sexta-feira, 29 de agosto de 2003



o planeta vermelho parte, e Agosto também





porque pressinto que o verão já se esgota
como animal acossado pela tempestade próxima

agarro-me aos farrapos de azul das horas difíceis
sabendo que o tempo não abranda não sossega
mais ainda assim

imploro e espero
que deixe ser Agosto por mais um momento.





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posted by saturnine | 00:55 | 0 Comentários


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noite frágil, seguida de dois recados


porque esta noite é sempre a mesma, que regressa após a dolorosa trégua, uma mesma longa e definitiva noite que cavalga as horas como se os dias não fossem senão pó, funda e negra como um poço de sombras, e a cada regresso avança mais um pouco, demora-se mais um momento, dilata-se e adensa-se, fica mais próxima de ficar para sempre. esta é a hora difícil do silêncio feito ruína, em que as almas se desmontam. não sei falar de insónia, senão de medo. porque é medo isto de não saber tactear a escuridão. lembro-me de um livro do meu pai, dos primeiros de poesia que li cá em casa: de Vítor Oliveira Jorge, Sem outra protecção contra a noite. é assim que o sono me encontra.

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«Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.»

de Tabacaria | Álvaro de Campos

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«ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte.»

de Recado | Al Berto

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acontece apenas por vezes a evidência de certas palavras que, secretamente, procederam à iniciação de um ser nalgum dos mistérios da sua própria natureza.






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quinta-feira, 28 de agosto de 2003



a fractura do abraço


chegar-se ao ponto de já não se poder querer, porque o corpo não comporta os braços tão esticados para o vazio. ama-se enquanto se pode. depois, o sonho cobra a dívida da vida que nos emprestou.





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quarta-feira, 27 de agosto de 2003




*espanto*



é no mesmo espanto inicial
do chão que recebe o primeiro sol
que pode o amor renascer do deserto

como se de súbito florissem
papoilas no meio das pedras.





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3 fragmentos de uma noite voltada a Marte



Scorpius
© www.astropix.com




Talvez um dia mais tarde quando os enganos já não doerem. | por isto abandonei eu os Olhos Azuis Cabelo Preto de M.D. os enganos ainda doem. e os livros ampliam a agudez do desencontro, na inocente indiferença com que nos põem frente a frente com os desertos.





© www.garfield.com





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tendo lido no Aviz sobre os late night blogs e no Abrupto sobre os early morning blogs acabei por pôr-me a pensar numa coisa que evoca um dos livros que marcou com mais ternura a minha adolescência: Olá! Está aí alguém? de Jostein Gaarder. trata-se do encontro entre dois meninos de 8 anos, um terráqueo e o outro oriundo de outro planeta. envolvem-se numa discussão sobre para que lado é 'cima' ou 'baixo' quando se viaja pelo espaço, sendo que chegam a uma brilhante conclusão: se a partir do solo de um planeta se começa a subir em direcção ao céu, para depois se descer até à superfície de outro planeta, então é porque em algum lugar entre um planeta e outro o 'cima' de torna 'baixo' e o 'baixo' se torna 'cima'.

ora este quase paradoxo tem a mesma natureza da questão que abordei acerca dos blogs: em que ponto, em que hora perdida, é que termina um late night blog para dar lugar a um early morning blog?



Orion



ainda no referido livro uma outra ideia maravilhosa: no planeta natal do pequeno extraterreste, uma pergunta profunda é sempre recebida com uma vénia profunda. :: hoje acrescento que só a pergunta merece vénia, nunca a resposta, como diz Mika:

«- Uma resposta é um caminho que deixaste para trás. Só uma pergunta pode apontar para diante.»





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terça-feira, 26 de agosto de 2003




*inquietude*

afinal regresso ao lugar incerto
onde apesar de tudo ainda não sei
se o mundo avança ou se detém.





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posted by saturnine | 13:27 | 0 Comentários


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ontem vi nas notícias um fenómeno insólito: perto do Sabugal, um campo de girassóis com 6 metros de altura. poucas palavras há para exprimir o espanto e o encanto. o girassol é um corpo vivo que me faz sonhar. e estes que aparentemente ousaram tentar escalar até ao azul mais azul do céu levam-me ainda mais longe. como o João e o Feijoeiro, ponho-me logo a imaginar uma história de Claire e o Girassol. :D







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do silêncio à hora dos pensamentos improváveis


reina um silêncio profundo à hora tardia dos corpos que se recolhem à ternura das sombras. o azul-negro da noite (mais uma vez) entra-me pela janela e por pouco não lhe distingo os contornos. entre paredes, tudo o que resta é uma escuridão feita ausência de ti. o que conheço, ou não conheço, nada me diz sobre o estar aqui sobre a procura de algo .: um lugar que não este :. sobre o tempo que se alonga sobre o frio que subitamente me recorda o arrepio das noites do sul onde o teu abraço existia ainda para acalmar a inflamação súbita da saudade. amar é uma teimosia.





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segunda-feira, 25 de agosto de 2003



da natureza das ideias


está na natureza das ideias transformarem-se. a sua imaterialidade assegura o fosso entre o pensamento e o objecto criado. isto porque a ideia nada nos diz sobre a verdade daquilo que somos, e é no erro que reside a fundamental substãncia do progresso. aquilo que não pretendíamos, a ideia que não era a que tivéramos, afigura-se muitas vezes como a matéria daquilo que afinal interessa realmente fazer. por isso, certamente, Picasso confirmava: «eu não procuro, eu encontro.»





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Ítaca, Grécia

é uma densidade que de súbito
se faz aérea e livre
os caminhos ausentes de passos
constroem o lugar comum
e uma transparência inesperada
emerge do caos das sombras

a teia dos desencontros desfaz-se
na primeira areia que inicia a ilha
e um manto ébrio de significados
revela-se no espelho claro das águas

o lugar converte-se em pressentimento
que em Ítaca qualquer coisa fará sentido.




