quinta-feira, 30 de setembro de 2004




(how to disappear completely)






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into the great wide open
(ou a vastidão por dentro, ainda)



Delta do Nilo



Deserto, Qatar


distance is a matter of perspective.

posted by saturnine | 20:08 | 0 Comentários


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quarta-feira, 29 de setembro de 2004




como dizer-vos do expressionismo?








Emil Nolde

posted by saturnine | 22:20 | 0 Comentários


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eu vou mas volto.


não é o fim do mundo, pelo contrário. é um novo princípio. é só que estou cheia de medo. há quanto tempo sonhava com isto. agora sou só eu, a estrada e o desconhecido que me espera. aqui vou eu, into the great wide open.

posted by saturnine | 20:26 | 0 Comentários


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estranged


algum dia tinha que acontecer. não estava preparada, mas calculo que seja sempre contra o vazio que se lança o primeiro voo. lá vou eu para o meio da serra, longe de todas as raízes que me são familiares. não é o deserto, mas há-de ser algo parecido. parto de malas e bagagens e com o coração nas mãos. para já, não sei o que será de mim nem do little black spot.



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So nobody ever told you baby
How it was gonna be
So what'll happen to you baby
Guess we'll have to wait and see  *


posted by saturnine | 19:24 | 0 Comentários


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lua cheia




há uma leve agitação anterior ao silêncio. é hora de sair para a rua. os gatos, e assim eu, acomodamos o corpo à forma do céu nocturno.

posted by saturnine | 01:40 | 0 Comentários


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mimesis


M. está encostada à parede suja e faz longas pausas no discurso. olha o vazio enquanto expira o fumo azulado do cigarro.
amei dois gajos na minha vida. e ambos tinham o mesmo nome. por vezes, acredito ver um rosto indefinido e próximo. se a memória acesa os distingue, a ausência de ambos se confunde.
e por isso deixou de dar nomes às coisas.

posted by saturnine | 01:18 | 0 Comentários


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terça-feira, 28 de setembro de 2004




(nota à margem)

o que a voz do Jeff me faz é manter-me em permanente estado de alerta, com os sentidos em ferida, com os tecidos inflamados. é como estar permanentemente em estado côncavo de paixão.

posted by saturnine | 14:20 | 0 Comentários


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é só mais um pouco

a qualquer momento regresso à terra.

posted by saturnine | 14:10 | 0 Comentários


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Hallelujah
(Leonard Cohen)


'I've seen your flag on the marble arch
But love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah'

posted by saturnine | 13:43 | 0 Comentários


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Mojo Pin


Voodoo Girl | Tim Burton




(...)
If only you'd come back to me
If you laid at my side
Wouldn't need no mojo pin
To keep me satisfied


Don't wanna weep for you, don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so

(...)



Jeff Buckley | Mojo Pin

posted by saturnine | 13:10 | 0 Comentários


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And I couldn't awake from the nightmare that sucked me in and pulled me under


Não é por nada, mas é bem possível que este seja o disco da minha vida (pelo menos esta noite).




Começa aquele lamento fininho na abertura de Mojo Pin e eu já estou feita em pedaços. Não há hipótese, Jeff Buckley desconcerta-me, desmorona-me. Este gajo estar morto é das impossibilidades que mais confusão me fazem. Dói-me. Eu perdia a cabeça por um gajo assim.





Tenham lá paciência, mas isto desta vez deu-me forte. Não há ninguém que cante Hallelujah como Jeff Buckley. Nem o próprio Cohen. Chega aquela voz pela noite dentro e eu desmancho-me. Um lamento das profundezas. É o deus-morto, a própria voz do subterrâneo (não vamos falar ainda de Tim Buckley).





Agora os gritos. Os gritos melodiosos de Grace. Há coisas para as quais o mundo não pode ter explicação. Eu vivo muito de deslumbramento e de assombro.






