terça-feira, 29 de janeiro de 2008



A noite, o que é?


é uma ronda poética por uma sucessão de lugares imprecisos, afectivos, residuais, um circuito vago, certamente não definitivo, não terminado, descrito por Francisco José Viegas. pequenos simples monumentais hinos à insónia. entramos a correr na noite escura porque vimos crescer, noite após noite, linha por linha, uma impressão, um sopro, uma hesitação brilhante, no Aviz, e celebramos a escrita na pedra.



«Ficamos com pouco, depois de um ano inteiro: poeira, o coração sempre no fim da tarde, insectos, colibris, o sabor da cerveja, não ter endereço. O coração no fim da tarde é uma imagem que transporto todos os dias. A poeira também. E alguns nomes novos: vagalume, sonambulismo, domingo de praia, nadar a meio da noite, livros, café da manhã.»





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posted by saturnine | 21:22 | 3 Comentários


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domingo, 27 de janeiro de 2008



Quando ele escalava, era como quem viajava e como quem fugia


agarrado às estantes, o coração preso na boca, as pontas dos dedos em sangue, as unhas a estalar como escamas velhas. um vago murmúrio nesse lugar escuro de onde se avista o fim do mundo. ainda há homens, deste lado de cá. chuva, vento na noite, memórias inventadas de pássaros. foge dos homens, corre para os homens. mergulha no tecido impreciso das histórias, reconhece o tempo pelo cheiro dos livros. há alguma poesia aqui, escondida entre o pó das prateleiras. uma lombada escura lhe sussurra: o meu coração é árabe. dói-lhe a ferida geral do seu corpo vivo, desce, regressa, conta mentalmente o som dos seus passos. doem-lhe as mãos, precisa de umas novas mãos, de um novo coração, este está prestes a ser cuspido boca fora. no exterior, há a luz. excessiva, artificial. e as pessoas: ideal um mundo onde as pessoas existissem, mas sem que precisássemos de as ver.





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posted by saturnine | 19:34 | 5 Comentários


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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008



Put that book back on that shelf!


tendo ou não nascido para os livros, acontece por vezes um indivíduo dar-se conta de que efectivamente vive para os livros, convive com eles, deixa-os povoar todo o espaço da sua memória e dos seus afectos, deixa-os povoar ainda o espaço soçobrante dos seus sonhos, respira com eles, adoece com eles, aproxima-se e afasta-se do sentido das coisas com eles. não fossem as pessoas (impossíveis, mal acabadas, insuportáveis - porque lhes acresce esse cancro a que a que os livros são alheios: a fala), e seria um vida tranquila. uma vida de bicho escala-estantes. por vezes um indivíduo imagina-se diminuto, sabe que poderia enfiar o seu corpo em qualquer espaço entre prateleiras, percorre corredores e corredores de (des)arrumação, e escala escala escala: retira estes livros daqui, arruma outros dois acolá, muda este para ali onde estão os seus irmãos, depois talvez contemple o trabalho feito, com as mãos e a roupa cheias de pó. trepa em desequilíbrio eminente, um pé aqui, outro pé acolá, este braço puxa-me para aqui, esta mão segura-me acolá. quando toca com a ponta dos dedos o tecto, repousa. observa o mundo cá em baixo e pode ser que se dê o acaso de se achar melhor instalado, não querer regressar ao lugar mundano das vozes que não se calam. mas regressa. e desce. passa diminuto ao largo dos zumbidos impertinentes porque é uma criatura com uma missão: amanhã é preciso recomeçar tudo de novo. percorrer corredores, levar os livros de encontro aos seus irmãos, estes saem daqui, aquele volta para acolá, fazer das estantes um lugar habitado, escalar, escalar, escalar.




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em tempos a blogoesfera conheceu em tempos uma belíssima criatura, de seu nome Vincent Bengeldorff, um bicho estranho e generoso que se auto-apelidava de bicho escala-estantes, graças ao qual tenho hoje o meu exemplar em segunda mão do "Fahrenhei 451". a ele dedico este post, ainda que autobiográfico, pela saudade.





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posted by saturnine | 23:04 | 3 Comentários


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008



She's keeping busy, yeah she's bleeding stones #2


era como dizer que tínhamos tudo predestinado prestidigitado nas palavras, dezenas de poemas, cartas, canções, um mundo inteiro de escritores mortos, vivos, incertos, nos gritava qualquer coisa, e nenhuma - num uma só - dessas palavras se cumpriu.


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura começa


Alexandre O'Neill



um dia qualquer, um dia como hoje, um dia que finalmente chegou, contra mim todo o verde e todos os olhos.




