terça-feira, 30 de setembro de 2003



presentes de aniversário



Port of Call | Silje Nergaard



Mass, Sequentia "Dies Irae" | Brumel


ainda parcamente ouvidos. mas pelo menos a esperança de que posso adormecer. a música tornou-se-me estranha, cheia de corredores assombrados. o que é demasiado familiar pode tornar-se assim: gigantesco, contudente. ao lado da estante dos CD's ergue-se uma nova pilha de coisas que não conhecia. afinal não adormeci com Sigur Ròs. adormeci no silêncio. e sonhei.





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hoje revisitei S. Lázaro e entristeci-me de saudade


tudo tarda, excepto o que já não volta. há ruas onde a noite cai silenciosa e o chão molhado da primeira chuva que reflecte as poucas luzes deste lugar desolado. o edifício velho e a saudade do que ficou. as mesmas ruas, o jardim decadente, mas ainda assim as ruas, os seus quarteirões desordenados, o café de sempre de todos os dias, seja como for, para que interessa isso?, se nessas ruas caminhamos e algures nos seus passeios restam os lugares onde crescemos?





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posted by saturnine | 02:59 | 0 Comentários


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é possivelmente a sensação de alívio, senão mesmo de rejúbilo, após dois ou três passos tímidos que confirmam que se pisa solo de confiança. tudo isto se resumo ao encontro de um sítio onde se pode estar. esforcei-me durante muito tempo por não recordar certos sons, dos mais belos de todos, por receio de quebrar qualquer coisa cá por dentro ante tanta beleza simultânea. deixei Sigur Rós gravados no silêncio. hoje, foste acordá-los, e sei que sairão da estante, mesmo sabendo que me deixam ainda sem qualquer protecção contra a noite.*

* Vítor Oliveira Jorge





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posted by saturnine | 01:03 | 0 Comentários


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innocent until caught


Was there something more I could have done?
Or was I not meant to be the one?
Where's the life I thought we would share?
And should I care?

And will someone else get more of you?
Will she go to sleep more sure of you?
Will she wake up knowing you're still there?
And why should I care?

There's always one to turn and walk away
And one who just wants to stay
But who said that love is always fair?
And why should I care?

Should I leave you alone here in the dark?
Holding my broken heart
While a promise still hangs in the air
Why should I care?


há coisas perfeitas. mesmo quando são de gosto duvidoso.
and don't call me baby.






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posted by saturnine | 00:43 | 0 Comentários


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sexta-feira, 26 de setembro de 2003



o luto não está no negro das roupas


milhares de anos passados e ainda não aprendemos a lidar com a morte. dizem-no as palavras desastradas, os gestos inacabados, as lágrimas indigentes que não sabem nomear a dor de que brotam. sustenta-se o inconfessado medo do desconhecido na sacralidade dos rituais, e neles depositamos o único consolo possível para o engano que é uma partida sem despedidas. é o assombro do indizível que nos esmaga, que me esmaga, que deixa a alma em destroços que não se sabe a que lugar pertencem.
só os mortos sabem morrer. * os rituais, esses, são para os vivos, tal como as despedidas são para quem fica. e ali sentem-se densos e quase visíveis os laços quebrados, os laços fingidos, os laços incómodos. expostos, vergonhosamente, com o pudor da primeira nudez. face a eles, os nós. firmes ante o silêncio, contra a irresolução do rosto desconhecido da morte que o habita.
fica tudo por acabar. como se resolve sozinho uma vida que era dual? restam apenas os nós apertados em abraço. para recolher os destroços, juntar os cacos.


* Mia Couto

este post esteve 'congelado' desde sexta-feira, terminado agora na segunda. quem diria que um abismo tão grande separa os dias no fim de semana?






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quarta-feira, 24 de setembro de 2003



a propósito


um belíssimo texto, dos melhores que tenho lido, sobre o cibersilêncio:


«Percorro os blogues, a Blogolândia não existe, existe um imenso falar que me suscita o sentido agudo de uma nova espécie de isolamento. Com que este ecrã faz fronteira, como faz fronteira o ecrã do outro, e todas juntas as fronteiras formam favos, inúmeros favos como os das abelhas, onde há um teclado, um monitor e um ser sozinho que pensa e sente dentro de um favo. Parafraseando, estou a cair nas malhas que o futuro tece. Vou sair, coisas do trabalho, banco, papelada, mas também sol, árvores, e pessoas que afinal também são favos, dentro dos contornos rígidos da sua realidade ferozmente individual.»