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This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die
But it's over
Just hear this and then i'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

This is our last embrace
Must I dream and always see your face
Why can't we overcome this wall
Well, maybe it's just because i didn't know you at all

Kiss me, please kiss me
But kiss me out of desire, babe, and not consolation
You know it makes me so angry 'cause i know that in time
I'll only make you cry, this is our last goodbye



Did you say "no, this can't happen to me,"
And did you rush to the phone to call
Was there a voice unkind in the back of your mind
Saying maybe you didn't know him at all
You didn't know him at all, oh, you didn't know

Well, the bells out in the church tower chime
Burning clues into this heart of mine
Thinking so hard on her soft eyes and the memories
Offer signs that it's over... it's over



* * *


posted by saturnine | 02:44 | 0 Comentários


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Lunatic


Brain damage

The lunatic is on the grass.
The lunatic is on the grass.

Remembering games and daisy chains and laughs.
Got to keep the loonies on the path.

The lunatic is in the hall.
The lunatics are in my hall.
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more.

And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forebodings too
I'll see you on the dark side of the moon.

The lunatic is in my head.
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'til I'm sane.

You lock the door
And throw away the key

There's someone in my head but it's not me.

And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear.

And if the band you're in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon.

"I can't think of anything to say except...
I think it's marvelous! HaHaHa!"


* * *


Eclipse

All that you touch
All that you see
All that you taste
All that you feel
All that you love
All that you hate
All you distrust
All that you save
All that you give
All that you deal
All that you buy
Beg, borrow or steal
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say
All that you eat
Everyone you meet
All that you slight
Everyone you fight
All that is now
All that is gone
All that's to come
And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.



Pink Floyd
Dark Side of the Moon


posted by saturnine | 01:59 | 0 Comentários


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segunda-feira, 27 de setembro de 2004




para que saibas

quando ouço a voz dorida do Jeff, é em ti que penso.
há impossibilidades que doem menos do que outras.

posted by saturnine | 03:01 | 0 Comentários


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Things behind the sun

ontem deram-me a ouvir Brad Mehldau. Things behind the sun, de Nick Drake, tocado na abertura de Live in Tokyo. assim se apaziguou a noite e sobreveio a promessa de sonhos tranquilos. este, é um encanto que ainda não sei explicar. sei só, para já, que Nick Drake permanece o mesmo e familiar lugar sereno, sob o sol, onde é possível o sossego e a ternura.


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Dennis Stock
"Brother Sun"



Please beware of them that stare
They'll only smile to see you while
Your time away
And once you've seen what they have been
To win the earth just won't seem worth
Your night or your day
Who'll hear what I say.
Look around you find the ground
Is not so far from where you are
But not too wise
For down below they never grow
They're always tired and charms are hired
From out of their eyes
Never surprise.

Take your time and you'll be fine
And say a prayer for people there
Who live on the floor
And if you see what's meant to be
Don't name the day or try to say
It happened before.

Don't be shy you learn to fly
And see the sun when day is done
If only you see
Just what you are beneath a star
That came to stay one rainy day
In autumn for free
Yes, be what you'll be.
Please beware of them that stare
They'll only smile to see you while
Your time away
And once you've seen what they have been
To win the earth just won't seem worth
Your night or your day
Who'll hear what I say.


Open up the broken cup
Let goodly sin and sunshine in
Yes that's today.
And open wide the hymns you hide
You find reknown while people frown
At things that you say
But say what you'll say
About the farmers and the fun
And the things behind the sun
And the people round your head
Who say everything's been said
And the movement in your brain
Sends you out into the rain.



Nick Drake
Things behind the sun


posted by saturnine | 01:18 | 0 Comentários


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domingo, 26 de setembro de 2004




steps into miles
ou a vastidão por dentro #4



George Rodger
ALGERIA. Sahara. Palmeries of Kerzaz near the Great Western Erg. 1957.




a sol ferindo como uma lança
a noite caindo como um castigo
assim o silêncio no deserto

posted by saturnine | 11:02 | 0 Comentários


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sincronias


Peter Brueghel


a M. repete uma vez por outra a sua ferida que nunca há-de sarar. em uníssono, a minha lateja e arde.

posted by saturnine | 01:22 | 0 Comentários


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sábado, 25 de setembro de 2004




Love will tear us apart *


(para aqueles que acreditam que a verdade é apenas um segredo bem guardado)
há um lado inequívoco nos enganos, e a única resposta possível - ainda que dolorosa - é o silêncio.





