quarta-feira, 27 de maio de 2009



do inesgotável voyeurismo da leitura


uma vez disse que uma das coisas que mais gostava era de ir à Madeira e encontrar Ana Teresa Pereira, para lhe poder falar e perceber de que lugar subterrâneo, profundo, emergem os seus livros. logo de seguida disse que não, que não queria quebrar a bolha do encanto, do mistério, que é a opção de recolhimento da autora. não querer, tanto quanto se quer, desvender os segredos das inúmeras alegorias que povoam os livros. o grande problema é que, à medida que as histórias se sucedem e interligam, se vai acrescentando mais uma peça no puzzle. não se trata tanto de distinguir o real da ficção (até porque há aquela velha questão de a vida imitar a arte), mas de perceber que se é mesmo feito da matéria dos livros, das histórias, das memórias. Gabriel Byrne é um actor de carne e osso, e pode ser o rosto do personagem que Ana Teresa Pereira reinventa há mais de 15 anos. lembro-me dele como Satanás em "The End of Days". faz todo o sentido. para encarnar um anjo caído, um homem que é um deus e um demónio, um monstro do princípio dos tempos, só poderia ser um homem assim, com um rosto antigo, endurecido, marcado, com algo de obscuro. a vida é um labirinto, e todo o nosso tempo deveria ser dedicado a conhecê-lo. o trabalho arruina a melhor substância de tudo.





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posted by saturnine | 14:07 | 2 Comentários


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a febre, a enfermidade e a cura


tive a primeira febre literária de relevância durante a adolescência, com Milan Kundera, o grande plagiador de si mesmo com quem descobri que se pode enfrentar a desordem do mundo e o desconcerto das relações humanas caminhando na rua segurando um miosótis à altura dos olhos.

ao entrar na primeira idade aulta, uma segunda febre literária com Marguerite Duras, a escritora amaldioçoada que dizia que escrever não nos salva de nada, em quem reconheci um traço comum: descobrir que, por mérito das catástrofes que se abatem sobre nós demasiado cedo, se envelhece muito cedo também, e muito depressa. eu acreditava que em poucos anos teria um rosto endurecido, de pedra, como o de uma estátua milenar. o que sublinha a fina ironia de ter, aos 30 anos, uma carinha de 20.

na idade balzaquiana, arrasta-se a mesma febre literária há vários anos: Ana Teresa Pereira, que comecei por amar e odiar, cujos livros sempre me apaixonaram tanto quanto me irritaram, mas que acima de tudo sempre me subjugaram e mantiveram sob um fascínio incontornável, com algo de místico, a que acresce a insondável necessidade de um retorno. acontece com a primavera. Abril, toda a gente deveria saber, é o mais cruel dos meses* (ora porque há pequenas mortes a carpir* ora porque é certo que dói o rebentar dos botões*). o mais tardar em Maio, é como um chamamento: começa o nervoso miudinho, a inquietação que impede de me concentrar nos outros livros, e já sei que tenho que - como quem cumpre um ritual - ir buscar os livros de Ana Teresa Pereira. com os anos, as histórias e a escrita tornaram-se mais refinadas, mais subtilmente intrincadas, tecendo entre si uma filigrana finíssima, como uma teia, em que não posso deixar de me enredar. aos poucos, o grande quadro vai-se alargando. as inúmeras referências são aos poucos iluminadas por uma luz mais generosa, tão mais generosa quanto o percurso da leitura através dos anos tenha sido mais fértil. os livros sucedem-se como marcos num labirinto, cada um conduzindo mais próximo de qualquer coisa, ainda que nunca de uma saída. de Ana Teresa Pereira a Tonino Guerro, a John Milton, a Truman Capote, a Henry James, a Iris Murdoch, a Shakespeare, sem esquecer a música, até às Variações Goldberg tocadas por Glenn Gould, que poderia ser o disco da vida de muita gente (e se calhar é mesmo). tudo passa a fazer mais sentido, e por isso desculpo-lhe os clichés e os livros menos bons. neste momento compreendo que a leitura e releitura de Ana Teresa Pereira tem sido parte integrante (e necessária) de um processo de construção de identidade - para não dizer, de crescimento. eu, habitualmente, quanto mais leio, mais escrevo. mas tenho dado por mim a descobrir outra coisa: quanto mais leio, menos escrevo. dou por mim confusa entre a matéria das histórias. às vezes acredito que não posso aspirar a escrever nada, porque sou uma personagem à espera de um escritor.





