segunda-feira, 31 de maio de 2004




'Apeiron'


O ilimitado é a origem dos seres. E a fonte da geração das coisas existentes é aquela na qual a destruição também acontece segundo a necessidade; porquanto pagam castigo e retribuição uns aos outros, pela sua injustiça, de acordo com o decreto do tempo como ele se exprime, nestes termos um tanto poéticos.


Anaximandro
in Hélade - Antologia da Cultura Grega




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A essência humana


Aos homens todos é dado conhecerem-se a si mesmo e saberem pensar.


Heráclito
in Hélade - Antologia da Cultura Grega




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sábado, 29 de maio de 2004




:: vontade de helenismo e uma boa notícia::





agora são meus, todos meus. sinto-me inundada de vontade helénica. vou ali mergulhar nas raízes da cultura grega e volto já.
e fiquem a saber que Frederico Lourenço está já a trabalhar na tradução d' A Ilíada. obra para alguns anos, possivelmente, mas é sempre bom ter esperança naquilo que sabemos que chegará.



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    §§§
d(^_^)b






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:: um olho amarelo coroa o dia cinzento ::






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:: persona #2 ::


os livros que temos nas prateleiras, se não dizem tudo sobre aquilo que somos, dizem pelo menos o bastante sobre aquilo que queremos ser.



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sexta-feira, 28 de maio de 2004




@(*_*)@



trust me. I should know.



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    @
:(-_-):






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«Nada há de mais assustador do que uma classe de bárbaros a quem ensinaram a considerar a existência como uma injustiça e que desse modo vai peparando a vingança não só para a sua geração mas também para todas as gerações futuras.»

Nietzsche
| A Origem da Tragédia



isto fez-me pensar na questão do pecado original. nascer-se assim com um fardo que nos é impingido, à margem da consciência, pelo dogma dos rebanhos alheios. é este o legado de vingança que nos deixam os nossos ancestrais, cuja única resolução (ou consolo) que encontrou para o sofrimento humano primordial - que se identifica com o pavor da morte - foi o absurdo da religião. é a mais vil forma de tirania. um ser humano nasce inteiro e disponível para todas as escolhas. não aceito uma liberdade decepada pelo medo dos outros. mesmo receando o desconhecido, caminho para ele, orgulhosamente humana (apenas humana).



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quinta-feira, 27 de maio de 2004




:: esteticismos ::


muito se tem falado sobre a importância da aparência e organização visual de um blog, no que diz respeito ao conforto convidativo à sua leitura. creio que este tema daria um belo mote para um tratado sobre os apelos estéticos. é óbvio que desde o início esta foi uma ideia que me preocupou, simplesmente nunca me tinha pronunciado. atraem-me as coisas que me são apelativas aos sentidos, e só posteriormente me arrebatam pelo conteúdo essencial, para além da superfície. a imagem é um cartão de visita, não deve ser descurada.
e eu confesso: há blogs de cujos textos gosto imenso, mas que deixo de conseguir ler porque me sinto mal a visualizá-los, constrangida pelo tamanho das letras, pelas cores dos fundos, pela estrutura dos parágrafos... e depois há outra coisa mais fascinante: apercebo-me que há blogs que visito diariamente, alguns mais vezes que os meus do coração, apenas porque gosto muito muito de olhar para eles, confortavelmente assertiva perante a componente estética que exibem.



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:: persona ::


aquela que vejo, through the looking glass, sou eu, ou é um outro que me olha com o mesmo espanto?



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:: a origem das claras em castelo ::


acrditem ou não, esta dúvida existencial assalta-me o espírito muitas vezes. sem tirar nem pôr.



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«...Jamais chegaremos a fazer um juízo claro acerca de nós mesmos, se não considerarmos as cicunstâncias da nossa educação, se não avaliarmos a influência que teve sobre nós. (...)»

Nietzsche | retirado da biografia do autor, apresentada como apêndice n' A Origem da Tragédia
(Lisboa Editora, 1999)




as coisas que reconhecemos como nossas, ou próprias da nossa vida individual, a matéria daquilo que somos e as aspirações que temos enquanto seres humanos, tudo isso não pode ser dissociado do meio em que nos formamos enquanto seres conscientes - e isto é uma ideia em certa media assustadora, se nos pomos a pensar na fatal arbitrariedade das escolhas que, afinal, não dependem de nós: crescer a ouvir Beethoven poderá garantir que estejamos livres do mal de vir a gostar de Marco Paulo; tal como crescer rodeado(a) de livros nos pode afastar da possibilidade de estupidificação da era dos Big Brother; naturalmente um indivíduo não pode ser entendido à margem das circunstâncias em que foi educado. e é isto que refiro como assustador, porque há algures aqui implícita a noção de privilégio, por um lado, e por outro a noção de que se escapa por (muito) pouco ao enlace na mediocridade. é preciso ter sorte quando se nasce.