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* Joy Division

posted by saturnine | 22:44 | 0 Comentários


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Too much is not enough


Smoking glasses head band Bhuddist German knows French mad weird face sweet face the sexy dark one pretty boy and chemicals Mr. hairy all together now for the first time into the darkness whether because of night or someone turns the big lights outs possibly the chance of the big C or some graceful ending beginning again as we are walking never stop walking because we love it and so do I too much never enough never enough enough.

Too Much is Not Enough | Nigel Charnock
Rivoli Teatro Municipal
Setembro de 1999



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all my best intentions
can they ever be enough
and how can I read what you want
when you always want too much



Goldrush | Best Intentions
New Sounds of the Old West


posted by saturnine | 21:56 | 0 Comentários


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(desvio controlado)


Oh yes I love you
But today I could hit you, I could hurt you
Because we're joined at the heart
Beats faster, hits harder than a boxer
When we are apart
Body language is an SOS
I don't understand how our fight starts
Not enough to believe in love
I don't know, I don't know, I don't know where we've gone wrong

How long will it take to get used to me
How long will it take to get used to me



James | Don't wait that long


(as forever turns out to be too long)


posted by saturnine | 21:18 | 0 Comentários


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Fall








Byung-Hun Min
© Photo Eye

posted by saturnine | 11:53 | 0 Comentários


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ânforas



Doug Keyes
Collective Memory | Mammals, 1999




algo que me diz que muitos dias virão ainda de muitas lágrimas para chorar.


posted by saturnine | 02:22 | 0 Comentários


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sexta-feira, 24 de setembro de 2004




Save me from myself *



Jenny Holzer


o sentido de uma frase tão esmagadora pode e deve entregar-se à ambiguidade. as suas implicações são vastas, mas precisas, deste lugar de onde olho o mundo. se não há uma mão que me salva, um sopro basta para que o que transporto se desfaça.


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* The The | Bluer Than Midnight

posted by saturnine | 21:42 | 0 Comentários


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My God! It's full of stars!



© Astronomy Picture of the Day


um quarto de século a olhar para o céu. wow.

posted by saturnine | 02:00 | 0 Comentários


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Insónia


um barulho em redor da casa, um restolho, uma ritmada agitação, desperta-me e deixa-me alerta. levanto-me e tomo consciência da noite. é Sísifo, afinal, com milhas para andar antes de dormir, e o ruído da sua pedra montanha acima, montanha abaixo.

posted by saturnine | 01:55 | 0 Comentários


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Antígona

resistir aos desastres é ofício de uma vida inteira. consertar o que partiu cá dentro é trabalho para anos.

posted by saturnine | 01:55 | 0 Comentários


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à superfície tudo está calmo


mas às vezes sinto saudades da minha vida.

posted by saturnine | 01:52 | 0 Comentários


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quinta-feira, 23 de setembro de 2004




a matéria simples

duas ânforas de barro num canto silencioso
o rumor da água perfumando a noite escura.

posted by saturnine | 01:42 | 0 Comentários


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um passeio de Ford Mustang














(re)bem-vindo, Hugo.

posted by saturnine | 01:19 | 0 Comentários


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quarta-feira, 22 de setembro de 2004




But I miss you most of all...





Autumn leaves fall and are swept out of sight,
The words that you said have come true.
Autumn leaves fall and are swept out of sight,
So is the memory of love that we knew.


The wind of forgetfullness blows them
Into the night of regret.
The song we so often did sing,
Is echoing echoing yet.

The falling leaves drift by the window.
The autumn leaves of red and gold.
I see your lips, the summer kisses,
The sunburned hands I used to hold.

Since you went away the days grow long,
And soon I'll hear cold winter song.
But I miss you most of all, my darling,
When autumn leaves start to fall.