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posted by saturnine | 13:25 | 2 Comentários


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Abril é o mais cruel dos meses



Lilás, Syringa vulgaris


APRIL is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain
.
Winter kept us warm, covering
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
And went on in sunlight, into the Hofgarten,
And drank coffee, and talked for an hour.
Bin gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke's,
My cousin's, he took me out on a sled,
And I was frightened. He said, Marie,
Marie, hold on tight. And down we went.
In the mountains, there you feel free.
I read, much of the night, and go south in the winter.

What are the roots that clutch, what branches grow
Out of this stony rubbish? Son of man,
You cannot say, or guess, for you know only
A heap of broken images, where the sun beats,
And the dead tree gives no shelter, the cricket no relief,
And the dry stone no sound of water. Only
There is shadow under this red rock,
(Come in under the shadow of this red rock),
And I will show you something different from either
Your shadow at morning striding behind you
Or your shadow at evening rising to meet you;
I will show you fear in a handful of dust.
(...)

T.S. Eliot | The Burial of the Dead
The Waste Land






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posted by saturnine | 12:55 | 1 Comentários


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domingo, 24 de maio de 2009



seguir o fio à meada


descobri a existência de um certo e determinado Hector Abad Faciolince a propósito da recente publicação da Quetzal, "Somos o esquecimento que seremos". investigando, descobri duas traduções antigas, da Presença, de outros dois títulos: "Receitas de amor para mulheres tristes" e "Fragmentos de amor furtivo". no meu cérebro deu-se de imediato um sonoro ding-ding-ding-ding-ding-ding-ding-ding! a familiaridade sempre à espreita. comecei por arrebatar (deixar-me arrebatar?) o primeiro. para confirmar aquilo que se sabe quase sempre: a língua portuguesa é mais bonita de todas - cof cof cof - mas na hora da verdade é a espanhola que se demora pela boca como uma substância doce e viscosa como o mel, fluindo com uma musicalidade que não fica nada a dever à substância poética. o título original é bastante mais bonito: "Tratado de culinaria para mujeres tristes". lá chegaremos. por agora, sublinha-se a confirmação da familiaridade. Estas citações têm duas ou três ou dez dedicatórias:



«Dás reviraoltas ao corpo e à imaginação para afastar a tristeza. Mas quem te disse que é proibido estar triste? A verdade é que, muitas vezes, não há nada mais sensato do que estar triste; todos os dias acontecem coisas, aos outros e a nós, que não têm remédio, ou melhor, que têm esse antigo e único remédio de nos sentirmos tristes.
Não deixes que te receitem alegria, como quem prescreve uma temporada de antibióticos ou colheres de água do mar em estômago vazio. Se deixares que tratem a tua tristeza como se fosse uma perversão ou, na melhor das hipóteses, uma doença, estás perdida: além de triste, irás sentir-te culpada. E tu não tens culpa de estar triste. Não é normal que sintas dor quando te cortas? Não arde a pele se te dão uma chicotada?
Pois, do mesmo modo, o mundo, a vaga sucessão dos factos que acontecem (ou dos que não acontecem) criam um fundo de melancolia. Já o dizia o poeta Leopardi: "Tal como o ar enche os espaços entre os objectos, assim a melancolia enche os intervalos entre um prazer e outro."
Vive a tua tristeza, tacteia-a, desfolha-a aos teus olhos, molha-a com lágrimas, envolve-a em gritos ou em silêncio, copia-a em cadernos, anota-a no teu corpo, anota-a nos poros da tua pele. Pois só se não te defenderes fugirá, por momentos, para outro lugar que não o centro da tua íntima dor. (...)»


