sábado, 24 de novembro de 2007



Love Is (The Only Weapon With Which I've Got To Fight) *


hoje vou fazer da noite um lugar com Carlos de Oliveira. não conseguirei dormir, uma certa tristeza me pesará sobre o lado esquerdo da alma. sobre esse lado me deitarei e com o peso do corpo torcerei pelo esmagamento do coração.



* Odawas




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para os mais distraídos, este é o Carlos de Oliveira:

«De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração."»






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posted by saturnine | 23:33 | 5 Comentários


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Fruta esquisita, menina aflita



will you please hold me?



o Closer é um dos filmes da minha vida. enquanto que de um Magnolia eu falaria sobre abalroamento, deste eu diria arrebatamento. gosto de histórias sobre pessoas que são como pessoas. defeituosas, estragadas, sofridas. gosto de histórias sobre pessoas que são como os poemas do Daniel Faria, homens que são como lugares mal situados. curiosamente, o amor ao Jude Law aqui é puramente acidental. é a Natalie Portman que me desconcerta. é nela que está concentrada toda a minha atenção, arrebatadoramente, como uma cabeleira vermelha que emerge no meio da multidão, inesquecível, da qual eu não consigo desviar o olhar, e cujo olhar me desarma. que é como quem diz, if you believe in love at first sight, you never stop looking.



I can't take my eyes off you



And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her skies


Damien Rice






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posted by saturnine | 23:03 | 5 Comentários


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Bad liver and a broken heart


podia agora mostrar a minha carinha laroca (e restante corpinho em banhos) dos tempos em que ainda era bem visto mostrar as cuecas, mas hoje não me apetece destroçar corações.
em miúda já era má, muito má rês. uma espécie de Amy Winehouse pré-alcoólica - I told you I was trouble, you know that I'm no good. tive o meu primeiro pesadelo aterrorizador por volta dos 5 anos, e aos 3 já contava com um crime premeditado de apedrejamento da cabeça alheia no cadastro. nasci na cidade, morei num prédio em frente à escola primária que frequentava. saía de casa quando ouvia a campaínha dar o toque de entrada e esperava que a minha mãe já não me conseguisse ver da janela para saltar para dentro das poças de água e molhar os pés.

nessa altura diz que era inteligente demais para a minha idade, era má como as cobras para qualquer mosca-morta que não conseguisse fazer-me frente e basicamente desde os 6 anos sempre me apaixonei pelos gajos mais bestas e bandidolas. o primeiro filme que vi no cinema não foi o habitual A Branca de Neve, mas Os Salteadores da Arca Perdida. ainda hoje o Indiana Jones é o meu maior herói.

joguei ao elástico, joguei à macaca, joguei à cabra-cega, joguei à mosca e sempre que possível joguei todos os jogos que me permitissem dar porrada nos outros. reservava o tempo solitário com as bonecas para mim. cortei-lhes cabelo, pintei-lhes as caras (chorei muito de arrependimento depois), pus a Barbie e o Ken a fazer coisas marotas, tentei vestir as roupas das bonecas aos gatos. também andei pelos quintais dos meus avós a brincar na terra tardes inteiras, tive 3 meses seguidos de férias na praia onde o ponto de encontro era debaixo da bola gigante da Nivea, e obrigava os meus tios a levar-me todos os verões a ver as tartarugas do Aquário Vasco da Gama. acreditava que viviam reis e bruxas na Torre de Belém que à noite se mostravam às janelas.

li a colecção inteira dos livros de Uma Aventura e do Triângulo J e fiuqie enamorada de algumas personagens (assim mais ou menos como hoje em dia, quando me enamoro por gajos reais: é sempre tudo muito literário, insuficiente para trazer calor aos pés). gravava os desenhos-animados que via para depois poder pôr as imagens em pausa no ecrã e copiar os desenhos. gostava muito do Bocas e do Tom Sawyer e da Ana dos Cabelos Ruivos, mas quem eu sonhava ser era a bruxinha Bia ou a Cleópatra. sempre tive a mania das grandezas.

mas o que eu gostava mesmo era de quando o meu irmão (10 anos mais velho) chegava a casa e

a) me deixava jogar Tetris e Bumpy e Space Invaders com ele no computador
b) me deixava ver filmes para maiores de 16 com ele.
c) me deixava ver o Music Box (longínquo antepassado do Top+) com ele na televisão (e assim fiquei a conhecer o Prince e o Rick Astley e o Glenn Medeiros e a Samantha Fox e The Cure os Communards e... ok, adiante).

o meu irmão é a palavra-chave afectiva da minha infância. primeiro, porque não é um irmão verdadeiro, é um irmão de escolha, um ser-perfeito do afecto. depois, porque foi graças a ele que entrei por volta dos 10 anos no fabuloso universo do David Lynch. há quem diga que há certas e determinadas coisas através das quais se explica esta minha cabeça torcida. eu não sei. eu cá acho que tive uma infância feliz. muito feliz. nessa altura, eu queria beijar os rapazes e eles deixavam. era só escolher e fazer de Herr Flick: you may kiss me now. não gosto dos rapazes crescidos, independentemente do sítio para onde olham.



assim de repente, não me apetece muito pensar em reencaminhar isto. quem quiser, esteja à vontade.





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posted by saturnine | 22:28 | 4 Comentários


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segunda-feira, 19 de novembro de 2007



Oh boy



posted by saturnine | 19:34 | 8 Comentários


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Da natureza do que dói


o que eu queria era um lugar perto de ti
onde a morte não cavasse as suas interrupções
por entre as frestas
do amor e do medo



justamente quando começava a sarar
a pele por baixo das unhas
e se afeiçoara a boca
à forma fria do vento
é cuspido o corpo
de volta para o lugar
onde se distribuem
as feridas.






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posted by saturnine | 04:46 | 9 Comentários


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domingo, 11 de novembro de 2007



níveis mínimos de suporte de vida


an exercise on how to disappear completely


coração:
ainda não é hoje
que vais
sossegar




o mundo avança ainda: só eu caí noutro lugar qualquer
onde os afectos e as memórias se desfazem
e diluem



já dizia o Zé Artur:


even though I'm here
you know that I'm already gone




coração:
quão espaçadamente soluças
como se te esquecesses
de bater.






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posted by saturnine | 20:38 | 5 Comentários


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sexta-feira, 2 de novembro de 2007



us people are just poems #2


you could be mine
(but you're way out of line)





se nos encontrarmos de novo
que seja
nos antípodas do ocaso.





so long.







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posted by saturnine | 23:26 | 9 Comentários


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


*

calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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