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Penélope | J.W. Waterhouse

Quando as luzes da noite se reflectirem nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os negrumes da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio
Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridao fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto

Ítaca | Sophia de Mello Breyner Andresen





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música para o dia de hoje #7



Solaris | Photek


you look so fine | garbage (fun lovin' criminals version)
there was a time | fun lovin' criminals
loco | fun lovin' criminals
love unlimited | fun lovin' criminals
the rain | photek
lost blue heaven | photek
rings around saturn | photek
orange moon | erykad badu
some other time | lyambiko
medication | garbage
protection | massive attack

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domingo, 24 de agosto de 2003




búzio do árctico #3 :: triptíco

[Hécate]

três rostos tem a noite
ainda que só a tua ausência perdure


[Selene]

três rostos tem a noite
ainda que só a tua ausência perdure
e um silêncio de morte entoe
todos os segredos que habitam a escuridão
como teias desfeitas de amores destroçados.


[Perséfone]

três rostos tem a noite
ainda que só a tua ausência perdure
e um silêncio de morte entoe
todos os segredos que habitam a escuridão
como teias desfeitas de amores destroçados.

deixo os nomes incorruptíveis
- que a noite também morre -
suspensos pelos ramos onde as deusas
estremecem a cada regresso que não
se reveste de eternidade.


..........................................................................................
De novo, no ofício de fazer estremecer o silêncio. Aqui e aqui.





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She's My Friend | Fun Lovin' Criminals

I got outta town
Like I knew I should
I got outta town
Like I knew I would
But when I close my eyes
And the dawn don't come
I think to myself
What a disgrace I've become

But she won't fail me
Cause she's my friend
And she won't rat me out
I'm her boy till the end
And she won't fail me
Even when she hates me


I use to think a lot
But now I watch the grain
I use to fall in love
With shit like subway trains
And although my liberty
Has been taken away now
I take it all, I take it all day by day


But she won't fail me
Cause she's my friend
And she won't rat me out
I'm her boy till the end
And she won't fail me
Even when she hates me
Even when she hates me

I get the fallen down
About twice a week
Say I'm all fucked up
(all fucked-up)
I know talk is cheap
But when I close my eyes
And the dawn don't come by
I think to myself
What a disgrace I've become





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Selene y Endymion
Ceiling Glyptotek Copenhagen


«Por ti lutavam deuses desumanos.
E eu vi-te numa praia abandonado
à luz, e pelos ventos destroçado,
E os teus membros rolaram nos oceanos.»

Endymion | Sophia de Mello Breyner Andresen





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[da destruição]

hecatombe:

do Lat. hecatombe < Gr. ékatómbe < hekatón, cem + boûs, boi
s. f.,
sacrifício de cem bois;

(fig.),
sacrifício de muitas vítimas;
matança de muitas pessoas;
por ext. destruição.


Hécate:

«Deusa da escuridão, a filha do Titã Pérses e Astéria. Diferente de Ártemis, que representava o luar e o esplendor da noite, Hécate representava a sua escuridão e seus terrores. Em noites sem luar, acreditava-se que ela vagava pela terra com uma matilha de uivantes lobos fantasmas. Era a deusa da feitiçaria e era especialmente adorada por mágicos e feiticeiras, que sacrificavam cães e cordeiros negros a ela. Como deusa da encruzilhada, acreditava-se que Hécate e seu bando de cães assombravam lugares lúgubres que pareciam sinistros aos viajantes. Mensageira dos demónios e fantasmas, ela encontra-se nos cruzamentos das estradas onde se entrega às diversas operações de magia e adivinhação. Na arte, Hécate era frequentemente representada tanto com três corpos ou três cabeças e com serpentes em torno de seu pescoço. Representada com os traços de uma divindade tricéfala, a Hècate tripla foi assimuilada, por vezes, às três divindades Selene, Artémis e Perséfone.»






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leio nos avatares do desejo:

«post pós-amor
Não há mal que sempre dure.»


dizem-me que por vezes há palavras que nos chegam como bálsamos no momento certo para aliviar o torpor da alma. talvez acredite. leio ainda:

«Quando dormimos muito ficamos com o corpo dorido. Quando temos sonhos fortes ficamos emocionalmente exaustos. Acordar também pode ser um exílio necessário, para variar.»

fico bastante deprimida quando me acontece dormir demasiado. e não estou a abusar da palavra 'depressão'. na verdade, conheço bem a textura do terreno que piso.

..................................................................

avatar:
do Sânsc. avatar, descida do céu
s. m.,
designação genérica das encarnações divinas na teologia birmânica;

(fig.),
reincarnação, metamorfose.





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destroços #3

não fui à praia, mas fui a um parque aquático. não interessa, havia sol e água e o meu primeiro mergulho do ano. trago marcas de um escaldãozito. marcas que tendem a inflamar-me ainda mais o silêncio sob a ardência da pele, é curioso. acredito que é com a chegada da noite que efectivamente se me afiguram as coisas que tenho para dizer. mas nessa altura, já o cansaço me resgata o corpo para o abismo do indizível.





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posted by saturnine | 12:13 | 0 Comentários


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destroços #2

come find yourself | fun lovin' criminals
loco | fun lovin' criminals
100 % colombian | fun lovin' criminals

é o que tem estado a tocar. não sei proquê, há coisas que se habituam a passar despercebidas e depois brilham com uma intensidade redobrada.

protection | massive attack
mezzanine | massive attack
as above so below | barry adamson





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destroços #1

Don't drag me down
Just because you're down
And just cause you're blue
Don't make me too
And though you've found
You need more than me
Don't talk to me
About being free

That's freedom without love
And magic without love
Magic without love

Hear me say
Better things will surely come our way
Hear me say
Better things will surely come our way

You say the magic's gone
Well i'm not a magician
You say the spark's gone
Well get an electrician
And save your line about needing to be free
All that's bullshit babe
You just want rid of me


You want freedom without love
And magic without love
Magic without love
Yeah

Hear me say
Better things will surely come my way
Hear me say
Better things will surely come my way

Better Things | Massive Attack





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sábado, 23 de agosto de 2003



a flash in the dark


tenho lido, tendenciosamente, a sequência de posts no Aviz sobre a noite. trouxe este:

«Ouço essa voz escrita, isso basta-me muitas vezes para adormecer. Como o cheiro do café, de facto. O aroma do tabaco. Estar descalço no chão. Nadar. Pão de queijo. Dois livros, ou três. Uma cerveja fora de horas. As estradas que nos esperam, as praias abandonadas, os mapas, a nossa condição. Um dia num país, um dia noutro. Clarões no meio da escuridão.»

eu não sei fazer mais nada senão roubar. apropriar-me. tento 'apoiar sem agarrar'. mas há qualquer coisa de liquefeito na matéria dos meus dias e nada que seja meu se demora tempo que baste para que se calcifique ou detenha. pressinto a alfição de Ítaca distante no receio de que a noite não acabe, que Ulisses não regresse, que Penélope termine o manto, que os rios sequem cansados da espera. não sei escrever. só sei encontrar. sou arqueóloga dessa voz escrita - o meu ofício é o de viver entre os escombros.