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quarta-feira, 26 de maio de 2004





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Ítaca *

agora que Ulisses repousa
o merecido descanso
sobre a pedra do regresso *

é tempo de voltar os olhos a outros mares
e deixar-me doer o coração por outras mágoas
agora não tão próximas
da partida e da ferida




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:: oh you call me Sysiphus, love... ::


são assim as nossas vidas, montanha acima as empurramos e, no entanto, não nos é concedida a graça de espreitar a manhã azul que ilumina o seu cume.



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segunda-feira, 24 de maio de 2004



:: Ilíada ::


ontem apanhei por acaso num zapping televisivo um filme sobre a guerra de Tróia. a curiosidade sempre se me desperta perante estas coisas, deixei-me a ver, já o filme ia a meio. mas consegui perceber o essencial:

# não se atribui qualquer importância à autoria de Ulisses na construção do cavalo de Tróia;
# Menelau é tomado como um fraco, ensombrado e subjugado por um irmão tirânico, sem força para afirmar uma luta pela mulher que reclama;
# Páris e Heitor são dois top-models em pleno desfile de beldades, não esquecendo que entre Páris e Helena se desenrola uma tórrida história de amor e paixão;
# Agamémnon surge-nos como um mercenário sedento de sangue, insidioso e trapaceiro, destruidor de Tróia e violador de Helena (!!!!!!!);
# Aquiles foi transformado num triste gladiador americano, inescrupuloso, lacaio do mercenário Agamémnon;
# a vil traição de Clitmnestra é milagrosamente eufemizada, e o brutal assassínio de Agamémnon apresenta-se-nos como acto de justiça, a própria Clitmnestra como a vingadora da pobre Helena e da morte da filha Ifigénia.


que o povo precise de entretenimento, eu percebo. que o povo se entusiasme mais com histórias aventuras e paixões acesas, com grandes dramas amorosos, em que há bons (muito bons) e vilões (muito maus), também percebo. que não interesse ao cinema comercial as grandes áreas cinzentas entre o bem e o mal onde se desenrola a acção da guerra de Tróia, também percebo. mas não percebo o gosto em deturpar, falsear, transformar a hitória numa coisa que ela não é, fazer dos personagens marionetas sem graça, humilhando assim toda a eloquência de uma grande epopeia. posso ser eu que esteja a ver isto do ângulo errado. mas não gosto de filmes assim.



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sábado, 22 de maio de 2004




:: respostas ::

Por vezes, precisávamos que tudo fosse simples

— como a luz esmorecendo sobre a tarde,
o verão balouçando nas copas das árvores,
os pés silenciosos no ardor do solo —

que tudo fosse simples como o amor pela terra.





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NOW
what?



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sexta-feira, 21 de maio de 2004




CATS





foi o Pedro que falou nisto. sim, são mesmo dois Tigres-de-Bengala, e sim, é mesmo como gatos domésticos que se comportam com o tratador. felinos, felinos, felinos. tenham o tamanho que tiverem, aos meus olhos serão sempre gatinhos.




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:: manifesto ::


há coisas que considero de profundo mau gosto. e, de entre elas, existem aquelas que considero insuportáveis. como é o caso desta Bloem de Ligny. vivia melhor quando vivia na ignorância da música que produz. não só é uma colagem descarada e frustrada (como é a sorte de toda a imitação) do trabalho da Björk, como não tem uma ponta de originalidade, uma marca pessoal, um vestígio de inovação. é isto que é de mau gosto. ofensivo. não suporto Bloem de Ligny. disseram-me que eram músicas bonitas, quase como se fosse um outro CD de Björk... mas não é Björk damnit! não suporto, não consigo ouvir, não posso ver. é que, como se todo esta fraude não fosse já suficientemente indignante, basta ver aqui como a rapariga, não se contentando em imitar a voz e estilo vocal da Björk, tenta também imitar-lhe a imagem! confesso, estou indignada. retirem-me esta merda do mercado. :|