Autumn Leaves | by Coldcut

posted by saturnine | 13:21 | 0 Comentários


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equinócio



Outono:
velhos parecem até
os pássaros e as chuvas


Matsuo Bashô
O Gosto Solitário do Orvalho

posted by saturnine | 11:19 | 0 Comentários


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dos príncipes que se tornam sapos


agora que penso nisso, há muito que 'o homem que amo' ou 'o amor a minha vida' ou outras pequenas variantes designatórias de uma eternidade improvável, desapareceram do meu leque de expressões familiares. aquilo que tenho é uma consciência inominável, uma voluntária não-verbalização, e um lugar interno especial para as coisas sem nome. no meio de tudo isto, prefiro a ausência de artifícios e as palavras simples, mínimas. ultrapassam-me por completo as coisas que aspiram à eternidade e à concorrência aos lugares sagrados.

posted by saturnine | 10:26 | 0 Comentários


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I can't stand the rain *





confesso que pertenço
afinal
aos dias curtos e às passagens
a evidência da morte nas árvores
é uma outra forma de silêncio
e todos os lugares
um pouco mais interiores.




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* Cassandra Wilson

posted by saturnine | 01:09 | 0 Comentários


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terça-feira, 21 de setembro de 2004




Those who can be trusted can change their mind.


por isso não confiamos nos outros, e acima de tudo em nós próprios.

posted by saturnine | 23:37 | 0 Comentários


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22 de Setembro

O equinócio de Outono ocorre às 17:30 horas. Visto a partir da Terra, o Sol passa o equador celeste, que não é nada mais que a projecção do equador terrestre no céu. É o dia em que o comprimento do dia e da noite são iguais, ou seja 12 horas cada um.

in O Observatório



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hoje a lua nova deixa as últimas horas na penumbra. amanhã, é a vez do Outono. pela primeira vez, espero sem pesar. antecipo-me. como uma romã perfumada, vinda da Grécia. todo o regresso tem um revés.


posted by saturnine | 23:19 | 0 Comentários


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soon the equinox #2


tão próxima a terra
o rumor subterrâneo
sob os meus pés estalam já folhas caídas


entretanto o corpo
no chão de cinzas
— preparo-me para as noites longas


posted by saturnine | 22:58 | 0 Comentários


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respiração das sombras


nem as fontes nem o mar:
no meio do deserto
sentiria falta das árvores.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2004




Da lentidão



Raymond Depardon


a lentidão é própria dos espaços vastos. a proximidade do silêncio é nítida inclusive na precariedade das palavras. o minimalismo corresponde ao alargamento da significância. less is more. e eu cada vez mais pequeno ponto preto.


___________________________
Raymond Depardon  @  pale blue dot.

posted by saturnine | 23:33 | 0 Comentários


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little black stone


pedra de peito fora do lugar
é quase o mesmo
ter o coração nas mãos

posted by saturnine | 01:48 | 0 Comentários


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domingo, 19 de setembro de 2004




penumbra


afinal era um sopro, uma breve agitação ciclónica, mas sobreveio a noite e o mundo está de volta ao seu lugar. no meu peito há uma barragem. deste lado das comportas, repõe-se o sossego possível.

posted by saturnine | 23:31 | 0 Comentários


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PQP


em última instância, isto é tudo postiço. a verdade é que mascaramos as palavras e não dizemos o mínimo possível. nem estou certa sequer que isto sirva para alguma coisa. este post é um pequeno motim. até as palavras são grades, pqp.

posted by saturnine | 13:46 | 0 Comentários


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soon the equinox


nenhuma antecipação
anterior a Setembro
que agora se esvai

e eu
desatenta do azul
moldo já o corpo à medida do outono.

posted by saturnine | 13:36 | 0 Comentários


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steps into miles
ou a vastidão por dentro #3



Egipto



no deserto, há-de imperar a lentidão. os passos hão-de ser demorados e leves, o silêncio supenso como uma lança. onde as vozes dos homens não chegam, a da terra faz-se ouvir. só não sei do alcance do medo nos quilómetros da paisagem imóvel.

posted by saturnine | 13:06 | 0 Comentários


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desolação


chateiam-me as coisas para fazer, as obrigações, as responsabilidades, os prazos para cumprir, o trabalho para entregar, a pressão para se fazer mesmo o que se gosta, o chegar a casa e sentir angústia pela preguiça, porque o tempo, afinal, nunca é nosso. chateia-me tudo isso como se eu não fosse deste mundo e estivesse destinada a viver à sombra das árvores. também a mim a terra me chama, para estar mais próxima do silêncio. é inequivocamente mais urgente o chamamento do deserto. um dia parto e não volto mais. perder-me-ei por vontade, e serei de certeza mais feliz, com a boa seca pelo pó e as pálpebras feridas pela luz. poderá um homem viver de água e de sol?