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sexta-feira, 22 de agosto de 2003




é que não tenho mesmo nada para dizer.

«we have all the time in the world» | fun lovin' criminals





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quarta-feira, 20 de agosto de 2003




sabem como é quando escrevemos uma frase e sabemos que aquela frase tem uma raiz num sítio qualquer, em algo que não é nosso, não pode ser, e uma corrente invisível detém a frase prisioneira até que o obscuro se ilumine? aconteceu-me, como sempre acontece. por causa do título de um outro post, revirei o sotão todo à procura disto:

a crash in the night, two worlds collide
but when two worlds collide no one survives no one survives and
the reddest of reds the bluest of blues
the saddest of songs I'll sing for you and
my biggest fear is if I let you go
you'll come and get me in my sleep


The Saddest Song | Morphine



pensar que a 'claire lunar' nasceu deste álbum. há coisas...





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slide


durante dias e dias e dias e meses e anos a fio acreditei que tudo era maior do que eu. é complicado sobreviver-se assim, na certeza de que se caminha agrilhoado a uma montanha que se move connosco e nos esmaga aqui e ali. mas o que acontece é que um dia estala-nos o mundo por dentro e eclode um desejo de permanência. com dificuldade enfrento as noites intermináveis, o abismo da insónia é vasto e isondável, e não é sem estremecimento que se acede apagar a luz e mergulhar no silêncio ensurdecedor de um quarto povoado de espectros. mas ainda assim, agarro pelo pescoço um monstrozito de estimação que me olha nos olhos: tu não és maior do que eu. eu sou maior do que tu. eu é que controlo isto. e eu decido que esta noite dormirei em paz.

lembram-se do Fight Club? numa das cenas finais, Jack volta-se para Tyler e diz: «I'm holding the gun.»





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a Lénia hoje deixou-nos uma sequência de poemas adjectivados, dos quais, sem sombra de dúvida, o último é o meu preferido:

poema fodido

se ao menos não me fodesses a alma.
fizesses comigo tudo. isso não.

não vale a pena falar, eu sei. tu és um cálculo
que bate demasiado certo e não vale a pena eu falar.

mas quero que me procures na tua cama e dentro da tua vida
e dentro de ti. procura-me, encontra-me. agora não. agora fugi.

[2000:Maio]



não sei porquê exactamente me acontece isto. não sei porque me assalta esta sensação de que, por aí, há muitas torres que desmoronam em simultâneo, e nós somos as carpideiras que reunem os seus destroços.





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é assim o post da Ana:

«Luz interior

Los caminos no van
a ningún fin, que todos
acaban en nosotros.
(...)
La tarde es nuestra. El mundo
se hizo para nosotros.
Somos su centro vivo
y gira el tiempo en torno.
Pasa y no puede herir
con su dolor remoto
nuestro corazón próximo.
Los caminos no van
a ningún fin, que todos
acaban en nosotros.

José Hierro Leal (1922)

Páro, de olhos bem abertos sem atentar em nada, e vejo-te. Onde não te vês a ti mesmo, mas estás sempre, mesmo quando as ondas puxam para longe, e outra vez quando devolvem à praia o que não pertence a Poseidon. As marcas do caminho em mim, inapagáveis. O mapa que desenhaste e me levou onde, muitas vezes, não me queres, porque pode ser perigoso. É sempre perigoso ir mais longe. Mas os deuses costumam prezar a audácia.»



este poema é tão lindo que me dificulta a respiração. não, mentira. tranquiliza-me a respiração. um encontro com algo assim é sempre um encontro connosco próprios. e depois não há mais palavras para dizer o indizível.





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segunda-feira, 18 de agosto de 2003




[titubeando a eternidade]

se é possível que Ítaca dure para sempre
que a espera não se extinga nunca

será possível também que
Ulisses não regresse jamais
que a noite encontre Penélope
finalmente adormecida
sobre o tempo não desfiado.

para a Isa A., aqui perto deste rochedo de onde vejo que o mar devora a ilha.





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no em busca da límpida medida encontrei aquilo que podem ser os primeiros passos num tratado sobre a arquitectura dos sentidos.

«Ética: com o olfacto constrói-se os alicerces da felicidade. Só ele suporta e confirma o saber do que é certo. O tacto e o paladar são traves mestras, invisíveis nas paredes da existência. Quando vemos e ouvimos estamos só a acolher o que poderá habitar em nós

de vez em quando acontecem assim palavras irredutíveis. mais do que a familiaridade que desperta em nós uma sensação de proximidade apaziguadora, parece ocorrer uma intuição de verdade tal como seria se a alma pressentisse o reconhecimento do seu princípio primordial. e digo que o teu rosto se tornou inexoravelmente o lado de dentro dos meus olhos.





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Eurydice


não há fonte ou ânfora bastante para as lágrimas todas que tenho para chorar-te.





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I

houve uma altura em que acreditava que era possível pedir-se o amor ou um abraço. entretanto aprendi que há coisas que não se pedem, da mesma forma que não se pode contrariar o irremediável.

II

não se pede a ninguém que não parta e não se pede a ninguém que volte. quanto muito, espera-se. e ainda assim é alma que se consome.

III

quando começamos a reconhecer a cartografia íntima de um deserto, aprendemos a conviver com as suas tempestades de areia. e aprendemos o assombro, a beleza plausível, de adormecer sob um interminável céu crivado de estrelas.