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quinta-feira, 20 de maio de 2004



:: exercícios diurnos ::
rituais para o sol


#1 abrir as janelas de par em par
#2 fotografar os recantos dos muros cobertos de heras
#3 descalçar os pés e sentir o calor do chão
#4 duche pela manhã com a música a tocar vinda do quarto
#5 máscara purificante com extractos naturais de pepino
#6 passeio em torno dos livros
#7 sair de casa sempre a tempo



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quarta-feira, 19 de maio de 2004





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:: exercícios nocturnos :: os rituais do adormecer


#1 apagar as luzes da casa
#2 vestir pijama de verão
#3 escovar os dentes para
    rejubilar com o aroma do fluór
#4 lavar o rosto sem esquecer de
    aplicar o creme regenerador
#5 deitar na companhia de Nietzsche
    A Origem da Tragédia
#6 expulsar o peso das longas horas diurnas
#7 apagar as luzes
    dormir sem medo



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:: preâmbulo ::

o início - antecâmara - do verão acontece sempre assim.




Is you is or is you ain't my baby | Dina Washington
(Rae & Christian Mix)





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:: a propósito ::
os fabulosos dias da Mafia





tenho uma coisa a dizer sobre o Chicago. pode ser da minha natural embirração com as loiras insípidas, ou pode ser da minha irredutível antipatia pela insípida-mor Renee cara-que-desafia-soco Zelwegger, ou pode ainda ser de outra coisa qualquer, inomeável, que para o caso nem interessa. o que é certo é que a loirita não chega aos calcanhares da Catherine yeah-baby! Zeta-Jones. a morena canta melhor, dança melhor, mexe-se melhor, é mais sensual e - acima de tudo! - é muito melhor como vilã. B)

sempre tive preferência pelos génios maus, pelos bandidos, e confesso que no fundo sempre desejei que o Sylvester comesse o maldito pássaro - sonso e fingido, amrado em bonzinho! deambulações imprecisas à parte... incito-vos a descobrir as diferenças:




para os fãs da Zeta-Jones, até ofereço isto. digam lá quem é amiga, quem é?




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terça-feira, 18 de maio de 2004




:: boas novas ::

A Feira do Livro de Porto está de regresso ao habitual espaço do Pavilhão Rosa Mota, para a satisfação de muitos amantes das letras, oferece publicações a preços (um pouco) mais modestos do que aqueles que habitualmente se encontram nas livrarias. De 19 de Maio a 16 de Junho.




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:: explicação do verão ::

ouves, amor, o som dos pássaros à beira da água
ou o silêncio por trás da janela fechada

são tudo sinais da linguagem muda do chão
é por isso que o azul é deserto
e o sol abrasador

para que reconheçamos o ardor do solo
na inclinação das sombras
sobre as casas vazias feridas de branco
ou de excesso de luz





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:: é oficial ::





o primeiro girassol cá de casa é,
neste momento, mais alto do que eu.

há-de vir o verão e, se o seu grande olho amarelo florir,
poderei abrigar os meus olhos na sua sombra.



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segunda-feira, 17 de maio de 2004



:: da perigosa arrogância e a morte da tragédia ::


Eurípedes transportara o espectador para o palco para lhe facilitar a compreensão do drama (...). Ora o «público não passa de uma palavra e não deve ser considerado de modo algum como um valor sempre homogéneo e constante. Porque haveria um artista de se julgar obrigado a submeter-se a um poder cuja força reside apenas no número? E, se pelo seu génio e pelas suas aspirações, se sente superior a cada um dos espectadores em particular, como lhe será possível ter mais respeito pela expressão comum de todas as capacidades que lhe são inferiores do que pelo espectador individual melhor dotado? Na verdade, nenhum artista grego tratou o público, com tanta arrogância e insolência, como fez o próprio Eurípedes, durante a sua longa vida (...).

