Quinta-feira, Dezembro 30, 2004




*¨have a groovy 2005.~^




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(ok! that does it!)

não se consegue resolver o mundo pela música, não se consegue resolver pelas palavras, muito menos se resolve o que quer que seja pelo amor. quando tudo o resto não resulta, é tempo para o Brian:


Now, FUCK OFF!


e as coisas parecem logo outra vez em ordem.


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>>> and miles to go before I sleep #10


porque me acenas à beira da água
e me deixas à míngua na margem da sede?


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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004




I really can't stand being alone all the time.

Jeff Buckley


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//espanta-espíritos


sim, definitivamente era isso que eu fazia. punha o little black spot a cantar este álbum do princípio ao fim.


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The pain is evident in my existence *


aquilo de que eu gostava mesmo mesmo mesmo era de pôr este blog a cantar. era assim que eu resolvia o mundo.




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* Fiona Apple


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(será que arrisco?)


o corpo inflamado pela violência
de outro corpo que falta
à noite incandescente.

(a boca destinada à terra
as unhas destinadas às cinzas)


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//por favor, eu preciso




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Terça-feira, Dezembro 28, 2004




The downward spiral






so if you catch me trying to find my way into your heart from under your skin fast as you can, baby scratch me out, free yourself fast as you can . I thought it was a bird, but it was just a paper bag hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills 'cause I know I'm a mess he don't wanna clean up I got to fold 'cause these hands are too shaky to hold hunger hurts, but starving works, when it costs too much to love . and have you ever wanted something so badly that it possessed your body and your soul through the night and through the day until you finally get it and then you realise that it wasn't what you wanted after all and then those selfsame, sickly little thoughts now go and attach themselves to something rr somebody new and the whole goddamn thing starts all over again . in our lives we hunger for those we cannot touch all the thoughts unuttered and all the feelings unexpressed play upon our hearts like the mist upon our breath . tonight the wolves are howling I can't escape from you . I'm trying to decide which way to go I think I made a wrong turn back there somewhere


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os discos sucedem-se e de tal forma se emaranham e confundem com a noite, que eu própria estou presa dentro deles e não me distingo. há-de ser o choque de que ainda não me recompus, tanto tempo a a imaginar-me Penélope e afinal de Calipso não passo. insisto que há coisas inexplicáveis (e ainda bem), outras indizíveis, e ainda alguns momentos que são melhores do que outros. não sei ainda o que fazer de mim.




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//post-it na janela


Will you meet me in the morning, with sun fresh on the dew?
Will you meet me in the afternoon, made just for me and you?
Will you meet me in the evening, when the nighttime starts to crawl?
Will you meet me in the hall?
Will you meet me on the wall?
Will you meet me at all?


Violent Femmes | I know it's true but I'm sorry to say


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//play dead


vermelho no corpo, cereja nas unhas, prata nos olhos. como se fosse possível ludibriar o inverno, apagar as sombras do rosto. só o daydreaming sustenta estas horas impossíveis.


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//do improvável inesperado

a noite demasiado longa (como quando era criança e tudo era sempre muito grande) para conseguir sossegar, e as borboletas no estômago.


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Segunda-feira, Dezembro 27, 2004




//from dusk til dawn

há uma voz que enche a noite e atravessa as ruas da cidade. é princípio de inverno e a noite está muda de espanto.


Matt Johnson


And have you ever wanted something so badly
That it possessed your body and your soul
Through the night and through the day?
Until you finally get it
And then you realise
That it wasn't what you wanted after all
And then those self same sickly little thoughts
Now go and attach themselves to something ... or somebody, new!
And the whole Goddamn thing starts all over again


The The | True Happiness This Way Lies


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//pormenores que operam milagres

um passeio pelo silêncio da serra e a música certa no fim do caminho.


Believe that life can change
That you’re not stuck in vain


Smashing Pumpkins | Tonight Tonight


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Sábado, Dezembro 25, 2004




>>> Calypso


recebi no sapatinho um frasquinho de Calypso de Lancôme. agora, sim, tenho a certeza dos regressos logrados e da inutilidade das esperas. é certamente um sinal para seguir em frente, pois Ulisses não tornará a esta praia. respira-se o alívio de uma primeira liberdade. frágil, mas inteira. I just move on.