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nos últimos tempos tenho andado a descobrir o ford mustang. ter descoberto lá david lynch foi bom sinal. hoje tornou-se incontornável, com david bowie.


o que há de melhor nesta forma de expressão, para mim, é o encontro de afinidades. acusam-nos, a nós bloggers, de umbiguismo, elitismo, narcisismo, e outros quaisquer 'ismos' enfadonhos, dizem que nos limitamos a falar uns dos outros, a cultivar egocentrismos.
sinceramente, isso não me interessa minimamente. como disse, o que aqui encontro de melhor são as afinidades. será também assim tão dramático nos círculos de amigos em que cada um fala de si e dos outros e constantemente se entrega a uma partilha do que, sendo comum, enriquece afectivamente todos?






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desfaço durante a noite o meu caminho*


somos constantemente atraiçoados pelo subconsciente. tudo o que de dia precariamente construo, a noite audaciosa destrói. nisto percebo o que em mim há de Penélepe. contra minha vontade, a minha manta se desfaz. aquilo que esqueço e enterro durante o dia, o sono desenterra e traz à luz. não se consegue contrariar os sonhos, mesmo quando Ítaca é já uma ilusão distante.


* de Penélope | Sophia de Mello Breyner Andresen





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good mourning, heartache


não fui sequer a tempo da breve ilusão de estar feliz pelos meus 24 no dia 24. o que é triste viaja mais depressa. na impossibilidade de algo mais, deixo eu aqui um presente possível para P.







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terça-feira, 23 de setembro de 2003



estrangulam-nos os sonhos, os cobardes


pedem-nos que abdiquemos dos sonhos. pedem-nos que entreguemos os desejos de uma vida no prego, para uma outra geração os resgatar. dizem-nos que não há espaço no mundo para se ser quem se quer.
e eu vou enfrentado 50 olhos miúdos postos em mim, com vontade de brincar e eu cheia de vontade de brincar com eles, mostrar-lhes como é bom as mãos sujas de barro, e depois ainda os 50 olhos dos paizinhos que pisam o meu sonho à entrada da porta e só perguntam porque é que o menino não fez os trabalhos de casa. porque gosta mais de construir espanta-espíritos de papel, e é isso o que se espera que eu lhes mostre.





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foi hoje o equinócio de Outono no hemisfério norte. equinócio [do Latim aequinoctium] significa 'noite igual', referindo-se ao facto de a duração do dia e da noite ser igual no momento em que o Sol se encontra sobre a linha do Equador.




DESTE OUTONO

Novembro, som absoluto,
com as suas sílabas suaves,
as vogais pairando na aragem,
e na luz lenta dourada outros
sons soltos consoantes.

Fiama Hasse Pais Brandão, As Fábulas





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chegaram hoje.

L'étranger | Albert Camus
Écrire | Marguerite Duras
Le Square | Marguerite Duras

não lia em francês desde os cadernos de História da Arte da professora Goulão. com esforço de dicionário e muita ginástica mental o fazia na altura. agora, que sera, sera. foi a resolução pelo desgosto da tradução que li d' O Estrangeiro. para depois. quando passar o outro desgosto, o de todos os livros que abandonei pelo cansaço. [preguiça]





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apelo estético


é a preguiça, acima de tudo, o princípio gerador do caos que me sustenta. e não é sem um certo incómodo que percebo a sua acção devastadora perante o tempo que passa, e subitamente me vejo mais próxima do limiar do tempo perdido. 'tarde demais' é a expressão mais triste de qualquer língua. no torpor da preguiça, há meses incontáveis que não visito Serralves, que não me passeio pelos jardins do Palácio, que não vou ao cinema, que não leio jornais. só ia onde fosse a minha âncora. hoje, a tristeza de navegar à deriva é ainda assim uma promessa de liberdade, e o desejo de mergulhar finalmente no mundo que me espera. preguiçoso e ignorante é este pontinho. fui uma vez na vida à Casa das Artes, ver um filme que detestei. será compreensível?