A Origem da Tragédia | Nietzsche


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Eurípedes, como poeta, procurava tornar o espectáculo da tragédia inteligível para o espectador, para lhe facilitar a compreensão do drama. e poderia quase considerar-se isto uma vantajosa conquista, relativamente à densa e insondável profundidade do enredo da tragédia ao estilo de Ésquilo, não fosse a presença da perigosa arrogância: dessa que surge disfarçada de complacência, e que é a pior de todas as espécies de arrogância, porque não se assume como tal, tendo por base um sentimento de superioridade em relação ao seu semelhante também ele mascarado de benevolência e paternalismo. é preciso fugir dessa espécie de arrogância, desses que se abeiram do ignorante e lhe dizem 'coitadinho, deixa-me iluminar-te o espírito'.
a natural superioridade que o artista que cria possa sentir em relação ao seu menos dotado espectador não deve jamais ser exercida sobre a forma de uma caridadezinha que procura destituir a linguagem artística da sua essência para a tornar acessível ao número. nem o artista deve constranger-se perante essa forma de superioridade. ou não fosse a falsa modéstia o primeiro sinal da perigosa arrogância.
foi por esta mão que começou a morrer, de morte súbita e violenta, a tragédia grega original.



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:: The Mob ::





Django Reinhardt was the first hugely influential jazz figure to emerge from Europe - and he remains the most influential European to this day, with possible competition from Joe Zawinul, George Shearing, John McLaughlin, his old cohort Stephane Grappelli and a bare handful of others.

A free-spirited gypsy, Reinhardt wasn't the most reliable person in the world, frequently wandering off into the countryside on a whim. Yet Reinhardt came up with a unique way of propelling the humble acoustic guitar into the front line of a jazz combo in the days before amplification became widespread. He would spin joyous, arcing, marvelously inflected solos above the thrumming base of two rhythm guitars and a bass, with Grappelli's elegantly gliding violin serving as the perfect foil. His harmonic concepts were startling for their time - making a direct impression upon Charlie Christian and Les Paul, among others - and he was an energizing rhythm guitarist behind Grappelli, pushing their groups into a higher gear. Not only did Reinhardt put his stamp upon jazz, his string-band music also had an impact upon the parallel development of Western swing, which eventually fed into the wellspring of what is now called country music.

Although he could not read music, with Grappelli and on his own, Reinhardt composed several winsome, highly original tunes like "Daphne," "Nuages" and "Manoir de mes reves," as well as mad swingers like "Minor Swing" and the ode to his record label of the `30s, "Stomping At Decca." As the late Ralph Gleason said about Django's recordings, "They were European and they were French and they were still jazz."

nas páginas amarelas.



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afinal também tenho ouvido isto. sem querer, descobri-o há coisa de um ano, aqui. este é o som do princípio do jazz, das ruas pontilhadas de luzes cheias de movimento, dos clubes nocturnos servindo rendez-vous mafiosos, da joie de vivre da década de 1930, o som dos fru-frus dos vestidos das senhoras ao ritmo do swing e do charleston, enfim - em última instância, é este o som (agora cheio de nostalgia) que acompanha o Tommy, a correr pelas ruas de uma cidade chamada Lost Heaven, fielmente acompanhado da sua Colt 1911.
e além de tudo isso, é boa música para estes dias de Primavera concretizada.



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domingo, 16 de maio de 2004



Les Triplettes de Belleville





















saibam que não tenho ouvido outra coisa senão isto



e que ando encantada. há muito tempo que não me acontecia assim encontrar algo a que pudesse realmente chamar de belo - em tudo o que o belo tem de simultaneamente comovente e irónico.



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les triplettes de belleville (officiel)
the triplets of belleville (sony pictures classics)




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quinta-feira, 13 de maio de 2004




:: música para o dia de hoje ::


Ursula Rucker | Silver or Lead



The Herbaliser | Something Wicked This Way Comes



Love | Forever Changes



Kruder & Dorfmeister | The G Stone Book



Howie B | Another Late Night



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quarta-feira, 12 de maio de 2004




:(O_O):



para acompanhar: mission improbable | the herbaliser



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<(^_^)>

o modus vivendi chegou à blogosfera quase no mesmo dia que eu. não consigo - nem me aptece - explicar quanto gosto do que escreve a Ana. é que nunca vi um nome de blog tão perfeitamente adequado ao seu conteúdo. parece que agora começou a vaga dos parabéns... é que são tantos em tão pouco tempo! a juntar a isto tudo, parece ainda que cá cheguei apanhando boleia de um belíssimo ford mustang...