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verão ausente


só para te dizer que nada mudou. Agosto permance impossível nos destroços deste verão que não fui a tempo de viver. o tempo esquartejado e o silêncio estilhaçado. por todo o lado, caminho entre ruínas. e o Algarve desta vez secou à nossa espera, e arderam os montes como ardeu no meu peito a saudade inflamada de um azul que tinha o tom do teu corpo de sal. tudo permanece imóvel nesta paisagem suspensa, à espera que aconteças. tudo é desolação e queda. tornei-me desconhecida da respiração da terra. habito um lugar incerto em que as lágrimas custam como pedras, e uma tristeza fina vai roendo o sal das minhas feridas. nada mudou. Agosto passa e tu não voltas.





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domingo, 17 de agosto de 2003



corpo a corpo


«Caíram algumas gotas de chuva. Só suficiente para, mesmo na cidade, se soltar aquele cheiro a terra quente e seca acabada de molhar, só um pouco, só à superfície do pó. Esse é o melhor perfume que conheço, a seguir à maresia.» | modus vivendi

era inevitável que quisesse responder a isto. talvez porque no fundo sejamos todos iguais, mas ainda assim uns mais iguais do que outros. em certa medida, algo que vai encontro do que diz a Charlotte sobre a surpresa desconcertante de uma familiaridade inesperada entre desconhecidos. em relação a isto dos cheiros, só tenho a acrescentar que há um cheiro ainda, o de todos mais sublime, impossível, ingiualável, que destrona a terra molhada e a maresia: o cheiro de um corpo. de um único corpo no mundo inteiro.





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Dusk | The The

este álbum fascina ainda pela sensualidade das palavras, pela simplicidade desconcertante do seu intimismo. tem a sonoridade das grandes cidades vazias na sua nocturna melancolia de outono, entre os carros que passam indiferentes, os neons espelhados no chão molhado, os olhares distantes nas janelas dos arranha-céus... é assim, The The. uma questão de corpo.

coincidiu com a minha descoberta do mundo, e de algo absolutamente inesquecível e essencial, que não é, inclusive, de todo indiferente ao campo de afectos que se desenvolve nestas comunidades de internautas:

I'm the helpline operator
and I'll spare you the time
I'm the intimate stranger
Your problems will be mine


e com isto cresci:

If you can't change the world change yourself
And if you can't change yourself
Then change your world






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from dusk to dawn


Hey man I've got what you need
And have you ever wanted something so badly
That it possessed your body and your soul
Through the night and through the day
Until you finally get it
And then you realise
That it wasn't what you wanted after all
And then those selfsame, sickly little thoughts
Now go and attach themselves to something....
....Or somebody.... new
And the whole goddamn thing starts all over again


Well, I've been crushing the symptoms
But I can't locate the cause
Could God really be so cruel?
To give us feelings that could never be fulfilled
Baby
I've got my sights set on you
I've got my sight set on you
And someday, someday, someday
You'll come my way
But when you put your arms around me
I'll be looking over your shoulder for something new
'Cause I ain't ever found peace upon the breast of a girl
I ain't ever found peace with the religion of the world
I ain't ever found peace at the bottom of a glass
Sometimes it seems the more I ask for the less I receive
Sometimes it seems the more I ask for the less I receive
The only true freedom is freedom from the heart's desires
And the only true happiness... this way lies.

The The | True happiness this way lies


isto é de um dos meus álbuns preferidos. não, não percebem, daqueles mesmo mesmo mesmo preferidos, por baixo da pele, agarrados às entranhas, em que a música ecoa por dentro do meu corpo como um cântico dentro de um templo. Dusk dos The The. não há explicação possível para o arrepio. a única coisa que sei é que, na ausência de manuais de sobrevivência, cartografias impossíveis, este álbum me conduziu através do deserto. devia ser da idade. ou de inesperadamente compreender que amor rima com horror.

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quinta-feira, 14 de agosto de 2003




[ depois da ameaça que o little black spot nunca mais seria o mesmo, retomamos então agora a programação habitual. ]

não poderia parecer mais descabido depois da wave de melancolia de Jobim, mas sendo que o riso nunca é de modo algum despropositado - na medida em que lava a alma - eu tenho estado a rir às gargalhadas há já um bom pedaço com a Lili. é preciso ver que há tempos me chamou maluca e que assim assegurou a minha consideração. o riso é muito bom para desopilar.

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«Haverá sempre coincidências sublimes a pôr-nos de frente com dores alheias que um dia nos tocaram e ficaram como espectros a tomar a nossa memória num arrepio. Não há nada que nos proteja da alma dos outros.» | natureza do mal

não há nada que me proteja do eco que encontro por todo o lado da minha alma que me foge. sou Penélope eternamente des(a)fiando o tempo. e mesmo assim, de nenhum lugar tu regressas.





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quarta-feira, 13 de agosto de 2003



sonho desfeito


a partir deste preciso momento o little black spot nunca mais será o mesmo. é provável que esta noite não acabe tão cedo. o que é estranho são as coisas que me vêm à cabeça e não me largam. desenlace. qualquer coisa a quebrar por dentro. Inês Pedrosa assombrosamente presente:

«está na natureza do amor estilhaçar-se sem ruído.»

e a acreditar em Jobim - e eu acredito, o Jobim parece-me um gajo de confiança - «o amor é a coisa mais triste quando se desfaz».

tudo é gigantesco e assombroso. o cheiro doloroso que trouxe comigo, o silêncio esmagador do meu quarto, a densidade insuportável do tempo que se arrasta e nunca mais passa. mas o problema são os mal entendidos: é que tu não fazes a mínima ideia de que esta é apenas uma coincidência absurda. há muito tempo que já deixei de estar triste por ti. e como tal, também não saberás compreender, naturalmente, de que forma estou eu assim triste por mim. a Inês Pedrosa nem sequer tem nada a ver com isto: a culpa é do Jobim, sim senhor. e desse CD por que ando irremediavelmente apaixonada:



como é que seria possível ouvir coisas assim e não apetecer sentir e entrar dentro daquela tristeza toda?