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>>> Black Earth


With skull-imprinted black on black packaging, Black Earth looks like a heavy metal release, but in fact is a smoothly sophisticated excursion into a deep, dark, jazz, lounge underbelly.
Their style sits somewhere between Godspeed You Black Emperor! & Sigur Rós. They call it
horror jazz.

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este álbum invade o espaço da casa como a noite pelo meio das árvores, uma noite negra e um chão cheio de sombras dramáticas. há coisas inexplicáveis, sim, e há outras ainda indizíveis. são essas as que nos exigem o silêncio. e assim permanecemos, mudos e imóveis, rendidos, enquanto somos esmagados pelo deslumbramento e assombro.


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//under the (sycamore) trees *







ácer e carvalheira em redor da casa.


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* Jimmy Scott


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Sexta-feira, Dezembro 24, 2004




posting before Christmas



a primeira prenda de Natal deste ano não oferecida por mim a mim própria. lembro-me de um post que tentei escrever da serra, há tempos, e que se perdeu. dizia que há horas do dia melhores que outras. há coisas inexplicáveis, e ainda bem. há aqueles de quem sentimos falta e as coisas que nos transportam aos lugares mais interiores. parto agora para a noite, ainda sem saber de mim.


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lonely mornings & sunny afternoons


não sou muito de fazer balanços de fim de ano. dedico-me antes a outro tipo de coisas inúteis. não encontro conforto em avaliar os equívocos dos dias passados. e, do mesmo modo, não acredito em resoluções forjadas por motivo do ano que acaba: é que todos os dias são dias de mudança. contudo, permito-me isto:


She told me she loved me,
which means she must be insane
I've had my face dragged in fifteen miles of shit
and I do not, and I do not, and I do not like it
So how can anybody say they know how I feel
the only one around here who is me is me

(so how can anybody possibly think they know how I feel,
everybody look, see pain, and walk away)


Morrissey | How can anybody possibly think they know how I feel

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* mas, contra toda a desordem do mundo:

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While truckin' down the road of life, although all hope seems gone,
I just move on.

When I can't find a single star to hang my wish upon, I just move on,
I move on.

I run so fast, a shotgun blast can hurt me not one bit.

I'm on my toes cause heaven knows a moving target's hard to hit.

So as we play in life's ballet, we're not the dying swans, we just move on,
we move on.

Just when it seems we're out of dreams, and things have got us down.

We don't despair, we don't go there, we hang our bonnets out of town.

So there's no doubt we're well cut out to run life's marathon, we just move on,
we just move on.

So fleet of foot, we can't stay put, we just move on.
Yes, we move on!


Catherine Zeta-Jones & Renee Zelwegger | I move on
Chicago O.S.T.


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>>> and miles to go before I sleep #9


é meia noite e é como se as próprias árvores chorassem. é peso a mais este não saber o que fazer de mim.




(Now it's dark.)

Into the night
I cry out
I cry out your name.
Into the night
I search out
I search out your love.
Night so dark
Where are you?
Come back in my heart
So dark

So dark.


Into the night | Julee Cruise
Twin Peaks O.S.T.


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Quinta-feira, Dezembro 23, 2004




serendipity


acordar subitamente no sofá, a televisão ligada e, de entre todas as coisas improváveis: John Cusack - e eu nem sei se gostas da palavra serendipity, mas é certo que este foi um acaso feliz, pois se acordo justamente para, de entre todas as coisas improváveis, ouvir Nick Drake na banda sonora de um filme, onde nada o faria prever:

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky
.


Nick Drake | Northern Sky


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Quarta-feira, Dezembro 22, 2004




//observação improvável


eu poderia amar (quase) todos os homens do mundo. se ao menos estivessem suficientemente perto. (a distância é a maior amiga do olvido).


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*.o little black spot deseja a todos
um Feliz Natal¨.





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Always look on the bright side of life


não há dúvida que A Vida de Brian é um filme cheio de sabedoria. e porque é Natal, vem muito a propósito. e se não será o mais indicado guia para o bom conhecimento da verdadeira tradição da presente época, é pelo menos indicado como fonte de inspiração para a resolução de problemas existenciais. quando chego ao limite, faço como Brian:


Now, fuck off!





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Retrato de P.


«Mas fugi dos homens que ostentam a sua elegância e beleza e que nunca têm um cabelo fora do lugar. O que agora vos dizem já o disseram muitas vezes; o seu amor é vagabundo e não se prende a nenhum lado. (...)
Livrai-vos de acerditar nos juramentos de Teseu *; mesmo evocando o testemunho dos deuses, fará convosco o que já fez outras vezes. E tu, Demofontes, herdeiro de Teseu e da sua perfídia, depois de teres enganado Fílis já não podes inspirar confiança.»