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:: de sonhos e pesadelos ::


se há coisa que me fascina, são os sonhos. o absurdo, o bizarro, a estranheza todavia tão natural e tão (quase) lógica da ordem onírica das imagens. e além disso os fenómenos: o solavanco no sono, naquele limbo algures entre dormir e estar acordado, a perninha que salta ou o corpo inteiro num espasmo, a certeza de que se está a cair dentro de um poço ou abaixo de um precipício; e depois disso a questão do voo - é que toda a gente parece voar nos sonhos, há quem se veja acima dos fios eléctricos e tudo, mas eu não -, não chego propriamente a voar, o que me acontece é planar, quando caio do topo de um edifício ou de uma ponte, reduzindo suficientemente a velocidade da queda para sobreviver-lhe; digam lá se isto não é uma manobra bem mais criativa que uma tentativa icariana de alcançar o lugar dos pássaros. depois ainda a mudez, tão frequente, ou o entorpecimento do membros, não conseguir correr, não conseguir agarrar uma mão, ou qualquer dessas outras imagens de constrangimento pela falta de um elemento crucial, como caminhar despido pela rua - ou pior que isso!, sair à rua vestido, mas em chinelos - ou chegar a um exame sem caneta para o fazer. à parte disto tudo, lugares-comuns do subconsciente humano, ainda me fascina e intriga o derradeiro fenómeno: a consciência dentro do sonho. sei que sonho. sei perfeitamente que posso decidir o rumo do que imagino, porque estou a sonhar. não acontece sempre, nem sequer na maioria das vezes, mas bastantes. dessa forma até é possível dominar o medo, sossegá-lo, saber que está tudo bem porque estamos num lugar da nossa própria criação.

lembro-me quase sempre de sonhos e pesadelos. e quando não me lembro das imagens, acordo pelo menos com a memória vívida de uma sensação, abstracta e indescritível, mas que ainda assim resume por completo a essência do que sonhei a noite inteira. é uma espécie de angústia. como acredito que há uma simbologia a ter em conta na linguagem aparentemente ilógica dos sonhos, antes prestava atenção a tudo, a cada pormenor, tinha inclusive um caderno onde anotava diariamente os sonhos de que me recordava. depois, nem sei bem porquê, perdi esse hábito. é possível que os meus sonhos se tenham tornado menos interessantes.

para terminar, porque isto veio afinal a propósito do 'sonho de Laurie Anderson' e do pesadelo da Alexandra, acrescento que o Seta Despedida fica muito bem com o vestido novo. acho que tem tudo a ver. :)



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:: carpe diem # 4 ::


what's the buzz, tell me what's happenin'
what's the buzz, tell me what's happenin'
what's the buzz, tell me what's happenin'
what's the buzz, tell me what's happenin'


why shoud you want to know
don't you mind about the future
don't you try to think ahead
save tomorrow for tomorrow
think about today instead



Jesus Christ Superstar B.S.O. | What's the buzz

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:: welcome to... elmo's woooooorld! ::





Elmo é um monstrinho de 3 anos de idade, que aparecia na Rua Sésamo. há dias, passou um programa dedicado à rua mais famosa do mundo animado no People & Arts, e recordei. ri do princípio ao fim, e ri ainda depois, na memória de fins de tarde bem passados. o Elmo tinha outro nome e outra voz em português. mas o Elmo original, com a sua vozinha fininha de bebé, e a sua característica gargalhada, acalenta uma grande supresa: é o marreta manuseado por um homem negro muito bem constituído, com mais de 1,80 m. digo-vos, foi das coisas mais giras que tenho visto, assim um homem feito esganiçar a voz para dar uma gargalhada que não se pode descrever em palavras.



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terça-feira, 11 de maio de 2004



:: 11 de maio ::


Os jornais são livros feitos em comum. «O escrever em comum» é uma sintonia interessante que faz prever um grande aperfeiçoamento na arte da escrita. Talvez um dia se escreva, se pense, se aja em massa. Comunas inteiras, países, empreenderão uma obra.

Novalis | Fragmentos
in
Poemário Assírio & Alvim, 2004




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:: um ano de little black spot ::




gostava de riscar o teu nome no chão com a cara encostada às árvores. talvez então me doessem menos as pálpebras que encerram dois sóis negros.

Maio 2003


                                                  * * *




é bom o silêncio ao meio-dia, contigo, sobre a praia. refrescamos as feridas ao pé da água, enquanto re-aprendemos o amor à sombra perfumada das amoreiras.

Maio 2004



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segunda-feira, 10 de maio de 2004




:: II ::

três pedras negras
uma a uma as movo


uma sobre a pele
uma sobre o chão
uma sob a ferida.