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hoje é mesmo só isto, escusam de cá vir para outras coisas:

[ esta foi a primeira ao acaso que encontrei ]

Sonho desfeito

Quis lhe dar o meu amor
Voce não acreditou
Foi embora sem adeus
e ate hoje não voltou
E agora perdido no mundo
vagando sozinho
pedindo um carinho
só a saudade me acompanha aonde eu vou

É tão cruel
a dor de um sonho desfeito!
É tão cruel
que a magoa nem cabe em meu peito!
E é castigo! Que foi que eu fiz?
Eu quis amar, voce não quis

.............................................................

Amor em paz

Eu amei
E amei, ai de mim, muito mais do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer e me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza aconteceu você
Encontrei
Em você a razão de viver e de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz

O amor é a coisa mais triste quando se desfaz

.............................................................

Fotografia

Eu, você, nós dois
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz
Escureceu
O sol caiu no mar
E a primeira luz lá embaixo se acendeu
Você e eu

Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo
Aquele beijo

.............................................................

Incerteza

Na incerteza
Em que eu vivo os meus dias
Ainda espero o mais claro amanhã

Eu vivo uma noite sem lua
Que nunca se acaba

De tanta tristeza
Que eu levo sozinho
Sem ninguém pra me sorrir

Ando a procura de alguém
Sei que eu não vou encontrar
pois esse alguém já perdi
sem forças para lutar

.............................................................

Inútil paisagem

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não venhas nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada
É nada
É nada

.............................................................

O grande amor

Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer

Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão pra quem chorou

e é isto e apenas isto que sustenta a suprema fragilidade dos meus dias.





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terça-feira, 12 de agosto de 2003




«A luz ferve-me debaixo das pálpebras.» | António Gamoneda

sou uma traidora de poemas, desta forma como os esquartejo. mas o resto do poema podem lê-lo no ruialme, que vale bem a pena. o que acontece é que por vezes a imagem de um verso é suficiente para um dia inteiro se insuflar de plenitude. este primeiro verso é de hoje. para amanhã, escolherei o último:

«Assim
ardem em mim os significados.»






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segunda-feira, 11 de agosto de 2003




*clímax*

para lá do quadrado negro da janela
a noite de novo aureolada de incêndios
é o solo que arde na memória dos corpos

o céu em rítmicas convulsões
explode num luar vermelho.





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*atlântica*

[motivo]

porque me aconteceu ser um corpo atlântico:


[construção]

este é o tempo das magnólias eternamente em flor
da brancura luminosa e fresca das paredes de cal
do silêncio quebrado nas amuradas junto à praia
do absoluto quadro azul da janela frente ao mar

este é o tempo em que o verão cai a pique
sobre os ombros nus que sustentam o sol
sem qualquer protecção contra a noite

este é o tempo de explicar
os pássaros que voltam
as planícies que doiram
o contraluz da ausência.


[resolução]

as palavras repousam, mediterrânicas,
na sustentação do invisível.






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posted by saturnine | 16:16 | 0 Comentários


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condição


no verão, por vezes, um bom banho é tudo o que é necessário para que o mundo recupere a plenitude desejada.





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«O passado é o que resta, fragmentado mas primordial, após o crivo do esquecimento.»

nem sequer há algo possível a acrescentar, está tudo aqui. 'fragmentado mas primordial'. o passado, no prolongamento indeterminado que a memória concede aos momentos estilhaçados, é toda a eternidade plausível.





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posted by saturnine | 14:33 | 0 Comentários


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era inevitável. não poderia falar de James Bond sem depois falar de Indiana Jones. qual Mary Poppins, qual quê! estes é que foram verdadeiramente os filmes da minha infância. Os Salteadores da Arca Perdida foi o primeiro filme que alguma vez vi no cinema. talvez daí tenha resultado a consequente fascinação indelével. o que sei é que os meus olhos pirilampiscavam (como diria Mia Couto) a olhar para o ecrã gigante, e a emoção era tanta que perguntava o nome do filme a cada 5 minutos, para não me esquecer. B) não há palavras para descrever isto. não há palavras para quem teve o bom senso de me mostrar o Indiana Jones e dizer «estás a ver? isto é que é o cinema.»













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posted by saturnine | 13:24 | 0 Comentários


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domingo, 10 de agosto de 2003




perguntavam-me há pouco se me revia nas letras de Jobim. disse que sim. e depois concluí o óbvio: por causa da melancolia. ali mesmo ao lado da insensatez, descobri outro reflexo exacto. o vidro claro os meus dias.

Na incerteza
Em que eu vivo os meus dias
Ainda espero o mais claro amanhã


Eu vivo uma noite sem lua
Que nunca se acaba
De tanta tristeza
Que eu levo sozinho
Sem ninguém pra me sorrir

Ando a procura de alguém
Sei que eu não vou encontrar
pois esse alguém já perdi
sem forças para lutar

Incerteza | Tom Jobim/Newton Mendonça





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posted by saturnine | 23:59 | 0 Comentários


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Bond, James Bond. sou viciada nestes filmes, tanto como sou nos do Indiana Jones. daí tantas versões do mesmo tema musical espalhadas por aí. é que gosto mesmo. é qualquer coisa epidérmica, uma questão de adrenalina.













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búzio do árctico #2

Procura-se uma árvore onde pousar o desassossego
libertar dos ombros o estival peso dos desertos
arredondar os cumes de silêncio que exalam das noites
planas onde tu não estás para contrapor ao vazio
o promontório tranquilo do teu corpo

- onde sempre encontrei o inacessível,
brandos gumes de rosáceas
a lenta claridade dos templos -

que árvore atenta conseguirá sustentar o invisível?

.........................................................................................
De novo, no ofício de fazer estremecer o silêncio. Aqui e aqui.





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[tríptico + resolução]

porque é verão agosto passa e o mar tarda ainda
não há tempo ou alma que baste para desperdiçar
em muros despidos janelas fechadas braços ausentes

ou senão em poemas construções rítmicas estivais
porque há um céu que arde e um perfume de sal
e uma lua que aguarda o rumor brando das planícies

por isso é urgente que as palavras circunscrevam
as praias brancas os desertos os lugares ao sol
antes que o outono venha ensombrando os pinhais

com seu terno cântico de morte.