A Arte de Amar | Ovídio


Não deixa de ser curioso que para todas as mulheres que te amaram, sejas hoje apenas a vaga memória de um desconhecido, que se te encontram na rua, voltam a cara para o outro lado. Mão no peito e mea culpa não impediram Dante de encontrar Teseu nos infernos**.


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* Ulisses não era, afinal, o único canalha da história. aliás, talvez não fosse sequer o pior. com juras de amor e casamento, Ariadne conduziu Teseu são e salvo ao exterior do labirinto, para logo depois ser abandonada, esquecida - votada à sua triste sorte. milénios passam e continuam a arder os corações das que, iludidas, esperam.

** in O Inferno


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*(O.O)*
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© www.garfield.com



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Domingo, Dezembro 19, 2004




HALF-LIFE MEMORIAL

>>> alone like you alone like you alone



dark and creepy. agora que penso nisso, foram alguns anos de dedicação a este assombro. a solidão e o medo eram reais, neste quarto escuro cheio de vozes desconhecidas.



>>> I am the last I am the last I am the last




the Big Boss Man. osso duro de roer. hoje, finalmente caiu.



>>> time to choose



encontro com o G-Man. e depois a escolha: a liberdade ou a morte. a escolha está feita. Gordon Freeman is back.





and in good company.




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//against demons


Sentei à minha mesa
os meus demónios interiores
falei-lhes com franqueza
dos meus piores temores

tratei-os com carinho
pus jarra de flores
abri o melhor vinho
trouxe amêndoas e licores

chamei-os pelo nome
quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta

conheci bem cada um
pus de lado toda a farsa
abri a minha alma
como se fosse um comparsa

E no fim, já bem bebidos
demos abraços fraternos
saíram de mansinho
aos primeiros alvores
de copos bem erguidos
brindámos aos infernos
fizeram-se ao caminho
sem mágoas nem rancores

Adeus, foi um prazer!
disseram a cantar
mantém a mesa posta
porque havemos de voltar



Demónios interiores
letra de Carlos Tê
música de Jorge Palma



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>>> smell memory *


há um mundo inteiro de despojos abandonados dentro dos cheiros. afinal, basta a precipitação da memória aos lugares esquecidos: se fecho os olhos, um sopro enche o quarto de Acqua de Giò. e abro as portas da noite aos demónios em festa.


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Sábado, Dezembro 18, 2004




>>> and miles to go before I sleep #8

aprende-se a sobrevivência comendo a terra de queixos no chão. perante as folhas, os ramos, as cinzas, somos sempre seres inferiores. mas resistimos. a tudo aprendi a dissolver, menos os inesperados assaltos da memória e dos cheiros. por isso as ruas cheias de gente bem vestida e perfumada são lugares muito perigosos,e o vago apelo de uma música pode fazer emergir novamente o ardor de agosto em pleno inverno.



_________________________
Well no one told me about her
How many people cried

But it’s too late to say you’re sorry
How would I know?
Why should I care?
Please don’t bother trying to find her
She’s not there

Kill Bill vol. 2 O.S.T.


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>>> and miles to go before I sleep #7


não há-de ser coincidência. seja porque a pedra de Sísifo vários acorda durante a noite enquanto rola pela montanha, seja porque a terra nos chama e nós respondemos com as mesmas vozes. ele fala do lugar com que sonhei toda a minha infância, e entretanto esqueci: «Ushuaia, o lugar para lá do qual já só há a solidão absoluta.»


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A viagem de Chihiro















fim de semana com roupa quente, leite com mel e limão, e uma história de amor japonesa.


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>>> it's the christmas spirit



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//wicked ways


abandonei todas as rotinas e os gestos que doem. mas continuo a beber Bacardi com sumo de limão.


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Sexta-feira, Dezembro 17, 2004




>>> burn, motherfucker, burn


está comprovado e eu estou satisfeita: Ulisses arde no Inferno (Dante dixit). o que é perfeitamente justo. em algum momento o pulha haveria de ser abandonado à sombra dos seus mil estratagemas. revestido pelas chamas se encontra aquele que regressou, apenas para voltar a partir.