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:: sandstones ::

três pedras negras
habitam a minha sede

da sua quietude
se alimenta
a minha fome

     * * *

três pedras negras
uma      a      uma      as movo


     uma sobre o abismo
     uma sobre o deserto

     uma sob o sol.



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:: jardins do Mal ::


demorei a chegar a isto, por falta de sol. hoje, se falo de jardins, é para resistir. para, num desses lugares dentro da memória, me esconder do frio, deste Maio mentiroso que atrasa a primavera.
quando penso em jardins, prefiro sempre pensar em qualquer coisa de fantástico, uma Alice minúscula perdida no meio de cogumelos gigantes e coloridos, lagartas que falam e se passeiam entre estranhas plantas, um mundo estranho a pulular de vida. preferia habitar um jardim assim, imaginário. à falta disso, tenho este:



Faculdade de Belas Artes do Porto


chamamos-lhe, quando por lá andamos, os 'jardins da FBAUP'. têm aquela característica muito particular do lugar estranho, simultaneamente cheios de boas e más vibrações. há uma certa negatividade no ar, que nos afasta, mas ao mesmo tempo uma doçura extrema, que nos pede que abrandemos e nos detenhamos por ali, só um pouco, a ser felizes. há caminhos escuros, sob o hálito fresco das árvores, onde inesperadamente as esculturas nos surjem, antigas, da sombra para a luz. há depois um lugar, em frente ao pequeno lago onde nadam os patos, onde é possível estendermo-nos ao sol, pensando em nada, esquecendo por completo uma aula que nos aguarda em qualquer parte. sobre os patos... não há jardim da FBAUP sem os patos. vemo-los o dia inteiro, em grupo, a patinharem de um lado para o outro, mergulhando na água, passeando pelo sol, grasnando junto aos vidros das janelas. são os nossos animais de estimação. ou eram. não sei se ainda existem os patos das Belas Artes, nem se sobrevivem os gatos que acolhíamos. é que se tornarem esses jardins um lugar estranho, agora que já não habitam neles os amigos com quem eu passeava.



Palácio de Cristal, Porto


chamamos-lhe assim mesmo, os 'jardins do Palácio'. porque aqui há, no preâmbulo de verão, em cada ano, uma Feira do Livro que é pretexto para passear ao ar livre, sob o sol, auscultando os ruídos da terra junto ao perfume das flores. porque aqui há animais, pavões majestosos que circulam pelo meio das pessoas, por vezes lançam-se em grandes saltos e entoam gritos que se ouvem por todo o lado, à procura de companheira. porque daqui se vê o rio Douro, que ao longe parece quase azul. mas acima de tudo, porque aqui amei, re-aprendi o amor, e deve ter sido aqui que vi pela primeira vez a ponta do abismo que escalava.



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:: não gosto ::


servir-me-á isto para uma nova reflexão sobre a resistência à mudança. porque eu, apegada à ternura dos velhos hábitos, resisto à mudança inesperada. mas por agora, basta-me isto, dizer que não gosto deste novo Blogger. é feio, pouco intuitivo, desajeitado, nada estético. estou triste.


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eu não gosto do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
eu não gosto


Adriana Calcanhotto



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sábado, 8 de maio de 2004



:: beauty ::



© Milton Montenegro


«beauty remains in the impossibilities of the body.»

Einstürzende Neubauten | Beauty
Silence is sexy, 2000




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sexta-feira, 7 de maio de 2004




:: literatura de verão ::


já tinha falado nisto brevemente. findo o inverno, é tempo de depôr os livros pesados e tristes, como quem se despe dos casacos de lã, das golas altas, e da angústia intrínseca do frio. até que o chão de novo se encha de uvas, até que os caminhos escuros, as ruas da aldeia, cheirem de novo a lenha, não mais pegarei nesses livros que me fazem sofrer o frio dentro dentro deles. e pegarei noutros. o primeiro sol, para mim, significa Ana Teresa Pereira, o leve aroma dos pequenos frutos à sombra silenciosa das minhas árvores; o verão significa-me Duras, implacável como o sol do meio-dia é a sua palavra, como se cravada à força no espaço branco do papel - cada palavra produz uma ferida, o que lemos é o próprio vazio que sangra. andarei com os livros de Marguerite Duras sempre por perto, tê-los-ei ao meu lado mesmo se apenas me sento para fechar os olhos, porque tenho o tempo, não há pressa de chegar ao fim de Duras, se não que faria eu dos restantes verões? e, acima de tudo, na claridade das horas longas, na limpa respiração dos dias luminosos e das noites perfumadas, reencontro Sophia, mas a essa trago-a por dentro, (re)escrita sob a pele.