.: para depois :.

gostar de ti é um engano, um desfasamento de tempo. certo é o não gostar de gostar de ti, o não suportar este não querer-te simultâneo com a saudade de tudo o que já não és.





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segunda-feira, 22 de setembro de 2003



drenagem #2


hoje vou arrancar as fotografias uma a uma, da mesma forma que os nomes na lista telefónica se misturam em amigos indiferenciados. um outro dia, reunirei os objectos, e um a um arrumá-los-ei em caixas. organizar o espaço em volta é a segurança de organizar o espaço em falta [por dentro]. a pouco e pouco, aniquilarei os vestígios desta persistente presença. e não porque o tempo não permita o sossego da convivência, mas porque é chegado o tempo de morrer como morrem as folhas no Outono, e de vagar o espaço para que algo novo venha e dele se ocupe. é tempo de salgar as feridas e queimar a terra. porque chão que arde é chão tornado fértil, e certeza que algum fruto dele nascerá.





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drenagem #1


não sei como dizer disto que me acontece, desta explosão de saudade insaciável, que me chega como escada de pau encostada a um muro que não termina. o que é curioso é que nunca fui criança de vindimas, de brincadeiras na terra preta, de subidas aos muros para roubar laranjas, joelhos esmurrados dos jogos de berlindes, nem sequer de histórias contadas pelo avô, biscoitos feitos pela avó. isso nunca tive.
nunca uma só vez fiz o caminho de casa de bicicleta, nem me apercebi que eram plátanos que ladeavam os meus passos incertos. acredito que nascem inseguras as crianças do Outono. tristes e amedrontadas, talvez por nascerem próximas já dessa evidência da morte que é a nudez abandonada das árvores.
o peito enche-se-me de uma aflição irreconhecível, é certo apenas que Novembro está próximo e que terei novamente que aprender a caminhar pelas ruas debaixo de chuva, com as mãos perdidas pelos bolsos. tacteio as palavras e avoluma-se o engano do que não fui. cresci emparedada pelos labirintos do medo. fiz-me pedra, fiz-me fonte, fiz-me sombra. alheia às buganvílias, às magnólias, às heras que crescem como cabelos pelas paredes e pelas colunas. tive apenas o perfume das madressilvas, a doçura das amoras pretas, os domingos para ir buscar água à fonte. agora acontece apetecer-me o conforto do que passou, um lugar à mesa onde houvesse figos, pão e mel, e romãs como as de outrora, mas o que é incontornável são os lugares que restam vazios, e a certeza de que à mesa falta gente, ou falto eu, a tempo de crescer acreditando que o Verão também existe para recompor as almas do suplício da melancolia.
tenho os gatos, tenho os cadernos de linhas, tenho acima de tudo esta visão sobre o deserto que é o lugar vasto que trago sob a pele, e assim caminho com uma mão aqui, outra ali, titubeando a natureza das feridas com estes equívocos que são os sonhos.
arde-me por dentro o que até aqui foi o meu corpo, agora encolhido como se procurasse que os braços voltassem a ser pequenos e a oferecer apenas abraços raros, e não sei de facto dizer desta ânsia de um inverno que dure um pouco mais, que me deixe acomodar-me enrolada nas mantas de lã em roda do papel de embrulho rasgado apenas o tempo de esquecer-me que, regressando o verão, faltarás tu.





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por tua causa
recordo a infância
vertebrada de afectos

por tua causa,
o cheiro das uvas
nas urzes dos montes

se me falam de figos
de mesas de Natal
de sol gelando na face
ou de qualquer outra coisa
densa próxima táctil

acredito na intimidade das sombras
na natureza outonal do meu nome.





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posted by saturnine | 14:43 | 0 Comentários


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madressilvas no caminho


recordo-me da rua quase íngreme, que descia até à antiga casa do avô, que era o único caminho que eu conhecia na minha terra. lembro-me dos molhos de silvas por onde enfiava os braços, alheia aos arranhões, para colher três encantos que desde então nunca mais encontrei aqui: bagos de amoras negras e doces, madressilvas perfumadas com seu corpo de bicho e o cheiro dos eucaliptos nos dedos. ainda então, não sabia andar de bicicleta.





