terça-feira, 31 de julho de 2007



Meanwhile


eu vou, mas volto.





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posted by saturnine | 18:02 | 3 Comentários


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I keep going round and round in the same old circuit


sou uma pessoa de velhos hábitos. resisto às mudanças. mantenho-me com as mesmas músicas, os mesmos sabores de gelado, os mesmos livros preferidos, as mesmas pessoas. até os fantasmas. ando sempre de mão dada com os velhos demónios. a familiaridade é um conforto. e é também um dedo permanentemente apertado sobre um botão que dói. dói sem intermitência, até que pelo hábito deixa de doer. eu moro numa casa ao pé da linha dos comboios. e é verdade que eu já não ouço os comboios. e quando chego a uma música, umas frases assim, acontece que não consigo ir para outro lado qualquer. o mundo acontece todo em simultâneo dentro de uns versos. era para falar mais um pouco da Aimee Mann, mas num dia povoado pela morte quem me assalta a memória é a Sophia. de Mello Breyner, pois claro:



«Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.»




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posted by saturnine | 17:10 | 2 Comentários


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sexta-feira, 27 de julho de 2007



Turn the light out, say goodnight






cabe uma vida inteira numa noite, toda a construção da memória em escassas horas vagamente alucinadas. é possível comprimir o tempo. é possível aproveitar o dia. Aimee Mann no Coliseu dos Recreios, 25 de Julho. não foi um grande espectáculo. sei inclusive de quem diga que foi coisa morna, sem graça, onde nem uma palha buliu. no entanto, era a Aimee Mann. e como em quase tudo, o que era preciso eu transportava já de início comigo: o que nos magoa, o que nos aperta, o que nos apaixona, o que nos dói, está na maioria das vezes já em nós. reagimos na medida da nossa própria substância. eu fui ao Coliseu para me comover com a Aimee Mann. fui de coração nas mãos, disposta a ser seduzida. daí que uma coisa possivelmente morna, sem graça, onde nem uma palha buliu, ainda assim foi um dos momentos mais enternecedores deste ano. eu ia para ouvir os fantasmas de Magnolia: como poderia sair desapontada? na verdade, não ia para outra coisa. ia para repetir para mim, silenciosamente, a desordem inexplicável do mundo, things fall down, people look up. and when it rains, it pours. eu ia para ser arrebatada, sentada sozinha entre estranhos. poder imaginar um rosto para uma voz branda, familiar, e balbuciar:

you look like a perfect fit for a girl in need of a tourniquet


o tema que faltou:





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posted by saturnine | 23:50 | 3 Comentários


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domingo, 15 de julho de 2007



Meredith Grey goes Laura Palmer


quem me conheça bem - ou quem pelo menos tenha lido este blog com muita atenção ao longo destes 4 anos - saberá que eu habito secretamente, na memória e nos afectos, um lugar chamado Twin Peaks. quando se é ainda criança, há tantas coisas a que não se sabe dar nome. como o medo. ou uma certa forma de tristeza, uma queda para a melancolia, uma angústia injustificada, sem origem. para todas estas coisas que eu não tinha nome, eu tinha um nome: Laura Palmer. um nome que resumia, sem precisar de palavras ou divagações, toda a tristeza do mundo.






também é mais ou menos sabido que, desde que não há Prison Break, nem Lost, nem Heroes, há Grey's Anatomy a preencher as minhas noites. e não cesso de me espantar com a improbabilidade com que as personagens se revelam imperfeitas, defeituosas, inacabadas, incertas - tudo boas coisas, entenda-se. pessoas, tal e qual. pessoas como as do Nick Cave, 'people just ain't no good'. do mesmo modo que na infância não aprendemos ainda os nomes para as coisas, a verdade é que na idade adulta continuamos a não ter nome - nem explicação - para tudo. as pessoas desaparecem. a Meredith Grey deixa-se morrer inesperadamente. não morre, mas deixa-se morrer. qual não é o meu espanto ao deparar-me com uma Meredith Grey feita Laura Palmer.








assim, tal qual Magnolia: 'Things fall down. People look up. And when it rains, it pours'.