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música para o dia de hoje #6 [os dias de agosto]


1. didn't cha know | erykah badu
2. summertime | herbie hancock
3. summer sun | koop
4. circles (roni size mix) | adam f
5. dirty harry | adam f
6. the moving shadows | united future organization
7. sixth sense | united future organization
8. stardust | joghn coltrane
9. minotaur | photek
10. minotaur | psydrop
11. james bond theme | moby
12. james bond them | grooverider
13. cookies | blue noise band

compilation by little black spot.





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posted by saturnine | 14:35 | 0 Comentários


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aconteceu ontem à noite ao deitar.

as praias desertas continuam
esperando por nós dois
*

pois é. mas esperam sem saber que a eternidade não foi feita à nossa medida.
as praias desertas esperam, e só nós não sabemos ir.

* As praias desertas | Jobim





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sábado, 9 de agosto de 2003




party of the first part | bauhaus | para a Sofia.
(from "the devil and daniel mouse")

Who are you?

My card, pretty lady.

Devil May-Care Music Production, Beelzebub Scratch, President.

I like your style, too bad you're not a singer.

Oh, but I am, I am a singer!

Hmm, no fooling.

No, no listen...

Fantastic, different.

I want to be a star, of please!

You've talked me into it. Contract!
Just our standard contract, nothing fancy.

Fame, fortune, fans, gold records, concerts, world tours, your name in lights.

Take your time, read it all.

Oh, I give up. Can I trust you?
Ok, I'll sign.

Write!

Where's the ink?

We always use- blood, it's more permanent.

Oh, I don't know, can't we wait for Dad?

Oh, sure, I'll be back next year. Come on, Wease.

Next year?! Oh wait, wait, stop. I'll sign.
What about a band... I know a drummer.

She can't be bothered kid, she's got an interview.
The interview circus is so absurd, and so silly.

How do you feel about your sudden success?


Well, I feel like being a big star is really great, you know.
It's like, fabulous. Lonely, too, sometimes.

Oh, that's nice.

This is the biggest thing ever to hit rock!
You're at the top now, sweetie.


Yeah, but where do I go from here?

Don't worry, I want you, we have a bargain.

No, I didn't mean that, wait!

I've been waiting, now it's my turn.

No.

According to our contract, at precisely midnight, at the moment of her greatest triumph,
the party of the first part, that's you, agrees to render up her soul now and forever more
to the party of the second part, that's me.
Shall we go?





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related searches de hoje: photek * lua | amo * lua | photek * amo





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não o digo muitas vezes porque o poder da palavra pronunciada é, na maioria das vezes, insondável - e não se pode correr riscos com as poucas coisas que estão seguras e intactas à margem de todo o desassossego. questões estéticas e musicais à parte, os Bauhaus permanecem o único lugar absoluta e integralmente meu. por causa do post anterior andei a recordar, e trouxe duas letras: uma pelo dia de hoje; a outra, pelo mais belo pedaço de escrita musical que conheço:


Crowds

What do you want of me
What do you long from me
A slim Pixie, thin and forlorn
A count, white and drawn
What do you make of me
What can you take from me
Pallid landscapes off my frown
Let me rip you up and down

For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations
Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through

You worthless bitch
You fickle shit
You would spit on me
You would make me spit
And when the Judas hour arrives
And like the Jesus Jews you epitomize
I'll still be here as strong as you
And I'll walk away in spite of you

And I'll walk away
Walk away



Mask

The man of shadows thinks in clay
Dreamed trapped thoughts of suffocation day
He's seen in iron environments
With plastic sweat out of chiselled slits for eyes

From the growth underneath the closed mouth
You'll catch if you listen
Rack-trapped cubist vowels
From a dummy head expression
From a dummy head expression

The transformation is invested
With the mysterious and the shameful
While the thing I am becomes something else
Part character part sensation


The shadow is cast





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posted by saturnine | 16:11 | 0 Comentários


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a janela indiscreta despertou o vulcão adormecido. disse a palavra mágica: bauhaus. que para mim significa imediatamente reviver Klee, reviver Mies van der Rohe, reviver Moholy-Nagy, reviver o entendimento fascinante de uma nova noção de harmonia formal:


Escola da Bauhaus, Weimar


mas acima de tudo reviver o eterno voo do morcego:


Swing the heartache: The BBC Sessions
Beggars Banquet, 1989









Following the silent hedges
Needing some other kind of madness
Looking into purple eyes
Sadness at the corners
Works of art with a minimum of steel

Pure sensation
The beautiful down grade
Going to hell again

Silent Hedges | Bauhaus





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por causa disto acontece o segundo beijo do little black spot. no Pedro [vinte faces iguais].

;)

posted by saturnine | 00:55 | 0 Comentários


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há dias assim.
hoje, de todo, não me apetece a poesia.
é que não há uma fibra que seja em mim que me peça a poesia.
deve ter sido certamente deste calor desconcertante
ou do transtorno que é lembrar-te.





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posted by saturnine | 00:04 | 0 Comentários


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sexta-feira, 8 de agosto de 2003




Luís. o silêncio da tua cela é esmagador. tenho (temos) saudades. :|





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quinta-feira, 7 de agosto de 2003




deve ser há uns bons 7 anos que repito o mesmo ritual: retiro um conjunto de livros da estante do meu pai e levo-os para o quarto, para os ter ali mais à mão quando me apetecer ler. depois os meses passam e devolvo-os à estante, visto que não os li. e depois volta tudo ao início. da estante para o quarto, do quarto para a estante.

Gaivotas em Terra | David Mourão-Ferreira
Os bastardos do sol | Urbano Tavares Rodrigues
A noie roxa | Urbano Tavares Rodrigues
Despedidas de verão | Urbano Tavares Rodrigues
Esteiros | Soeiro Pereira Gomes
Engrenagem | Soeiro Pereira Gomes

há dias, um post no tempo dual fez-me recordar um deles. hoje, fui procurá-los no meu quarto. senti saudades. o que é curioso é que do conjunto só não li mesmo o que o tempo dual refere. os outros, mesmo assim, ficaram inacabados ou incompreendidos. não se pode amar um livro em sobressaltos e síncopes. estavam no meu quarto para ler tudo de novo. e percebi que são livros de verão, são mesmo. o que espero é que agosto seja ainda suficiente.





