco num Abril passado. se olho para dentro, constato: tenho uma nódoa negra no coração. para o teu tempo, comerei o pó dos dólmens nos cantos da tua boca, em julho entre o arvoredo. Mais valia que não me tivesses salvo nessa altura, o coração não me basta e ainda se ressente. Rui Pires Cabral | Boo Boo's Gone Mambo ![]() © lbs | sintra | 2008
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00:24 |
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Terça-feira, Abril 01, 2008
Good ol’ rythm’n’blues or the ex-factor on some casual late night thinking
I wear black on the inside
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23:57 |
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Sábado, Março 29, 2008
Da selecção natural
há coisas que não resistem à passagem do tempo, ao excesso de silêncio. i'm being cut to shreads * * Radiohead
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18:58 |
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So far, so good
22 de Abril de 2008: Nick Cave, Coliseu do Porto 11 de Maio de 2008: The National, Aula Magna 28 de Maio de 2008: Cat Power, Coliseu do Porto os apêndices: não ter que pagar bolha para ver, sem saber de antemão, A Hack And A Hacksaw. ter o bilhete mais perfeito possível para The National (primeira fila das doutorais, ao centro). afigurar-se a possiblidade de Leonard Cohen e Bob Dylan lá mais para o verão, sabe-se lá que mais boas surpresas. qualquer dia tenho os sonhos todos realizados e estarei um passo mais próxima de me tornar uma pessoa verdadeiramente insuportável. respect.
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saturnine
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18:10 |
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Sexta-feira, Março 28, 2008
Meu pequeno animal anti-social (crónica de um amor profundo)
eu esperei 10 anos pelos Portishead. nesses 10 anos, eu frequentei os jardins das Belas-Artes, apaixonei-me por pessoas, desapaixonei-me das pessoas, atravessei o Atlântico, morri uma ou duas vezes, mudei de casa, mudei de emprego, acabei um curso, acabei relações, fiz-me saturnina, fiz-me citrina, passei a gostar de desgraçadinhos à guitarra como o Townes Van Zandt, fui a festivais, vi por dentro o inverno transmontano, estive cativa da serra e cativa do inferno e depois regressei. 10 anos à espera deste exacto momento: as luzes baixam, acendem-se os focos azuis, soam os primeiros acordes soturnos de uma melodia (re)conhecida. eu tremo, o coração dispara, as lágrimas afloram. é tudo perfeito e é tal e qual como eu imaginei durante longos 10 anos: "Roads". 10 anos de memórias, afectos, caem-me em cima em desmoronamento simultâneo.
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saturnine
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00:10 |
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