Hector Abad Faciolince, Receitas de amor para mulheres tristes





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posted by saturnine | 20:39 | 3 Comentários


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domingo, 17 de maio de 2009



planos para dominar o mundo #7


o personagem principal de Uma Solidão Demasiado Ruidosa vive atormentado pelo peso de duas toneladas de livros suspensos sobre a sua cabeça, ameaçando diariamente a sua derrocada iminente, numa adivinhada queda em avalanche do baldaquim suspenso sobre a sua cama. o mesmo pesonagem também acredita que somos com as azeitonas: só sendo esmagados damos o melhor de nós.
pelo sim, pelo não, este bicho prefere escalar a escavar - os livros que pesem antes sobre o chão, erguendo-se em escada, até erigir uma torre altíssima, de onde seja possível abarcar com a vista o mundo inteiro. estes degraus revelados têm tanto de exibicionista como de fúria obsessiva organizadora. é que um bicho não sabe o que há-de fazer à vida. os planos para dominar o mundo ainda vão levar-me à pobreza:




"Rayuela", Júlio Cortázar [Cátedra Letras Hispanicas]

"Estrela Distante", Roberto Bolaño [Teorema]

"Estudos Sobre o Amor", Ortega y Gasset [Relógio d' Água] ♠

"Escuta, Zé Ninguém!", Wilhelm Reich [BIS: Leya]

"Manifesto Contra o Trabalho", Grupo Krisis [Antígona]

"Aviso aos Alunos do Básico e do Secundário", Raoul Vaneigem [Antígona]

"A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia", Selma Lagerlöf [Relógio d' Água]

"Moby Dick", Herman Melville [Relógio d' Água]

"Rumo ao Farol", Virginia Woolf [Relógio d' Água]

"O Diabo e Outros Contos", Lev Tolstoi [Relógio d' Água]

"O Feiticeiro de Oz", Frank L. Baum [Relógio d' Água]

"A Harpa de Ervas", Truman Capote [Relógio d' Água]

"A Volta no Parafuso", Henry James [Relógio d' Água]

"Dicionário Infernal", Collin de Plancy [Cavalo de Ferro]

"Manuscrito Encontrado em Saragoça (vols. 1 e 2)", Jan Potocki [Cavalo de Ferro]

"Coração Duplo (vols. 1 e 2)", Marcel Schwob [Cavalo de Ferro]

"Assombrações", Vernon Lee [Cavalo de Ferro]

"Corbaccio", Giovanni Boccaccio [Cavalo de Ferro]

"Dos Cornudos: suas espécies e tipos", Charles Fourier [Cavalo de Ferro] ♠

"O Galo de Ouro e outros textos dispersos", Juan Rulfo [Cavalo de Ferro]

"Contos da Selva", Horácio Quiroga [Cavalo de Ferro]

"Contos de Amor, Loucura e Morte", Horácio Quiroga [Cavalo de Ferro]

"Amores Feiticeiros", Tahar Ben Jelloun [Cavalo de Ferro]

"Trold: Contos do Extremo Norte vol. 2", Jonas Lie [Cavalo de Ferro]

"Aventura na Ilha", Enid Blyton [Relógio d' Água]

"A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça", Washington Irving [Tinta da China]

"O Vento nos Salgueiros", Kenneth Grahame [Tinta da China]

"A Serpente", Stig Dagerman [Antígona]

"A Quinta dos Animais", George Orwell [Antígona]

"Os Homens Esquecidos de Deus", Albert Cossery [Antígona]

"Mendigos e Altivos", Albert Cossery [Antígona] ♠

"Mandriõs no Vale Fértil", Albert Cossery [Antígona] ♠

"A Casa da Morte Certa", Albert Cossery [Antígona]