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outonal #2

o lamento visível é
o corpo que não volta
a fazer-se tenro
como a promessa
de que há-de crescer

e nunca mais agora
poderei abraçar um plátano
com braços insuficientes
nem cair da bicicleta
para os silvados de amoras
ou sequer aquietar um pássaro
nas minhas mãos de criança

se não fui a tempo
de rir todos os risos
cair em todos os caminhos
sonhar todas as histórias
talvez agora encontre
uma sucessão de passos
semelhante à memória
das sombras na parede do quarto
dos casacos para enfrentar o vento
dos inesperados labirinos do medo

aguardo um Outono pacífico
um outro silêncio que não este
um poço de folhas para pousar
o corpo agora desmesurado
amedrontado e espectante.





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domingo, 21 de setembro de 2003




por motivo de um lirismo inconsequente, um dia achei-me folha caída. é incontornável, sou uma filha do Outono. e o que antes me inspirava medo, discretamente se acomoda agora em pressentimento. de que talvez tudo esteja certo. que talvez Outubro venha e reencontre o que de mim ficou perdido pelas veredas do verão.







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posted by saturnine | 23:20 |


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que será da natureza do mal?


será que alguém pode ajudar a natureza do mal? ironicamente, algo de demoníaco parece ter-se apossado do template que agora tem vontade própria e anda sozinho a fazer estragos. um pedido de auxílio a quem perceba de exorcismos electrónicos, se faz favor!

posted by saturnine | 22:59 | 0 Comentários


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os joelhos dobram mas a espinha não quebra


Crowds | Bauhaus

What do you want of me
What do you long from me
A slim Pixie, thin and forlorn
A count, white and drawn
What do you make of me
What can you take from me
Pallid landscapes off my frown
Let me rip you up and down

For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations
Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through

You worthless bitch
You fickle shit
You would spit on me
You would make me spit
And when the Judas hour arrives
And like the Jesus Jews you epitomize
I'll still be here as strong as you
And I'll walk away in spite of you

And I'll walk away
Walk away



isto já por cá passou. mas hoje regressa em jeito eufemístico de um outro 'foda-se'. pronto, já disse outra vez.





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posted by saturnine | 11:21 |


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sábado, 20 de setembro de 2003




custa-me por vezes ainda a falta que me surpreende em certos momentos, tanto que me obriga a trazer um cobertor ou uma manta pelos ombros em pleno Setembro, como se o calor lá fora fosse um mero engano, um desencontro com a realidade do frio dentro deste corpo-crisálida, amedrontado e espectante de qualquer coisa.





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sexta-feira, 19 de setembro de 2003



para oferecer às meninas que usaram coroas de espinhos


[tu que talvez as usasses, que transportas um espaço dentro semelhante ao meu.]



Kingodom's Coming | Bauhaus

Madness in the wind's got something to say
It ripped you apart
It will always be that way

It said kingdom's coming, causes chaos
Will cut to pieces
The film you saw today
It's your big bad secret
Your crown of thorns



Who killed Mr. Moonlight | Bauhaus

Consider green lakes
And the idiocy of clocks
Someone shot nostalgia in the back
Someone shot our innocence

A broken arrow in a bloody pool
There in the face
Of midnight proposals
Someone shot nostalgia in the back
Someone shot our innocence

In the shadow of his smile
In the shadow of his smile
In the shadow of his smile
In the shadow of his smile

All our dreams have melted down
We are hiding in the bushes
From dead men
Doing Douglas Fairbanks' stunts

All our stories burnt
Our films lost in the rushes
We can't paint any pictures
As the moon had all our brushes

Extracting wasps from stings in flight
Who killed Mr. Moonlight?
Who killed Mr. Moonlight
In the shadow of his smile
Who killed Mr. Moonlight
In the shadow of his smile



Hollow Hills | Bauhaus

Ancient Earth work fort and barrow
Discreetly hide their secret abodes
The most fearful hide deep inside
And venture not there upon Yuletide

For invasion of their hollow hills
That music hold and Oberon fill
Is surely recommended not
For fear of death, in fear of rot

Hollow hills
Hollow hills
Hollow hills
Hollow hills

Baleful sounds and wild voices ignored
Ill luck disaster the one reward
Violated sanctity of supermen's hills
So sad, love lies there still
So sad
So sad
Hollow hills
Hollow hills
Witches too and goblin too and speckled sills
Lament repent oh mortal you
So sad
So sad

[também a ti, em cujas palavras me converto em transparência.]