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agora percebo como o próprio ar se torna grades:


Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam


Sophia de Mello Breyner Andresen

posted by saturnine | 01:55 | 0 Comentários


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sábado, 18 de setembro de 2004




steps into miles
ou a vastidão por dentro #2



Raymond Depardon
Désert, un homme sans l'occident




when the evening sun is sinking
down behing the trees
and the moon is slowly rising
won't you sometimes think of me


Evan Dando
Won't you sometimes think of me

posted by saturnine | 19:19 | 0 Comentários


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steps into miles
ou a vastidão por dentro




'dreamers will dream
where the two oceans meet' *








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* Jaybird | Wiskey Biscuit
& the Sahara desert.

posted by saturnine | 18:08 | 0 Comentários


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sexta-feira, 17 de setembro de 2004




how could anybody possibly know how I feel *


se eu fosse viver definitivamente para a lua, o que levava era uma semente de plátano e uma frase para gravar numa tabuleta.


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* Morrissey

posted by saturnine | 01:09 | 0 Comentários


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quinta-feira, 16 de setembro de 2004




inflexão


o que vale é que há sons que valem vidas inteiras, e possibilidades que sustentam os sonhos desfeitos.

posted by saturnine | 22:36 | 0 Comentários


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limbo

o que custa não é a falta, nem tão pouco a inviabilidade do preenchimento - alguns homens acreditam que o seu peito é uma ânfora -, é a devastação. a inexorabilidade da devastação. a impossibilidade de reparação. não é o que dói, não é o querer voltar atrás, não é o preferir o passado ao momento destruído. é o não poder desfazer os equívocos, tão só o limbo de não querer nem desejar o que nos falta.

posted by saturnine | 22:20 | 0 Comentários


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Bee girl that's me

Bee girl, you're gonna die.
You don't wanna be famous, you wanna be shy.
Do your dances alone in your room.
Becoming a star will become your doom.
Bee Girl, be a girl.

You know time is long, and life is short.
Begin to live while you still can.
Believe in nothing, believe me,
Those who can be trusted can change their mind.
When the anxious is the present, unwrap your gifts, take your time.
Everything you imagine needn't be stuck in your mind.
Bee Girl, be a girl...



Pearl Jam | Bee Girl


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havia de acontecer um dia, uma música só para mim.

posted by saturnine | 21:49 | 0 Comentários


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font>


people ain't no good



It ain't that in their hearts they're bad
They can comfort you, some even try
They nurse you when you're ill of health
They bury you when you go and die
It ain't that in their hearts they're bad
They'd stick by you if they could
But that's just bullshit
People just ain't no good



Nick Cave


posted by saturnine | 01:21 | 0 Comentários


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something wicked this way comes


sentimos sempre quando algo se desagrega. sabemos sempre quando o deserto chama. há horas piores do que outras. mas suportamos. de peito fechado, sob as pálpebras da noite em chamas. há homens que têm Sísifo dentro de si, empurrando montanha acima uma pedra que nunca chegará ao seu destino.

posted by saturnine | 01:07 | 0 Comentários


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quarta-feira, 15 de setembro de 2004




inflamação


não é que as noites não sejam longas e que as horas não sejam frias, mas há-de haver algo preferível às ruínas, e há-de haver qualquer outra coisa para além do silêncio que arde.

posted by saturnine | 23:38 | 0 Comentários


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a vastidão por dentro


convergem no gume da noite
a lentidão
e o silêncio do deserto.

posted by saturnine | 21:47 | 0 Comentários


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(da instantânea identificação)


o que mais me agrada no silêncio é que não é necessária nenhuma palavra que o explique.

posted by saturnine | 01:45 | 0 Comentários


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terça-feira, 14 de setembro de 2004




esta impossibilidade que me dói
ou a voz suspensa no silêncio






Looking out the door i see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations as their shoes fill up with water
And maybe i'm too young to keep good love from going wrong
But tonight you're on my mind so you never know

When i'm broken down and hungry for your love with no way to feed it
Where are you tonight, child you know how much i need it
Too young to hold on and too old to just break free and run