"As Cores da Infâmia", Albert Cossery [Antígona]

"A Violência e o Escárnio", Albert Cossery [Antígona]

"Conversas com Albert Cossery", Michel Mitrani [Antígona]

"Mocidade", Joseph Conrad [Gato Maltês: Assírio & Alvim]

"Livro dos Seres Imaginários", Jorge Luís Borges [Teorema]

"Livro do Céu e do Inferno", Jorge Luís Borges e Adolfo Byoy Casares [Teorema]

"Crimes Exemplares" [edição ilustrada], Max Aub [Antígona] ♠

"O Canto Nómada", Bruce Chatwin [Quetzal]

"A Anatomia da Errância", Bruce Chatwin [Quetzal] ♠

"Na Patagónia", Bruce Chatwin [Quetzal]

"Uma Solidão Demasiado Ruidosa", Bohumit Hrabal [Afrontamento] ♠

"O Festim da Aranha", VA [Beltenebros: Assírio e Alvim]

"A Casa das Belas Adormecidas", Yasunari Kawabata [Assírio e Alvim]

"Henry e Cato", Iris Murdoch [Cotovia]

"Frankie e o Casamento", Carson McCullers [Cotovia]

"The Bloody Chambers", Angela Carter [Vintage]

"A Capote Reader", Truman Capote [Penguin Modern Classics]

"Negotiating With The Dead: A Writer on Writing", Margaret Atwood [Virago Press]

"Wide Sargasso Sea", Jean Rhys [Penguin Modern Classics]

"The Portable Edith Wharton", Edith Wharton [Penguin Modern Classics]

"Generation X", Douglas Coupland [Abacus] ♠

"Sad Cypress", Agatha Christie [Harper Collins]

"The House of Mirth", Edith Wharton [Wordsworth Classics]

"Tha Man Who Was Thursday", G.K. Chesterton [Penguin Red Classics]

"Great Horror Stories", VA [Bounty]

"Great Ghost Stories", VA [Bounty]

"Lolita", Vladimir Nabokov [Penguin Classics]

"Le dernier Jour Dans la Vie d'un Condamné", Victor Hugo [Relógio d' Água]

"Daisy Miller", Henry James [Penguin Popular Classics]

"Jane Eyre", Charlotte Brontë [Gramercy Classics]

"The Sea-Wolf", Jack London [Dover]

"Confessions of an Opium Eater", Thomas De Quincey [Dover]

"História Primeiro Feliz, de Depois Dolorosa e Funesta", Pietro Citati [Cotovia]

"Chapéus para Alice", Juan Ríos [Teorema]

"O Bosque da Noite", Djuna Barnes [Relógio d' Água]

"A Comédia do Diabo", Balzac [Teorema]

"O Terror", Arthur Machen [Vega]

"Travessia de Verão", Truman Capote [D. Quixote]

"Ilhas na Corrente", Ernest Hemingway [Livros do Brasil]

"A Tempestade", Shakespeare [Campo das Letras]

"Verdade e Política", Hannah Arendt [Relógio d' Água]

"O Monstro", Stephen Crane [Antígona]

"O Vento e Outros Contos", Eudora Welty [Antígona]

"As Cariátides", Karen Blixen [Relógio d' Água]

"A Noite da Iguana e Outras Histórias", Tenessee Williams [Assírio e Alvim]

"Verão", Edith Wharton [Relógio d' Água]

"História Universal da Infâmia", Jorge Luís Borges [BIS: Leya]

"Pequenas Grandes Infâmias", Panos Karnezis [Cavalo de Ferro]

"O Olho de Apolo", G.K. Chesterton [Biblioteca de Babel: Presença]

"Histórias de Cronópios e de Famas", Júlio Cortázar [Estampa]

"Peregrinação (2 vols.)", Fernão Mendes Pintos [Relógio d' Água]

"Histórias Policiais", Ana Teresa Pereira [Relógio d' Água]