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posted by saturnine | 23:51 | 0 Comentários


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hoje descobri acidentalmente o em busca da límpida medida. logo à partida me agradou o título porque evoca Sophia, a clareza e a limpidez que definem a lei justa segundo o ser humano deve viver: uma lei de liberdade, verdade, eternidade. e depois somos (sou?) muito tendenciosos na afectividade, gostamos (gosto?) sempre mais daquilo que nos (me?) é próximo e reconhecível à flor da pele. lêem-se coisas destas (reiterando que não se fala, na blogosfera, senão de amor):

«Um dia, porém, o pior da perda chega. Num qualquer momento apercebemo-nos de que conseguimos viver sem alguém quando nos tinhamos prometido a nós mesmos e ao outro uma eternidade sem fim. Ou pelo menos, lealdade e amizade. E aí sentimo-nos falsos, sentimos que para suportar o sofrimento, para acabar com ele, matámos o amor. Pior. Conseguimos matá-lo.»

e não é que é mesmo? que forma esta de nos trairmos, em prol de uma sobrevivência doravante necessariamente comprometida pelo engano. :|





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posted by saturnine | 22:37 | 0 Comentários


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Pedra a pedra construo o meu poema
e é nele que dos dias me defendo
Nada sei de emoções manipulo morfemas
e nas cidades sinto a solidão dos campos
Humano mesmo se demasiado humano
não peço ou posso privilégios de poetas
e desconheço a carne cerebral de que careço nos
sonhos que me semeiam as semanas
cingidas de ciades sossegadas
onde só o silêncio é soberano

Ruy Belo, País Possível
Editorial Presença [1998]





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posted by saturnine | 22:01 | 0 Comentários


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está lá fora o ar denso de um verão impossível. quente como não me lembro neste fim de mundo. através da janela aberta ouço o canto dos grilos e das cigarras e, apesar das luzes insolentes, consegue ver-se a lua crescente. é calor demais para que eu o aguente sozinha ou sem mar por perto. mas ainda assim, o dia valeu muito a pena: o tempo dual e o little black spot reuniram-se em confraternização social. B) daí resultou que cheguei a casa com algo mais do que quando saí.

O canto do vento dos ciprestes | Maria do Rosário Pedreira
País Possível | Ruy Belo
Ontem | Agota Kristof
Livro de Verão | Alma Azul *

* Raul Brandão
Florbela Espanca
Mário de Sá-Carneiro






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quarta-feira, 6 de agosto de 2003



música para o dia de hoje #5 [agosto passa e tu não voltas]


minotaur | photek
circles adam f (roni size mix)
james bond theme | grooverider
sixth sense | united future organization
the moving shadows | united future organization
theme from 'to kill a dead man' | portishead
flying away | smoke city





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E há-de chegar o momento em que aquele que eu recordar já nada terá em comum contigo.
como já nada há de comum no vazio dos lençóis
com a substância do sono partilhado

o silêncio estende-se como um lago
em que divaga a flor da incerteza

e pode ser que aconteça um dia
esquecer-me de querer-te ainda

se te demoras a resgatar
o que amo no teu rosto

do que houve antes
de possível e eterno.





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little black spot


gostava de riscar o teu nome no chão com a cara encostada às árvores. talvez então me doessem menos as pálpebras que encerram dois sóis negros. [Maio 2003]





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dualidade para uma Balança


Os peixes que passam diante do meu olhar e a certeza de que o mundo existe
a inexcedível liquidez desta mar
compõe a firmeza dos meus passos
um vidro claro através do qual
todas as coisas se me afiguram tangíveis

como se a certeza fosse possível
diante de tão grande equívoco
como o de habitar uma existência frágil
entre a precária incerteza da morte
e o colorido vivo dos sonhos.


© www.seasky.org



Começarei a escrever no instante em que partires
até então a vida não é senão espera
paisagem suspensa
desastre iminente
como se no seu núcleo cada coisa
aquietasse
uma semente de amor
ou de morte.


© www.seasky.org





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terça-feira, 5 de agosto de 2003



o exílio e o reino


descobri um artigo interessante sobre Camus e o absurdo da condição humana aqui. interessou-me não só pela empolgação do mais ou menos recente mergulho na obra de Camus, mas acima de tudo porque me pôs a pensar (e fica cumprida a tarefa desta mês, pensar outra vez agora só em Setembro). o artigo fala do livro O Exílio e o Reino, e sobre ele adianta:

O exílio fala da solidão do estrangeiro, de sua marginalização e "recusa à representação de um papel que a sociedade lhe atribui", enquanto o reino é o paraíso da história particular, universal, lugar onde o homem encontra a suposta felicidade.

o que me detive a pensar é que os conceitos de exílio e reino estão igualmente presentes na obra poética de Sophia, e com a mesma substância simbólica, ou semelhante. se bem que podemos diferenciar no entendimento do exílio de Sophia um outro tipo de marginalização que não se refere exclusivamente à dualidade indivíduo/sociedade; o exílio, em Sophia, transcende ainda essa ideia, na medida em que o indivíduo que se opõe ao mundo, consciente da sua condição de ser-no-mundo, confronta-se com um mundo que não guarda senão vestígios fragmentados da interna beleza das coisas que a alma conheceu - na obra de Sophia, esta ausência que exila o indivíduo é a ausência do rosto de Deus (ou dos deuses), símbolo de uma alegria de viver que a vida material não permite resgatar senão em sonhos.

sobre o conceito de reino, a proximidade é maior: reino é o lugar primordial da verdade de cada alma, e é em busca dessa verdade que a poeta prossegue, da plenitude essencial do 'primeiro homem', em comunhão perfeita com o ritmo secreto, verdadeiro e universal do mundo. em última instância, o indivíduo é o homem exilado do seu reino.

mas as semelhanças entre Sophia e Camus não cessam por aqui. poderia continuar, não fosse a minha aversão a posts (demasiado) longos. fica o mote para posterior reflexão. possivelmente, regressarei a ele com um poema em cada mão.