Sometimes a man gets carried away, when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that really, he has no-one

So i'll wait for you... and i'll burn
Will I ever see your sweet return
Oh will I ever learn

Oh lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Lonely is the room, the bed is made, the open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep that will never come

It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over, all my riches for her smiles when i slept so soft against her
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter
It's never over, she's the tear that hangs inside my soul forever

Well maybe i'm just too young
To keep good love from going wrong

Oh... lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Well I feel too young to hold on
And i'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind to see the damage i've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love well i'm waiting for you

Lover, you should've come over
'Cause it's not too late




Jeff Buckley
Lover, you should've come over


posted by saturnine | 21:59 | 0 Comentários


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segunda-feira, 13 de setembro de 2004




(silêncio)


no regresso da viagem trouxe duas coisas que só o silêncio designa:






desolação magnífica.
a vastidão por dentro.







(e a violência da música, por vezes, compelindo a grandes embates contra a face mais negra das noites longas.)

posted by saturnine | 21:37 | 0 Comentários


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(?)


eu olho. mas és tu que vejo?

posted by saturnine | 21:30 | 0 Comentários


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I let the beast in too soon
I don't know how to live
Without my hand on his throat
*


para olhar o mundo do ponto de vista dos demónios, não esquecer que a memória do abismo há-de ser feita de olhares ferozes e de grilhões. e não, velho amigo, hoje não te sentas à mesa comigo.



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* Fiona Apple

posted by saturnine | 21:20 | 0 Comentários


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quinta-feira, 9 de setembro de 2004




CUTS YOU UP *



* You know the way it throws about.
It takes you in and spits you out
It spits you out when you desire
To conquer it, to feel you're higher
To follow it you must be clean,
With mistakes that you do mean
Move the heart, switch the pace
Look for what seems out of place



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é claro que isto foi um choque. o meu pobre coração ainda se encontra abalado. vem aí novo álbum. Unshattered. há quanto tempo o esperava. só não compreendo ainda é porque insondáveis desígnios terei permitido o desleixo de não ter tido (ainda) conhecimento disto:


Peter Murphy | Dust

o meu coração continua abalado de emoção e perplexidade. prognóstico muito reservado.


posted by saturnine | 20:40 | 0 Comentários


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retalhos & recortes #16


«O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.»

Jean-Paul Sartre


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ouch.

(crash)


ouch.
ouch.
ouch.



(cuts you up)

posted by saturnine | 20:33 | 0 Comentários


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reconhecimento


a todo o momento espero
novo desastre
ou um qualquer improvável que me salve.

posted by saturnine | 20:24 | 0 Comentários


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posterior


compreendo também
que me é insuportável esta hora
é tudo excessivo
mesmo a penumbra
animada de incertezas que abomino.

posted by saturnine | 20:16 | 0 Comentários


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inflamação

compreendes
que não há mais nada
só os destroços e a distância.

posted by saturnine | 20:06 | 0 Comentários


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o ponto de vista dos demónios #18


But nobody wants to hear this tale
The plot is clichéd, the jokes are stale
And baby we've all heard it all before
Oh i could get specific but
Nobody needs a catalog
With details of love I can't sell anymore



Aimee Mann | Invisible Ink





há momentos em que pouco mais resta que o respirar mudo das paredes e a música a embater nos cantos escuros. a casa está mergulhada numa espécie de caos ordenado - como um motim controlado. as memórias, contidas e violentas, transpiram através dos sons. é isto, é apenas isto que há, o outono cada vez mais próximo e as noites cada vez mais longas, e cada vez mais espaço negro, entre os escombros, dispostos ao acaso. todos os anos a mesma história. as folhas caem e eu preferia um lugar mais próximo da terra, mais próximo das raízes das árvores. algo me diz que não é esta a minha vida, que algo em mim está fora da ordem. só a música. só a música e os impensáveis cigarros, e nenhuma protecção contra a noite.



posted by saturnine | 19:36 | 0 Comentários


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contemplar o mundo inteiro num grão de areia *

não há outro lugar no mundo assim. não sabia que era possível que existisse tanto azul e tanto verde, tanto sal para cauterizar as feridas, e tanto mar para naufragar as lágrimas. são as pessoas, os rostos das pessoas, e as pedras, e o sol sobre as pedras, e o rum e a música a cobrir a noite. soubesse eu que no regresso o amor estaria condenado à morte, e nunca teria voltado.