"O Rosto de Deus", Ana Teresa Pereira [Relógio d' Água] ♠

"Se eu Morrer Antes de Acordar", Ana Teresa Pereira [Relógio d' Água]

"O Verão Selvagem dos Teus Olhos", Ana Teresa Pereira [Relógio d' Água]

"O Fim de Lizzie", Ana Teresa Pereira [Bilioteca dos Editores Independentes] ♠

"A Neve", Ana Teresa Pereira [Relógio d' Água] ♠

"A Casa dos Penhascos", Ana Teresa Pereira [Caminho] ♠

"A Casa da Areia", Ana Teresa Pereira [Caminho] ♠

"A Casa dos Pássaros", Ana Teresa Pereira [Caminho] ♠

"A Casa do Nevoeiro", Ana Teresa Pereira [Caminho] ♠

"Num Lugar Solitário", Ana Teresa Pereira [Caminho]

"Matar a Imagem", Ana Teresa Pereira [Caminho] ♠

"Casa na Duna", Carlos de Oliveira [Assírio e Alvim]

"Finisterra", Carlos de Oliveira [Assírio e Alvim]

"Depoimentos Escritos", Mário Henrique Leiria [Estampa]

"Pacheco Vs. Cesariny", Luiz Pacheco [Estampa]

"A Viagem do Elefante" [edição especial numerada e autografada], José Saramago [Caminho]

"Cultura: tudo o que é preciso saber", Dietrich Scwaritz [D. Quixote]

"O Silêncio dos Livros", George Steiner [Gradiva] ♠

"A Conquista da Felicidade", Bertrand Russell [Guimarães] ♠

"O Banquete", Kierkegaard [Guimarães]

"Viva o Ano 1000!", Jacques Le Goff e Outros [Teorema]

"O Rapaz Que Chutava Porcos", Tom Baker [Teorema]

"A Odisseia de Penélope", Margaret Atwood [Teorema]

"A Chama Dupla", Octavio Paz [Assírio e Alvim]

"El Laberinto de la Soledad", Octavio Paz [Cátedra Letras Hispanicas]

"Sob Um Falso Nome", Cristina Campo [Assírio e Alvim]

"A Metáfora do Coração e Outros Escritos", Maria Zambráno [Assírio e Alvim]

"O Labirinto do Medo: Ana Teresa Pereira", Rui Magalhães [Angelus Novus]

"A Potência de Existir", Michel Onfray [Campo da Comunicação] ♠

"Teoria da Viagem", Michel Onfray [Quetzal] ♠

"A Batalha das Termópilas", Heródoto [Babel]

"O Povo do Abismo", Jack London [Antígona]

"Poesia", Álvaro de Campos [Assírio & Alvim]

"A Faca Não Corta o Fogo", Herberto Helder [Assírio & Alvim]

"8 Ícones", Arsenii Tarkovski [Assírio & Alvim]

"A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock", T.S. Eliot [Assírio & Alvim]






- one down, hundreds to go







primeiro tomo:

"Bartleby/ A Escrita da Potência", Herman Melville/ Giorgio Agamben [Assírio & Alvim]
"O Pátio Maldito", Ivo Andric [Cavalo de Ferro]
"God explained in a taxi ride", Paul Arden [Penguin]
"Crónica de uma serva", Margaret Atwood [Europa-América]
"O Inominável", Samuel Beckett [Assírio & Alvim]
"Derrubar Árvores: Uma Irritação", Thomas Bernhard [Assírio & Alvim]
"A sul de nenhum norte", Charles Bukowski [Relógio d'Água]
"O deserto dos tártaros", Dino Buzzati [Cavalo de Ferro]
"O avesso e o direito", Albert Camus [Livros do Brasil]
"A morte feliz", Albert Camus [Livros do Brasil]
"O primeiro homem", Albert Camus [Livros do Brasil]
"Alice nos País das Maravilhas/ Alice do Outro Lado do Espelho" (ilustrações originais), Lewis Carroll [Relógio d'Água]
"A Caça ao Snark", Lewis Carroll / ilustrações de Henry Holiday [Assírio & Alvim]
"O Grande Fedor", Clare Clark [Paralelo 40º]
"Histórias Inquietas", Joseph Conrad [Assírio & Alvim]
"The Virago Book of Ghost Stories", edited by Richard Dalby [Virago]
"Teatro Completo", Ésquilo [Estampa]
"O homem e o rio", William Faulkner [Europa-América]
"As dioptrias de Elisa", António Gancho [Assírio & Alvim]
"Contos de S. Petersburgo", Nikolai Gógol [Biblioteca Independente/Assírio & Alvim]
"Grimm's Fairy Tales", Brothers Grimm [Vintage]
"Hipérion ou O Eremita da Grécia", Friedrich Hölderlin [Assírio & Alvim]
"Terra de Neve", Yasunari Kawabata [Dom Quixote]
"Debaixo do Vulcão", Malcolm Lowry [Relógio d'Água]
"Através do Canal do Panamá", Malcolm Lowry [Relógio d'Água]
"As velas ardem até ao fim", Sandor Márai [Dom Quixote]
"The cat who came in from the cold", Joeffrey Moussaieff Masson [Ballantine Books]
"A Estrada", Cormac McCarthy [Relógio d'Água]
"O Guarda do Pomar", Cormac McCarthy [Relógio d'Água]
"No Country for Old Men", Cormac McCarthy [Picador]
"A Balada do Café Triste", Carson McCullers [Relógio d'Água]
"Coração, Solitário Caçador", Carson McCullers [Europa-América]
"Aulas de Literatura", Vladimir Nabokov [Relógio d'Água]
"Convite para uma decapitação", Vladimir Nabokov [Assírio & Alvim]
"Por que escrevo e outros ensaios", George Orwell [Antígona]
"Quando atravessares o rio", Ana Teresa Pereira [Relógio d'Água]
"A coisa que eu sou", Ana Teresa Pereira [Relógio d'Água]
"The Complete Illustrated Works", Edgar Allan Poe [Chancellor Press]
"Uncle Montague's Tales of Terror", Chris Priestley [Bloomsbury Publishing]
"Pantagruel", François Rabelais / ilustrações de Gustave Doré [Frenesi]
"Antígona", Sófocles [Gulbenkian]
"O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde", Robert Louis Stevenson [Assírio & Alvim]
"Walden (ou a Vida nos Bosques)", Henry David Thoreau [Relógio d'Água]
"A morte de Ivan Ilitch", Leo Tólstoi [Booket]
"Pais e Filhos", Turgueniev [Relógio d'Água]
"O Arranca-Corações", Boris Vian [Estampa]
"A festa de Mrs. Dalloway", Virginia Woolf [Relógio d'Água]
"O combate com o demónio", Stefan Zweig [Antígona]
"Carta sobre a felicidade/ Da vida feliz", Epicuro/ Séneca [Biblioteca Independente/ Assírio & Alvim]
"O Caso Mental Português/ A Loucura Universal", Fernando Pessoa/ Raul Leal [Padrões Culturais]
"Só o sangue cheira a sangue", Ana Akhmátova [Assírio & Alvim]
"O meu coração é árabe", Adalberto Alves [Assírio & Alvim]
"Poesia" (obra completa), Eugénio de Andrade [Fundação Eugénio de Andrade]
"Eating Fire: Selected Poetry", Margaret Atwood [Virago]
"Antologia", Manuel Bandeira [Relógio d'Água]
"Cantigas da inocência e da experiência" (ilustrações originais), William Blake [Antígona]
"A ferida aberta", Jorge Sousa Braga [Assírio & Alvim]
"Pétalas negras ardem nos teus olhos", Luís Falcão [Assírio & Alvim]
"Uma Faca nos Dentes", António José Forte
"Um mover de mão", Vasco Gato [Assírio & Alvim]
"Os Animais Antigos", João Habitualmente [Objecto Cardíaco]
"A Neo-Penélope", Ana Hatherly [& etc]
"Cartas de aniversário", Ted Hughes [Relógio d'Água]
"Primeira neve", Issa Kobayashi [Assírio & Alvim]
"As Cantinas e Outros Poemas do Mar e do Álcool", Malcolm Lowry [Assírio & Alvim]
"A noite abre meus olhos", José Tolentino de Mendonça [Assírio & Alvim]
"Trabalho Poético", Carlos de Oliveira [Assírio & Alvim]
"Nada tão importante que não possa ser dito", José Alberto Oliveira [Assírio & Alvim]
"Tanto Fogo e Tanto Frio: O último sonho de Olímpio", Alberto Pimenta [& etc]
"A mão ao assinar este papel", Dylan Thomas [Assírio & Alvim]
"A noite, o que é?", Francisco José Viegas [Quasi]
"Walkmen", José Miguel Silva/ Manuel de Freitas [& etc]
"Amphigorey", Edward Gorey
"Amphigorey Again", Edward Gorey
"The Happless Child", Edward Gorey
"The Sobbing Thursday", Edward Gorey
"Donald Has a Difficulty", Edward Gorey
"The Twelve Terrors of Christmas", John Updike / illustrations by Edward Gorey
"Men and Gods: Myths and Legends of the Ancient Greeks", Rex Warner / illustrations by Edward Gorey
"Corto Maltese: La Ballade de la Mèr Salée" (edição especial comemorativa do 40º aniversário), Hugo Pratt [Casterman]
"Dante's Divine Comedy", Dante Alighieri / illustrations by Gustave Doré
"John Milton's Paradise Lost", John Milton / illustrations by Gustave Doré