* * *


«Quando me afastei de Circe, que mais de um ano me manteve perto de Gaeta, antes que Eneias assim lhe chamasse, nem a ternura pelo meu filho, nem a pena pelo meu velho pai, nem o amor que deveria fazer Penélope feliz puderam em mim vencer a ânsia que sentia de conhecer o mundo, os vícios e o valor humanos

O Inferno | Dante


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nostalgia de inverno:


ao fim do dia, todas as ruas cheiram a Acqua di Giò.


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Domingo, Dezembro 12, 2004




>>> needles, bloody needles





























com tudo isto tu acabaste.


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das coisas que eu gosto #4

dos edredons de cores vivas e de adormecer com a música a tocar. dos dias em que as horas são vagarosas, e o tempo basta.


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//das grandes questões e dos problemas sem solução


«É difícil imaginar até que ponto a natureza humana se pode desfigurar.»


* * *


«De resto, quem se preocupa com problemas irresolúveis?»


Cadernos da Casa Morta | Dostoievski


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pois aí é que está. seres humanos que somos, e inseparáveis da nossa condição, como poderíamos renegar o pensamento, como poderíamos fazer outra coisa senão colocá-lo ao serviço dos grandes problemas, pois se é para isso que serve o exercício da intelectualidade, para perseguir os grandes mistérios irresolúveis, para elaborar grandes perguntas sem resposta. é a dignidade maior, a lealdade suprema do homem para com a sua natureza, precoupar-se com as grandes questões. confesso a minha maior ingenuidade: eu não compreendo as consciências adormecidas e resignadas. não compreendo o homem conformado com o seu destino.


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//perplexidade pela condição humana #2


«Eis o final da minha caminhada: estou na prisão!(...) Eis o meu porto de abrigo para muitos e longos anos, o meu canto, onde entro com esta sensação dolorosa de desconfiança... Mas quem sabe? Quando tiver de o abandonar, daqui a muitos anos, talvez sinta saudades dele!, acrescentava eu, com resquícios daquela sensação malévola que, às vezes, chega até à necessidade de avivar propositadamente uma chaga, como querendo admirar a dor, como se na consciência da enormidade do infortúnio houvesse realmente algum prazer.»


* * *


«(...) surpreendia o suspiro fundo de alguém, um suspiro com o peito todo, como se quisesse sorver aquele ar longínquo e livre, e aliviar com ele a alma oprimida e agrilhoada


Cadernos da Casa Morta | Dostoievski


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na prisão, um homem fica face a face com a nudez da sua própria condição. a impossibilidade de um momento só para si, a necessidade de compreender para adaptar-se, tudo o leva a olhar os outros com ávida atenção, a atribuir suma relevância às mais pequenas coisas, porque no exílio outras não há, e onde menos esperava descobre as raízes da sua própria natureza.


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Sábado, Dezembro 11, 2004




//perplexidade pela condição humana


«Estendia a decência e a ordem até à pontualidade mais mesquinha; pelos vistos, considerava-se um homem supinamente inteligente, como costumam considerar-se todas as pessoas lorpas e limitadas


* * *


«Ora, os tais renegados, os lobos no meio do rebanho de ovelhas, sja o que for que apresentem como justificação, por exemplo, o ambiente que os oprime, nunca terão razão, sobretudo se perderam também o humanismo. É que a humanidade, o carinho, a comiseração fraterna para com o doente são, por vezes, mais importantes que todos os medicamentos juntos. Já é tempo de deixarmos de alegar o ambiente social que, supostamente, nos oprime. Digamos que sim, que é verdade que tal ambiente nos prejudica muito, mas não é decisivo, e muitas vezes um malandro esperto e experiente encobre e justifica habilmente com esse ambiente não só as suas fraquezas mas, muitas vezes, a sua vileza, espcialmente se sabe falar ou escrever com eloquência.»


Cadernos da Casa Morta | Dostoievski


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>>> os grandes epítetos


numa parede da faculdade de Belas Artes uma mão anónima assim completou o grandioso epíteto de outro que assinara:


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PEDRO, O GRANDE   filho da puta

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Sexta-feira, Dezembro 10, 2004




>>> and miles to go before I sleep #6


o frio gela-me a vontade. toda a matéria de escrita condensa-se em mudos assombros que se acumulam como pesos em redor do corpo extenuado.