* William Blake

posted by saturnine | 19:21 | 0 Comentários


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terça-feira, 7 de setembro de 2004




7 steps towards the labyrinth



fas as you can | fiona apple     (when the pawn...)
distractions | zero 7     (simple things)
cuts you up | peter muprhy     (deep)
pallas athena | david bowie      (black tie white noise)
dark angel | laurie anderson      (life on a string)
fruit tree | nick drake (*)
resolve | beth gibbons & rustin man      (out of season)
daybreak | lisa ekdahl      (heaven, earth and beyond)
my ship | cassandra wilson      (rendez-vous)
bem devagar | caetano veloso      (prenda minha)
into the night | julee cruise (twin peaks o.s.t.)
our secret garden | peter murphy      (holy smoke)
do not go quietly unto your grave | morphine      (good)
people are strange | the doors      (strange days)
pink room | (twin peaks o.s.t.)
silent hedges | bauhaus      (crackle)
bonfire | lamb      (fear of fours)
lover, you should've come over | jeff buckley      (grace)
brockwell park | red house painters      (ocean beach)
the end of words | dead an dance      (aion)



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compilation of number 7 tracks
by little black spot.


* A Troubled Cure for a Troubled Mind,
compilação exclusiva.

posted by saturnine | 21:39 | 0 Comentários


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11 words to keep the night from demons




falling | twin peaks theme (twin peaks O.S.T.)
it's not | aimee mann (lost in space)
cascade | peter murphy (cascade)
fotografia | morelenbaum / sakamoto (a day in new york)
sozinho | caetano veloso (prenda minha)
o leãozinho | caetano veloso (minha história)
ghost song | the doors (greatest hits)
no jive | de-phazz (detunized gravity)
the mercy seat | nick cave (the best of)
make it easier on yourself | the divine comedy (a short album about love)
devil in the business class | emir kusturica & the no smoking orchestra (unza unza time)
the voyeur of utter destruction (as beauty) | david bowie (outside)
theme de yoyo | the cinematic orchestra (man with a movie camera)
the richest man in babylon | thievery corporation (the richest man in babylon)
return of innocence lost | ursula rucker (silver or lead)
crawling by numbers | lali puna (faking the books)
life in a glasshouse | radiohead (amnesiac)
the land between the solar systems | múm (finally we are no one)



_________________________________
a compilation of number 11 tracks
by little black spot.

posted by saturnine | 01:46 | 0 Comentários


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segunda-feira, 6 de setembro de 2004




sms
o vinco das horas imrpováveis sobre o corpo



Todas as coisas
aterradoras não
são mais, talvez,
do que coisas
indefesas que
esperam que as
socorramos.


Rilke

posted by saturnine | 20:18 | 0 Comentários


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*\bad days/*







posted by saturnine | 20:08 | 0 Comentários


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domingo, 5 de setembro de 2004




retalhos & recortes: segunda edição especial



Um dia hei-de temer o abandono,
a sede, a noite, a sombra, o esquecimento.




(Doer-me o ires embora é estar doente.)



Por isso não te peço a eternidade,
contratos, cumprimento de promessas.
Eu quero é que me ames de verdade
e que, não sendo assim, desapareças.


Um dia talvez tema o abandono.
Agora penso nisso e dá-me sono.




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poema de jcb | um pouco mais de sul


posted by saturnine | 15:38 | 0 Comentários


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mirror mirror on the wall
which's the cruellest month of them all?


é possível que estejam errados Ana Teresa Pereira e T.S. Eliot: é Setembro o mês mais doce, e o mês mais cruel. o chão, mortificado pela tristeza das primeiras chuvas, exala o cheiro da terra, e a terra respira no cheiro das uvas. os pés descalços reconhecem a substância fértil do solo renovado. Setembro é um mês de cinzas e de abismos, de regressos e despedidas, não há como escapar à certeza de que em Setembro a vida começa e acaba. os dias, lavados de um azul ainda resistente, cumprem-se rente à tranquilidade das árvores. só no assombro do silêncio se insinua o medo. Perséfone desce aos subterrâneos e garante que a morte ocupa o seu lugar nas sombras negras que as horas curtas espalham pelos caminhos.

mas não. não é ainda Outono.