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posted by saturnine | 19:45 | 0 Comentários


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:: Maio ::


parecia Maio ainda atrasado, demorado pelos arvoredos, ainda a vestir-se de folhas. Maia sobre a pedra, Maio sobre a terra, Maio sobre o pássaro. abre-se subitamente a tarde, Maio sacode no exterior a poeira fina do exílio da superfície das coisas. se por entre as nuvens, um raio de sol de escapa, é já suficiente para acender de amarelo o dia, e é já o meu reino prometido, dos lugares habitados pelo murmúrio antigos dos deuses nos jardins.



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posted by saturnine | 14:53 | 0 Comentários


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:: do regresso ::


«Regressar é um verbo que evito quando escrevo (quando leio não posso fazê-lo). O regresso soa-me sempre à viagem de Ulisses para Ítaca (dez anos e muita gaja e deusa pelo meio). O regresso é demorado, muito demorado. É deixar totalmente e durante muito tempo e depois voltar. Regressa-se quando se demorou muito a voltar. Acredito que seja mesmo um problema de tempo demorado na ausência.»


bomba inteligente


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isto a propósito de alguns posts anteriores a este, para auxílio do meu frágil entendimento do regresso, porque também aqui pensar regresso é pensar Ulisses, aguardado numa ilha magoada pela distância. não tenho muito a acrescentar. isto é só leitura de sobrevivência. para assegurar que há mesmo implicações humanas profundas no nosso exercício das palavras.



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posted by saturnine | 14:16 | 0 Comentários


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:: dois poemas
   para dois dias de chuva ::



De novo a laranjeira — olhai! — traz ante nós os frutos,
quais lágrimas vertidas
                            nos tormentos do amor
e de vermelho coloridas

Nos ramos de topázio
                            vede como as rútilas esferas
em ágata moldadas ficam expostas às suaves mãos do zéfiro
que têm martelinhos para uma a uma as percutir
E nós
        ora as beijamos
        ora nelas aromas aspiramos
e assim elas parecem faces de donzela ou perfumados pomos


Ruy Belo | A Laranjeira
tradução do poema de Abensara de Santarém (séc. XII)



                * * *


Invisível, espectro, ave escarninha,
por que te escondes nos arbustos negros?
Na casota esburacada do estorninho,
nas cruzes quebradas ora faíscas,
ora gritas da torre de Marinka:
«Hoje voltei a casa.
Admirai, campos maternos,
o que por causa disso me esperava.
Meus seres amados sorvidos num abismo,
a casa dos meus pais aniquilada.»
Hoje andamos, marina, tu e eu,
pela capital da meia-noite, em nossa
peugada milhões de semelhantes,
e não há procissão mais silenciosa,
à volta dobram fúnebres os sinos
e os gemidos selvagens da nevasca
moscovita, cobrindo nossos trilhos.


Anna Akhmátova | Resposta Tardia



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posted by saturnine | 11:02 |


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quarta-feira, 5 de maio de 2004




:: do pão para a boca ::

se afinal nos cabelos de Penélope o sol brilhava
se o próprio mar da Ítaca partilhava o sal das suas lágrimas
então talvez seja possível começar a perdoar Ulisses
— aquele que de coração magoado
não aprendera ainda a regressar.


e eu sem saber
que no exercício da tristeza
uma outra morte se urdia
que apesar do medo e da distância
era clara a noite sobre a ilha.




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posted by saturnine | 23:51 | 0 Comentários


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:: promessa de sangue ::

sobre as pálpebras       sobre os ombros
o peso de um verão adiado

há-de vir o dia
             o sol
e o seu reino claro de espaços

entretanto
urdem as sombras os nosso segredos.




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posted by saturnine | 23:42 | 0 Comentários


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terça-feira, 4 de maio de 2004




*pergunta*


porque terei eu votado Penélope à amargura e à tristeza, se em cada dia, afinal, brilhou o sol nos seus cabelos?



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posted by saturnine | 00:31 | 0 Comentários


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*oásis*


aqui chegamos nós à beira da água
e ainda assim se cristaliza a substância da nossa sede
é o silêncio      o céu deserto      o azul esmagador
ou o sol sobre a ferida        a palavra sobre o chão.