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>>> Santa Claus is coming to town!



não há outra explicação. está tudo em queda vertiginosa. BD Jazz na FNAC a 15 euros! meus amigos, é agora ou nunca! por isso cedi ao espírito natalício e ofereci-me mais dois volumes (vou pagar bem caro o fim do mês, mas what the hell...)


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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004




//dias com árvores


© Michael Hudson


entretanto, descobri uma galeria de fotografias onde passeio, como entre iguais.


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Quarta-feira, Dezembro 08, 2004




>>> (it's) that funny time of year #2




William Henry Fox Talbot
Oak Tree in Winter at Lacock Abbey, early 1840's


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//porque é apropriado ler Dostoievski nesta altura do ano

espera-se neve na serra. as mãos doridas como pedras frias pressentem-no. a noite apressa-se pelas encostas e o breu cobre todo o arvoredo. há gelo em todos os vidros e a respiração torna-se visível. sofre-se de um terno encanto. é que o frio corta através da pele como facas afiadas, é frio que dói, e não há consolo nas camisolas de lã. mas ainda assim, amamos o frio, porque se espera neve na serra.

(e aqui, espera-se o momento certo de pendurar o sapatinho vermelho do little black spot).


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>>> (it's) that funny time of year



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Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

It doesn't show signsof stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

When we finally kissgoodnight
How I'll hate going out in the storm!
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm

The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!


Frank Sinatra


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© www.garfield.com



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>>> "um amigo é uma história que nos salva"
            
Mário Rui de Oliveira


ter um amigo no estrangeiro é pior do que ter um amigo numa cidade diferente? parece certo que sim, que as distâncias maiores são as mais difíceis de superar, o que está mais perto está sempre à mão. seria justo pensar que a cada quilómetro mais o coração se confrange? quanto mais longe estamos, mais sós? algo me diz que a dimensão da angústia não é directamente proporcional à distância a que nos encontramos daquilo que nos falta. dizia-o um antigo professor meu, que ir de Paris a Barcelona não custa nada, perdidos que estamos, é um desviozinho insignificante; o que custa é ir do Porto a Coimbra, a todos os lugares que, por estarem perto, deixamos sempre para depois.


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Domingo, Dezembro 05, 2004




>>> das coisas que eu gosto #3

dos dias de sol muito frios, dos cachecóis de muitas cores e das folhas dos áceres que resistem, em luminescência vermelha, junto à estrada. de saber, quando todos os sinais são visíveis, que há um espírito de Natal a despertar.





caso para dizer: it's a funny time of year. *




>>>set as desktop >> centered >> 1024x768



_____________________
* Beth Gibbons


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>>> a glass hand cuts through the water
           scything into his twisted roots *


penso nas minhas mãos cheias de incerteza e do quanto fizeram para que o mundo tivesse uma nova ordem. ainda assim, nunca nada te surpreendeu o suficiente, nunca consegui a tua atenção para a linguagem das árvores — que, de todo, não compreendes. saio de cena de mãos derrotadas. mas eu tenho as árvores lá fora à minha espera, e no meio delas caminho como entre iguais. e sei o quanto há mais ainda, para além de longas cabeleiras loiras e unhas bem tratadas. e a ti, o que te resta? a qual de nós abandonou o mundo, afinal?




____________________
* Siouxsie & The Banshees


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Sábado, Dezembro 04, 2004




Which Nightmare Before Christmas character are you?



I'm Jack.


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>>> as compras do mês


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Les Triplettes de Belleville | Nightmare Before Christmas | BD Jazz, Sydney Bechet



##


Do it the hard way, Chet Baker | Super Discount v.2, Étienne de Crecy



#


Gordon Freeman is back.


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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]




~*. through the looking glass .*~


pale blue dot - sala de exposições

*

casa-mãe
casa-pai

*

calamity.spot[at]gmail.com



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~*. rearview mirror .*~


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a balada do café triste . a natureza do mal . a rute é estranha . as formigas . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . animais domésticos . arquivo fantasma . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bibliotecário de Babel . bicho do mato na cidade . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . e deus criou a mulher . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . eyes shut . glooka . i kant, kant you? . insónia . isto é o que hoje é . last breath . loose lips sink ships . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . não tenho a tua vida . no meu vaso . no vazio da ondao . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . passeio alegre . pathos na polis . playground . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . vazio bonito . viajador


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os lugares comuns: against demons . afirmações identitárias . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Bjork . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel António Pina . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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...it's full of stars...


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