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porque eu avanço e ele não


sou como a Björk: i fall in love too easily. nem sei porque vem isto a propósito.
talvez porque recordo os primeiros amores de infância, num dia em que a morte afirma a sua presença pelas palavras. lembro-me do J.P., com o seu rosto que nunca envelhecerá. esta estranheza de alguém que me parece apenas estar num lugar onde eu já não vejo. não sei porquê. acontece que nunca me lembro que tenho um amigo que morreu. e por isso mesmo, se me ocorre pensar nos amores de infância, entristece-me saber que nunca conhecerei o rosto de um J.P. da minha idade. eu avanço e ele não.





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quinta-feira, 18 de setembro de 2003





Starry Night, Van Gogh


por vezes esqueço-me o quanto gosto das coisas que gosto mesmo muito. mesmo no interior de um corpo destroçado, algo de essencial e bom se reúne. nada poderá agora deter o sol, e eu rendo os ombros à evidência da estação. caminho sobre folhas, escrevo no prolongamento das sombras. no meu jardim, sinto por vezes chegar o cheiro das uvas e da lenha. é já a certeza de mais uma pequena morte, «ó mãe, tenho mesmo que ir já dormir?»... «sim, já está à tua espera a tua cama de cinzas.»





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posted by saturnine | 21:20 |


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«Que a adversidade pode ser áspera, mas nela nascem estrelas.» | reflexos de azul eléctrico





«Antes das lágrimas é sempre o silêncio que se pressente, / os lábios como duas pedras numa impossibilidade de palavras.» | lugar da incerteza







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posted by saturnine | 21:11 |


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já o tenho. chegou hoje. procurei a página do Ithaca apenas para me situar, para me certificar que estáva lá. mas o primeiro poema que li foi este:


DESIRES

Like beautiful bodies of the dead who had not grown old
and they shut them, with tears, in a magnificent mausoleum,
with roses at the head and jasmine at the feet -
that is how desires look that have passed
wihtout fulfillment; without one of them having achieved
a night of sensual delight, or a moonlit morn.






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quarta-feira, 17 de setembro de 2003



isto é


sinto falta do dia em que senti falta de ser criança.





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© www.garfield.com

[certas coisas apenas se sucedem porque, no que à escrita diz respeito, não podem acontecer em simultâneo.]





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rumor


sinto falta de um dia preciso. um único fim de tarde no lugar onde me aconteceu lembrar-me que há vários anos não era já criança. uma estrada estreita no primeiro breu de inverno, o mero som dos passos sobre o paralelo, árvores mudas em volta, o cheiro da primeira lenha chegando de longe, e o ar frio que me gelava no rosto um aroma de pinheiros, de pão quente, de castanhas e nozes à mesa de Natal.
sobre esse dia escrevi, sobre o espanto do primeiro negrume de Novembro. sobre o rumor desse mês de promessa de abandono e de morte. mas só hoje me ocorre ter-me doído o sentir distante os dias em que percorríamos a casa vasculhando os armários em busca de presentes embrulhados em papel colorido. isso e os camisolões que não gostava de usar, e as mulheres todas na cozinha a esmigalhar pão para os mexidos.





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de vez em quando volto a isto. quando acontece o cansaço que me impede de concentrar-me em mais do que duas linhas de leitura. oa grandes clássicos da literatura à minha disposição, cansaço mínimo garantido. B)


Guerra e Paz | Leon Tolstoy

History controls everything we do, so there is no point in observing individual actions. Let's examine the individual actions of over 500 characters at great length.

THE END




Huckleberry Finn | Mark Twain

Hucleberry Finn
(Goes rafting. Goes home.)

THE END



para ver tudo, book-a-minute.