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posted by saturnine | 12:00 | 2 Comentários


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terça-feira, 15 de janeiro de 2008



She's keeping busy, yeah she's bleeding stones


chovia desalmadamente.* um semáforo tinha-me feito parar bem no meio do Largo do Senhor dos Aflitos. No rádio, a Marisa Monte sussurrava que ia fazer uma canção para inventar o nosso amor. terá ela falado com o Daniel Filipe? coisa triste, esse tal de amor, que precisamos inventá-lo de cada vez que um corpo suspira por outro corpo. coisa triste, meu deus, a falha da memória. porque não há-de ser senão por reincidente esquecimento que necessitamos inventar o amor a cada passo, como se aprendessemos de novo o que até então nos era desconhecido - como se não soubéssemos que um homem e uma mulher que se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva tinham já inventado o amor com carácter de urgência.

e tu, através dos anos ainda não cresceste. ainda não aprendeste que nós não tínhamos um quarto de hotel nem uma tarde de chuva, mas tínhamos a luz de Lisboa e os passeios junto ao Tejo, e inventamos um dia o amor com carácter de urgência. não aprendeste que o Nick Drake tinha razão, e entretanto a espera esgota-se e esgota-me e esgota-nos. tu ficas desse outro lado de dentro das coisas onde eu não chego, e esse amor que inventamos outrora fica suspenso, pendurado como um bacalhau seco que ninguém come, como roupa esquecida no estendal, à mercê da chuva, do vento e do sol. enquanto dormes, nos meandros do medo, a noite abre meus olhos:



A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reuno baldes, estes vasos guardados
* mas chove sem parar há muitos anos

Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração.


José Tolentino de Mendonça in A Noite Abre Meus Olhos






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posted by saturnine | 12:38 | 3 Comentários


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008



You try & try to rise but you cannot: bookeeper, you hang on to your books





eu nasci para os livros. para o pó das bibliotecas, para a penumbra dos corredores entre as estantes, para o cheiro a papel velho e a papel novo, para o enamoramento das lombadas que conheço pelas pontas dos dedos, para a magia de um novo título salva-vidas. neste momento, aguarda-me o José Tolentino de Mendonça, escondido numa prateleira que só eu conheço, e diz-me: A Noite Abre Meus Olhos. poderia acreditar que nasci para livreira e posso aqui desde já garantir: são bem melhores os livros que as pessoas. o seu silêncio e o seu conforto não questionador, a sua companhia incondicional, irrevogável: um livro não nos abandona. já eu, um dia, abandonarei de vez as pessoas. entretanto, continuo em busca da mulher que não conseguia viver com o seu corpo defeituoso, cheio de impossíveis:


Your lungs fill & spread themselves,
wings of pink blood, and your bones
empty themselves and become hollow.
When you breathe in you’ll lift like a balloon
and your heart is light too & huge,
beating with pure joy, pure helium.
The sun’s white winds blow through you,
there’s nothing above you,
you see the earth now as an oval jewel,
radiant & seablue with love.
It’s only in dreams you can do this.
Waking, your heart is a shaken fist,
a fine dust clogs the air you breathe in;
the sun’s a hot copper weight pressing straight
down on the think pink rind of your skull.
It’s always the moment just before gunshot.
You try & try to rise but you cannot.


Margaret Atwood






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posted by saturnine | 01:12 | 3 Comentários


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sábado, 5 de janeiro de 2008



(brighten) my northern sky


moleskine de viagem, 27 de Setembro de 2007: Lisboa - Porto: durante anos a fio a cidade salvou-me com a sua luz, com o seu magnífico céu azul-sul, com o seu silêncio protector como um bálsamo fresco sobre um corpo ferido. estranhamente - como deverá ser com tudo o que sabe a tarde demais - escurece mais também o meu céu a norte. sigo no comboio e não há esperança de refúgio. sigo de coração apertado. regresso - mas de quê? a quê? apagou-se a luz lisboeta dentro de mim. devo ter morrido, sem saber, em algum lugar onde me deixaste. o que espero é que desse lugar se veja o mar.



...



Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.

And time has told me
Not to ask for more
Someday our ocean
Will find its shore.

So I`ll leave the ways that are making me be
What I really don't want to be
Leave the ways that are making me love
What I really don't want to love.

Time has told me
You came with the dawn
A soul with no footprint
A rose with no thorn.

Your tears they tell me
There's really no way
Of ending your troubles
With things you can say.

And time will tell you
To stay by my side
To keep on trying
'til there's no more to hide.

So leave the ways that are making you be
What you really don't want to be
Leave the ways that are making you love
What you really don't want to love.

Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.

And time has told me
Not to ask for more
For some day our ocean
Will find its shore.


Nick Drake | Time has told me





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posted by saturnine | 20:49 | 5 Comentários


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terça-feira, 1 de janeiro de 2008



três considerações sobre o amor


primeiro momento: Leonard Cohen.


love is not a victory march




segundo momento: Bono Vox.


love is a temple
love is a higher law
you ask me to enter
but then you make me crawl




terceiro momento: Daniel Filipe, digo-te eu, para que quiseram um homem e uma mulher que se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva inventar o amor com carácter de urgência?





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posted by saturnine | 22:24 | 8 Comentários


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


*

calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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...it's full of stars...


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