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posted by saturnine | 20:47 | 6 Comentários


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planos para dominar o mundo #6


uma vez chegada à estação Albert Cossery, e encontrada a expressão literária máxima da mandriice, a máquina da revolta põe-se em marcha em progressão lenta, mas ininterrupta. a semente do protesto mina, no âmago de um indivíduo, a possibilidade de um espírito concordante. que é como quem diz, entra-se numa espécie de current mood em que só apetece reclamar, protestar, reivindicar. vá, é uma disposição um bocado socialista. ao Manifesto Contra o Trabalho acrescento mais dois para o rol de planos emergentes:

Aviso aos Alunos do Básico e Secundário | Raoul Vaneigem
Escuta, Zé Ninguém | Wilhelm Reich



contra os poderes instituídos, marchar marchar!





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posted by saturnine | 20:13 | 0 Comentários


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domingo, 10 de maio de 2009



diz que é uma espécie de current mood



My Neighbour Totoro, Hayao Miyazaki






descobri o filme da minha vida















e uma alma gémea...





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posted by saturnine | 10:18 | 7 Comentários


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terça-feira, 5 de maio de 2009



all work and no play...


é preciso levar muito a sério esta coisa dos malefícios do trabalho. eis-me finalmente chegada à estação Albert Cossery, para descobrir que num determinado vale fértil há um certo grupo de mandriões que suspeitam - horrorizados - que há por esse mundo fora - que despautério! - gente que trabalha. no Fahrenheit 451 tinham uma certa razão, a leitura é actividade extremamente perigosa. as sementes que planta no cérebro de um indivíduo, sabe-se lá por onde estenderão as suas raízes. crescem, crescem, testando os limites do corpo. até que ponto pode crescer, inflamar-se e alimentar-se um desejo de anarquia, sem que a pele ceda e a carne estale? como ser convictamente revolucionário, mantendo exteriormente a firme aparência de concordância com O Sistema? eu cá não sei. bem preferia era fugir de uma vez por todas para Pasárgada. enquanto isso, entretenho-me com o Manifesto Contra o Trabalho.








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posted by saturnine | 00:35 | 4 Comentários


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


*

calamity.spot[at]gmail.com



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little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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...it's full of stars...


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