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segunda-feira, 15 de setembro de 2003



outonal


hoje
senti o cheiro das uvas
o negrume adoçando os dedos
bago a bago o outono deflagra

e eu ouço
o canto triste dos plátanos
os passos dúbios da chuva
como se em algum lugar
houvesse pão a cozer
e um fogo dentro de casa
noite escura pela tarde ainda a meio

e recordo
os risos em volta da escola
os joelhos esmurrados doridos
esse tom de infância
que nunca mais terei.





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que farei quando tudo arde?


esta noite, o suspiro que não se ouve no alto da montanha. a criança corre de joelhos esfolados perseguindo o cheiro a bolos quentes. caída ao lado, a bicicleta que nunca usou. não vejo traços de bonecas, não recordo o odor da madeira do velho teatro, invento uma janela com vista para o prado onde se esconde o verde dos olhos que um dia me esperaram. joga-se à cabra-cega com a memória. não tenho nada para dizer senão o engano do que não fui. e por isso mesmo, tudo arde o seu fogo fértil.





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posted by saturnine | 22:47 | 0 Comentários


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arrisco
tão só esgravato
a terra com as unhas
sujas cortadas pobres

mas é na pedra que risco
que deixo o sangue
e pedaços de pele
o pouco de mim que
sobra para gastar
num voo rente ao chão

porque é precário ainda este solo
de urzes e cardos entrelaçados
e eu aqui esperando flores.
......................................................





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When you start on your journey to Ithaca,
then pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.
Do not fear the Lestrygonians
and the Cyclopes and the angry Poseidon.
You will never meet such as these on your path,
if your thoughts remain lofty, if a fine
emotion touches your body and your spirit.
You will never meet the Lestrygonians,
the Cyclopes and the fierce Poseidon,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not raise them up before you.



este é um excerto do poema Ithaca de Konstantin Kavafis. a parte que eu já compreendo. que trago comigo. e escrevo agora porque afinal me enganei, afinal a Charlotte tinha deixado junto com o poema a pista para o encontrar, e eu tonta que não procurava. estou contente. está encomendado. teoricamente, teria agora apenas uma coisa a perturbar-me: mas não. o que substitui a falta de Kavafis é uma falta ainda maior. a incapacidade de ler. acumulam-se pilhas de livros no meu quarto. duas linhas já me cansam. estou esgotada. :|





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domingo, 14 de setembro de 2003



dos ecos dos passos por dentro


duas coisas me perturbam ultimamente, duas que são muitas no final de contas, mas que sejam duas para começar:

1. não consigo encontrar nada de Konstantin Kavafis. não o vejo nas livrarias, nem nas livrarias online. aparecem algumas páginas na net com pouca informação e um ou outro poema, mas isso não me basta. depois do poema Ítaca eu sinto necessidade de ler tudo e guardar tudo. recomendaram-me ainda Deus abandonou Antínoo. ajudem-me, sim?

2. praticamente não consigo ouvir música. se escolho ouvir, é por necessidade ainda presente de contornar a insónia, mas custa-me a decisão. sinto o risco iminente: tudo o que é afectivo é frágil. a música detém um magnetismo fenomenal no que diz respeito à apropriação da inteireza dos momentos - num rigor de mecanismos intactos que suplantam a própria memória. tenho medo de ouvir música, porque o que ouço hoje será o que não poderei ouvir amanhã. se não quiser arrastar um coro de vozes assombradas atrás de mim.





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III

a deslocação interna dos orgãos vitais do amor em ruína asseguram a distância que de agora em diante nos diferenciará. não mais nos confundiremos em desencontros e súplicas, nem as feridas abertas reclamarão o bálsamo do nosso nome comum. em silêncio, o que havia de incerto estilhaça-se e desfaz-se para sempre. há partes de mim deslocadas. mas que talvez estejam a caminhar para o lugar a que pertencem.





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II

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


Pergunta-me | Mia Couto


se fosse possível ainda - ou já - o tempo da saudade. mas não é e não me atrevo. o que sempre te quis dizer, lamento, agora pertence a outrem. tenho duas mãos postas no meu coração e basta-me.