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posted by saturnine | 03:14 | 4 Comentários


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quinta-feira, 12 de julho de 2007



Boxe(u)r





ao ler este post e respectivos comentários sobre os The National, quedei-me em espanto. primeiro, porque é um facto que se trata seguramente da minha banda preferida do momento, no canto das drogas duras, onde tudo aperta, comove e dói. à frente - quem poderia imaginar! - dos Silver Jews. e eu não teria dito melhor que o que eles têm de único não é a novidade, mas a junção de várias coisas muito antigas. e naturalmente a felicidade das coisas antigas extremamente familiares. já ali encontrei Leonard Cohen, Tindersticks, Joy Division, Nick Cave, Pixies, ... ou seja, toda a minha construção do crecimento. e o que é mais cruioso: tudo isto junto, assimilado, soando a coisa genuína, inteiramente nova, não decalcada de qualquer matriz.

tremo de comoção na antecipação de os ver pela primeira vez dia 5 de Agosto próximo. penso que não haverá outro ano como este para mim, concert-wise. morro de amor. houve Bonnie "Prince" Billy, houve Patrick Wolf, houve Andrew Bird, houve Micah P. Hinson. a Aimee Mann está a 10 dias de distância, The National 10 dias depois. e nisto, o segundo motivo de espanto: devo perceber o mundo todo ao contrário, pois foi precisamente no Boxer que comigo se deu o mergulho imediato, a fusão simbiótica necessária, esperada, familiar. este é definitivamente o meu disco dos The National. mesmo sendo complicado falar em discos predilectos. só sei que por estes dias, é assim o meu mundo:


Turn the light out say goodnight
no thinking for a little while
lets not try to figure out everything at once
It's hard to keep track of you falling through the sky

we're half-awake in a fake empire
we're half-awake in a fake empire


The National | Fake Empire




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posted by saturnine | 15:52 | 7 Comentários


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Peek-a-boo!


citrinos à espreita!




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posted by saturnine | 15:46 | 4 Comentários


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The shameful robbery




roubei descaradamente esta fotografia do Fernando Figueiredo à menina limão, porque parece um retrato meu. bem que me diziam que escrevo tão rápido no teclado que, à parte os muitos lapsus teclae que já me tornaram famosa, pareço uma máquina de costura. e ainda por cima agora roubo horas ao sono e à leitura para costurar. não há direito.

assim, com muita vergonha respondo ao desafio: não faço ideia dos exactos 5 últimos livros que li. there, I said it. e porquê? porque sou um paradigma da indisciplina mental. o que eu posso dizer são os 5 livros que tenho na mesinha de cabeceira, começados e abandonados:

Mrs. Dalloway, Virginia Woolf
Os Passos em Volta, Herberto Hélder
A Mulher Comestível, Margaret Atwood
As Não-Metamorfoses, Alexandre Andrade
O Código Da Vinci, Dan Brow (tenho curiosidade, alright already! senão como é que poderei dizer mal?)


e então devo fazer prosperar a curiosidade, é isso? perguntaria o mesmo então ao Luís, ao Francisco Bairrão, ao Bruno, à Marta e à Cláudia, se estiver por aí.



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posted by saturnine | 13:23 | 10 Comentários


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quinta-feira, 5 de julho de 2007



happy bleeding happy bruising


para que fique bem claro, foram as visitas de um certo e determinado Happy & Bleeding que me fizeram despertar o bichinho: há uns dois ou três anos o ex-Puto-Paradoxo começou a salvar-me um verão - que é como quem diz que me salvou a vida, qual nadador-salvador atento à difícil respiração onde o mar vence o corpo - com esta música:

Cripple & The Starfish | Antony & The Johnsons

em pleno Agosto, Lisboa banhada por chuva torrencial, dias a fio. e esta música, algures por essa altura. não se imagina o tanto que se tem que cair, esfolar os joelhos, enfiar a boca na terra, até recordar o mesmo calor de um gesto, ainda morno, como uma mão branda sobre uma ferida.


não é por nada, isto. é só que há dias assim, com muitas horas de sono em falta, em que uma conversa sobre música para acordar demónios e música para adormecer demónios, acorda o sumo temido demónio-mor que me obriga a recordar algo insuportavelmente belo:

Kathleen | Townes Van Zandt



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posted by saturnine | 02:27 | 3 Comentários


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terça-feira, 3 de julho de 2007



Sew in love





há, em mim, um doce e ácido fruto saturnino.



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posted by saturnine | 20:30 | 1 Comentários


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segunda-feira, 2 de julho de 2007



Absence


não é o trabalho que me excede: é o verão que me falta.


em busca de coisas que salvam:


Les Triplettes de Belleville



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posted by saturnine | 12:27 | 3 Comentários


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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