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posted by saturnine | 15:24 | 0 Comentários


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Winter's here



And there ain't nothing gonna change
The winds are blowing telling me all I hear
Oh it's a funny time of year


Beth Gibbons | Out of season

posted by saturnine | 13:46 | 0 Comentários


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sexta-feira, 3 de setembro de 2004




i'm no fucking budhist but this is enlightenment




What do you want of me
What do you long from me

A slim Pixie, thin and forlorn
A count, white and drawn
What do you make of me
What can you take from me
Pallid landscapes off my frown
Let me rip you up and down

For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations

Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through


You worthless bitch
You fickle shit
You would spit on me
You would make me spit
And when the Judas hour arrives
And like the Jesus Jews you epitomize
I'll still be here as strong as you
And I'll walk away in spite of you


And I'll walk away
Walk away



Bauhaus | Crowds



(this has got to be fucking satori *.)


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* zen hopes to promote such an intuitive understanding in preference to attempts being made towards an intellectual understanding - it holds that if a question is innately felt in the right way then the answer will arise, innately, in response. zen Buddhism refers to such innate enlightenment as satori.

posted by saturnine | 01:40 | 0 Comentários


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quinta-feira, 2 de setembro de 2004




Emotional Landscapes (they puzzle me)





I'm a tree that grows hearts
One for each that you take
You're the intruder hand
I'm the branch that you break



Björk
Bachelorette







Etiquetas: ,


posted by saturnine | 23:55 | 0 Comentários


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Inútil Paisagem:

eu deixo a terra de casaco aberto e quando for outono há-de ser primeiro no meu peito vazio. (ale)




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mas para que saibas: é das feridas lentas que se alimentam os demónios. mais fácil é rasgar de um só golpe o tecido inflamado da memória.


posted by saturnine | 23:42 | 0 Comentários


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Amidst the green



Time has told me you're a rare, rare find. A troubled cure for a troubled mind.
And time has told me not to ask for more for someday our ocean will find its shore.


So I’ll leave the ways that are making me be what I really don't want to be.
Leave the ways that are making me love what I really don't want to love.


Time has told me you came with the dawn, a soul with no footprint, a rose with no thorn.
Your tears they tell me there's really no way of ending your troubles with things you can say.
And time will tell you to stay by my side, to keep on trying till there's no more to hide.

So leave the ways that are making you be what you really don't want to be.
Leave the ways that are making you love what you really don't want to love.



Time has told me you're a rare, rare find. A troubled cure for a troubled mind.
And time has told me not to ask for more for someday our ocean will find its shore.



Nick Drake
Time Has Told Me


posted by saturnine | 00:11 | 0 Comentários


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Green Man






The ashes are clashing their boughs like sword-dancers,
Their black buds are tracing wild faces in the clouds;
'I come with the wind', says the Green Man,
'I come with the wind', says he.


(...)


Green Man becomes grown man in flames of the oak
As its crown forms and its leafage his features;
'I speak through the oak', says the Green Man,
'I speak through the oak', says he.


(...)


The bark of the elder makes whistles for children
To call to the deer as they rove over the snow;
'I am born in the dark', says the Green Man,
'I am born in the dark', says he.







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Green Man: The archetype of our oneness with the Earth
William Anderson & Clive Hicks

sugestão daqui.


posted by saturnine | 00:03 | 0 Comentários


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quarta-feira, 1 de setembro de 2004




People look up. The trees throw shade.



Está a chegar o tempo das árvores. Da nudez desconcertante, do alimento devolvido à terra, das primeiras insinuações de morte. Rente à chuva e às folhas, o verde dissipa-se. Por enquanto, olhemos para cima. Enquanto das árvores ainda brotam sombras.


posted by saturnine | 23:39 | 0 Comentários


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o ponto de vista dos demónios #17

afinal era tão simples: não é que te quisesse. apenas queria ainda menos o desterro que seria perder-te.

posted by saturnine | 22:45 | 0 Comentários


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


*

calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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