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I

doravante já não haverá histórias para contar ao fim do dia, já não haverão as horas tardias de abraços tão mornos em frente ao televisor, já não haverá a possibilidade do convite para um passeio, para as coisas que se gosta de fazer a dois, tal como já não haverá o mesmo reconhecimento na voz, nem os telefonemas religiosos como um culto, nem sequer a disponibilidade para uma pergunta, para uma coisa qualquer que se diga que estreite o espaço - que ainda assim é tão doloroso, tão vasto - entre duas pessoas que se tocam na brevidade de um encontro. doravante já não haverá o que justifique preocupar-me se são seguras as tuas viagens de regresso a casa.





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agora creio poder dizer estar preparada para que o Outono venha.

tenho comigo A Árvore e A Floresta, de Sophia de Mello Breyner. não sei exactamente o que é recuperar uma infância perdida. sei que leio contos infantis.






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sábado, 13 de setembro de 2003



há magia por dentro do que vive, o próprio desencontro reafirma a eternidade que sonho


não se trata de vida poetizada, nem de metáforas inacessíveis aos arrepios do corpo: é bem real a poesia intrínseca das coisas em certos momentos, e o rigor com que a alma regressa complacente ao lugar que ocupa dentro do corpo. nada poderia (a)pagar o dia de hoje. tudo está no lugar em que deveria estar. até o amor desmembrado, desastrado, adormecido sob a memória do sol. as horas são mansas para com o ardor latente, ao contrário do hábito das minhas noites inflamadas. tudo repousa, e só uma levíssima aflição que quase dói me distrai. o silêncio hoje tornou-se livre e não tenho medo. não sei porquê, mas já não tenho medo. como vêem, um palavrão na hora certa pode ser, mais do que balsâmico, quase redentor.





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posted by saturnine | 23:47 | 0 Comentários


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post-metade, ou dualidade sobre as promessas


dizia eu que afinal, inesperadamente, acontecem pequenos milagres. nem tudo é exílio, nem tudo é templo que desmorona, nem tudo é tempo esquartejado. há momentos com o seu tempo certo, com a sua fibra certa, com a limpidez e o rigor das promessas resgatadas dos destroços.



o que me aconteceu, ainda, no dia de hoje foi isto: um dia prometido concretizado, um desejo feito matéria viva, um pedido concecido, como se tivesse esfregado uma lâmpada que atrasou Setembro e me devolveu o azul que não fui a tempo de viver. ah, sim... hoje fui à praia. tomei banho no mar e salguei as feridas.





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posted by saturnine | 21:46 | 0 Comentários


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os dias prometidos




para saber mais, seguir em busca dos dias prometidos.


esta sou eu. esta também. creio ter-me escondido por medo que as promessas não se cumprissem. mas hoje, tudo é limpo e renovado. há surpresas que valem pequenos milagres. a natureza do mal veio até mim e (re)conheci um rosto próximo e familiar. há coisas inexplicáveis. :)





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posted by saturnine | 20:25 | 0 Comentários


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sexta-feira, 12 de setembro de 2003



como Antígona


eu sou aquela que não aprendeu a vergar-se perante as desgraças.





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posted by saturnine | 20:54 | 0 Comentários


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quarta-feira, 10 de setembro de 2003




[não é ainda um regresso. estou só à porta a chutar os móveis. aconteceu-me exactamente uma coisa assim. insuflei. entre o aperto e a quebra, ainda assim alguma em mim se reafirmou. talvez consiga. os passos que ainda são muitos para os meus pés. alcancei a superfície e respirei de uma golfada. por um momento, voltei a pertencer-me e decidi o rumo dos meus soluços. tenho o rosto endurecido e a alma estilhaçada. mas encontro-me e reconheço-me em cada um dos fragmentos destroçados. não preciso de ti afinal. e consigo passar-te por cima como o bulldozer monolítico que sempre fui. o amor e o cansaço não se implicam. a diferença do dia de hoje é que, no lugar do 'foda-se' o meu grito é 'vai-te foder'.]








against demons


flower dream

all images © radiohead






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posted by saturnine | 21:14 |


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sexta-feira, 5 de setembro de 2003




«Há uma certa ironia quando se usa a expressão "Não Fode Nem Sai De Cima" para falar de alguém que nos rouba o coração mas não nos ama.» | avatares de um desejo

era mais que óbvio que não haveria muito mais a dizer depois do último post. não era de modo algum o fim do little black spot, mas era, e é, o fim de muita coisa importante. isto fez-me escrever de novo. tinha que ser. pouco me importa o que quer que seja que faço de mim aqui dentro, ou o que fazem vocês de mim aí fora. vou dizer um palavrão: foda-se. já disse. não melhorou. anos neste não fode nem sai de cima.