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segunda-feira, 3 de maio de 2004




:: watermarks ::


obviamente que o amor, enquanto dura, é para sempre. ainda assim, não posso compreender o que leva alguém a tatuar um nome de outro sobre a pele. acho que para marcas permanentes — da memória do amor — bastam as que ficam sob a pele, que nenhuma cirurgia pode remover.



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posted by saturnine | 19:41 | 0 Comentários


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:: c'est la vie ::


por vezes, entre tantos posts sem importância absolutamente nenhuma, acontece-me escrever exactamente aquilo que quero dizer.



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posted by saturnine | 19:26 | 0 Comentários


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Medusa | Caravaggio



Frozen there in time
They marvel at the beauty
The horror and despair
At the wake of the Medusa
No one shed a tear


The Pogues | The wake of the Medusa



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posted by saturnine | 12:55 | 0 Comentários


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:: photo graphia ::


gosto de mim o suficiente para acreditar que as fotografias não me fazem justiça. em todas elas não me vejo eu, mas sempre um Cyranno de Bergerac. é possível que um rosto, escrito através da luz, não revele tudo aquilo que tem para dizer.



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posted by saturnine | 11:57 | 0 Comentários


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afirmação:


de entre todas as coisas do mundo
não há nada que ame mais do que o sol.



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posted by saturnine | 03:00 | 0 Comentários


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:: elogio da maldade #1::


«O corpo vive porque se desintegra, sem se desintegrar demais. Se não se desintegrasse segundo a segundo, seria um mineral. A alma vive porque é perpetuamente tentada, ainda que resista. Tudo vive porque se opõe a qualquer coisa. Eu sou aquilo a que tudo se opõe. Mas, se eu não existisse, nada existiria, porque não havia a que opor-se, como a pomba do meu discípulo Kant que, voando bem no ar leve, julga que poderia voar melhor no vácuo.» (...)

«Minha senhora, eu sou o Diabo. Sim, sou o Diabo. Mas não me tema nem se sobressalte.»
E num relance de terror extremo, onde boiava um prazer novo, ela reconheceu, de repente, que era verdade.
«Eu sou de facto o Diabo. Não se assuste, porém, porque eu sou realmente o Diabo, e por isso não faço mal.
Certos imitadores meus, na terra e acima da terra, são perigosos, como todos os plagiários, porque não conhecem o segredo da minha maneira de ser. Shakespeare, que inspirei muitas vezes, fez-me justiça: disse que eu era um cavalheiro. Por isso esteja descansada: em minha companhia está bem. Sou incapaz de uma palavra, de um gesto, que ofenda uma senhora. Quando assim não fosse da minha própria natureza, obrigava-me o Shakespeare a sê-lo. Mas, realmente, não era preciso.
«Dato do princípio do mundo, e desde então tenho sido sempre um ironista. Ora, como deve saber, todos os ironistas são inofensivos, excepto se querem usar da ironia para insinuar qualquer verdade.
Ora eu nunca pretendi dizer a verdade a ninguém — em parte porque de nada serve, e em parte porque não conheço. Meu irmão mais velho, Deus todo poderoso, creio que também a não sabe. Isso, porém, são questões de família.»


A Hora do Diabo | Fernando Pessoa


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The priests and the friars
Behold me in dread
Because I still love you
My love and you're dead


I am stretched on your grave | Dead Can Dance



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posted by saturnine | 02:19 | 0 Comentários


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:: pensando melhor ::

atravessando a noite
— onde eu pensava que o negro era só silêncio —
um cântico
profundo e claro
como se as próprias árvores
ou as sombras
sibilassem.


para ouvir: The End of Words | Dead Cand Dance



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posted by saturnine | 01:49 | 0 Comentários


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:: gotta love this cat ::








quando não há palavras, faz-se o que se pode.



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sábado, 1 de maio de 2004




:: poesia em castelhano ::

Observa con qué facilidad escribes
sobre pájaros. Pero ¿cuántos has palpado
amorosamente con el calor de tus manos?
¿Cuántos han latido realmente
bajo la presión de tus dedos?
¿Acaso los has descrito
sin olvidar detalle como quien
conoce bien un cuerpo amado?
¿Los has liberado acaso
del peso de tus palabras?


Juan Calzadilla | Cantar a los pájaros


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todos os dias recebo um poema em castelhano. fui pedi-los aqui.



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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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