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Morro.





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quarta-feira, 3 de setembro de 2003




[ poema do desamor contínuo ]

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não é certo que me exiles
que das tuas mãos nada
cresça senão as pedras

o tecido desgastado do silêncio
está já esticado à beira da ruptura
um arco demasiado tenso que
arrisca rebentar-me nos braços

este solo pisado e magoado
vezes sem conta suspira já
o cansaço de ser ruína
ponte tactando lugar nenhum
senão o degredo a que me votas

não posso mais - porque não posso -
dar-me a este desconsolo
nem a noite é já suficiente
para que qualquer coisa se resgate

agora quero apenas a calma
ou alguma coisa parecida
um rumor imprevisto improvável

tudo menos este silêncio
esta brutalidade com que
pela indiferença me aniquilas.

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terça-feira, 2 de setembro de 2003



exílios #1



Joseph Koudelka
© magnum photos



o templo uma montanha que desaba
o arco livre os interstícios do deserto
por entre o negro se desfaz a luz em blocos

uma ruína no lugar do silêncio.





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posted by saturnine | 20:31 |


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a ferida aberta


nunca li atentamente o reflexos de azul eléctrico até hoje. gostei deste post. sobre ele deambulo e divago.
a própria palavra 'ferida' acende em mim uma brasa incandescente de fascínio. pela sonoridade, pelas imagens que evoca e recria. então adicionemos-lhe a palavra 'sal' e teremos alcançado a mais exacta pungência da palavra sobre a pele. isto é, quem é que - perante o sal na ferida - não se cobre de ardências fundas e dolorosas, ou não sente que o mar inteiro se esvai por entre as frestas abertas da alma ferida?
como a clAud, de tudo faço ferida. e não é que goste que me doa. é, talvez, uma estranha aproximação ao primordial. a isto ocorre-me acrescentar o espanto do gigantesco engano ao olhar as feridas um dia - latentes ou adormecidas ou curadas - e perceber que são marcas de um inferno improvável, por nós inventado.





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posted by saturnine | 12:07 | 0 Comentários


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segunda-feira, 1 de setembro de 2003




repugna-me a indiferença da tua mentira, terna como se fingisses um gostar que me insulta.





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posted by saturnine | 18:51 | 0 Comentários


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lisboa, cidade azul


é sempre assim. é um ar que se respira que é diferente deste, apenas porque é o ar de um outro lugar, um outro céu porque debaixo deste estão os amigos e os nossos passeios pelas ruas estreitas, pela margem do rio, um outro azul porque este tem o tom da calma possível, o bálsamo para o frágil coração em brasa. regresso sempre acompanhada de mais livros e mais música e mais saudades do que não tive tempo para fazer. dos fragmentos de luz ao fim da tarde, do cheiro da praia que ainda não senti este verão, de um cigarro que não me lembre exclusivamente de ti. incomoda-me que pertençamos a uns lugares e não a outros. que nos doam as raízes profundas se nos afastamos para os lugares onde estaríamos melhor do que aqui.

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A Dor | Marguerite Duras
Matéria Solar | Eugénio de Andrade
Alguns homens, duas mulheres e eu | Maria do Rosário Pedreira

A day in New York | Morelenbaum2/Sakamoto





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posted by saturnine | 18:32 | 0 Comentários


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*o sal na ferida*

três cordas tensas disputam
o ponto exacto do desassossego
uma ponte ou uma torre ou um arco
ruindo na desolação destes dias inúteis.

qualquer coisa podia acontecer
se apenas um vento breve soprasse

mas tudo reside incerto e imóvel
um mesmo silêncio agudo
a rodear-me como espuma
descontente de ser branca e fria.

se ao menos um vento brando soprasse
e qualquer coisa acontecesse

um barco ou navio ou jangada
cruzasse o horizonte distante
eu não tivesse de me fazer ao mar

tão despreparada

tão nua
tão despida de ti.





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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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