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minotauro


às vezes esqueço-me de como no verão sempre me apaixono novamente por Sophia. depois vou à procura de um 'poema preferido' para celebrar a ocasião e encontro dezenas deles. escolhi este, pelo simbolismo do momento:


«Em Creta
Onde o Minotauro reina
Banhei-me no mar

Há uma rápida dança que se dança em frente de um toiro
Na antiquíssima juventude do dia
Nenhuma droga me embriagou me escondeu me protegeu
Só bebi retsina tendo derramado na terra a parte que pertence aos deuses

De Creta
Enfeitei-me de flores e mastiguei o amargo vivo das ervas
Para inteiramente acordada comungar a terra
De Creta
Beijei o chão como Ulisses
Caminhei na luz nua

Devastada era eu própria como a cidade em ruína
Que ninguém reconstruiu
Mas no sol dos meus pátios vazios
A fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor

E o mar de Creta por dentro é todo azul
Oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega
(...)»

Sophia de Mello Breyner Andresen | O Minotauro





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búzio do árctico #1

é puro desenlace a matéria âmbar destas tardes
perdi-te onde o caule das nuvens se parte entre os dedos
e ainda agora me parece inverosímil este céu todo
sobre os ombros

como insustentável é a tua ausência sobre a decisão
de não mais contrariar a ruína há muito anunciada

e se todas as fórmulas com que me concedo a chuva
são possíveis
é para que um pouco de mar lave
esta pedra do meu peito

só assim em cada fim de tarde o desenlace é perfeito
como um círculo, matéria âmbar dos regressos


...............................................................................................
Retomando o fio dos mares, o Búzio do Árctico
regressa ao seu ofício de fazer estremecer o silêncio. Aqui e aqui.





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mediterrânica



Praia de Damnoni, Creta


[mediterrânica]

plenitude, inflamação e queda
aguarda-me a mansidão das pedras
de todos os muros desmoronados

a luz entrecortada de ângulos
escapa-se pelas frestas das ruínas

onde era aqui um templo
agora apenas sol e sombra

memória mediterrânica
do que não chegamos a ser.





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segunda-feira, 4 de agosto de 2003



corpo a corpo com o deserto


aconteceu-me pegar num livro, O Amor de Marguerite Duras, e abri-o numa página ao acaso. nessa página estava guardado um malmequer - na sua intacta morte - e nessa página lia-se:

«Onde quer que ela vá tudo se desfaz.»


Sahara, Tunísia





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posted by saturnine | 21:44 | 0 Comentários


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[se de vento se de morte]

neste campo escondido
não há vestígio
da noite incendiária
uma calma estival
contudo
rodeia de estranheza
esta noite incolor

e um pressentimento de tempestade
agrava o rumor
que sopra nos pinheiros

mas não sei
se de vento se de morte.





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angularidades #6

tudo o que restava foi perdido
os lugares de sal
a planície deserta
o azul que arde.

que curva imprevista
terá dissipado a hora
da solúvel eternidade?

que descuido ou desastre
dissolveu a matéria pobre do amor

e deixa o verão em estilhaços?





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o haiku está na moda. por todo o lado onde vou só vejo poemas de 3 versos - um pouco à semelhança da Catarina que só vê textos sobre incêndios de verão. em distinto protesto, a partir de agora só escreverei poemas cujo número de versos ultrapassse os fatigados três.

deste lugar imprevisto
oponho-me ao calcinar do tempo
abro o sal da ferida
sustento-o na recordação do mar

e acontece doer-me
por vezes
esta coisa qualquer que falta
ao mundo

para que sejamos
um.


e este é mesmo para a Catarina, por isto:
«E as memórias das vitórias são feitas de água salgada, ardem nas feridas mas têm sabor.
E só ganhamos porque somos também feitos de mar.»






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i spy with my little eye


hmm. está na hora de ir dormir. já há umas horas o corpo me diz que está na hora de ir dormir. mas não vou. adio até ao máximo (in)sustentável o momento de apagar a luz. porque é então que tu voltas. é então que, no escuro, me encontro despida face à tua ausência. é então que já não se foge mais ao silêncio.


sea, swallow me | cocteau twins
enigma of the absolute | dead can dance





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domingo, 3 de agosto de 2003




*inflamação*

é o próprio silêncio que arde
no quadrado vivo da janela
de onde olho a noite sem cor.





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por dois motivos hoje falo no Aviz (e nenhum deles é apenas para que se saiba que o leio): primeiro, porque não sou capaz de ficar indiferente às palavras que me dizem muito. segundo, porque este é o meu próprio espaço de 'recados', e aqui tem lugar aquilo de que eu preciso de vez em quando para manter as raízes no mundo, aqui venho deixar aquilo que é para depois, aquilo que me quero lembrar de não me esquecer. e deste modo, não sou capaz de ficar indiferente a um texto como o late night blogs, porque me comove - e eu vivo de comoção -, e venho inequivocamente usar esta caixa de escrita como um post-it possível, para salvaguardar isto que não posso esquecer de lembrar:

«Teremos de transportar connosco a mágoa da eternidade?»

[alguns de nós, confundidos com a própria matéria de sombras em que se enleiam, por vezes precisam que um gesto assim lhes reassegure que é legítima a sua humanidade.]





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800 km de barreira coralina


recordo-me agora que a imensidão do verde-azul da ilha era sobrevoada por aves de rapina. abutres vi-os de passagem, enroscados nas concavidades da rocha do desfiladeiro que atravessava. o fosso do rio. uma manhã, inesperadamente, vi um pelicano mergulhar brevemente no mar. molhei o corpo com a mesma água ardente de sal, mas não me senti mais próxima da sua brancura. ocorre-me então que para sobrevoar uma ilha talvez seja preciso um coração de pássaro. ocorre-me também que na ilha morreu o nosso último verão.

não poderia jamais ser coerente e politicamente correcta. nenhuma barbaridade consegue ensombrar o meu amor a Cuba. nenhum elemento humano poderia distrair-me da respiração da terra.


Varadero, Cuba





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posted by saturnine | 15:47 | 0 Comentários


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do silêncio sobre a natureza do mal


vejamos a ironia das coisas: o Luís fala dos blogs que lê, e prossegue. «Mas ninguém nos lê. Um silêncio pesado como este ar de agosto, cinza e névoa ardente, cai sobre A Natureza do Mal . E do mais importante ninguém me fala. Ninguém sabe da Ana Paula Inácio.» pois eu, que também sustento o silêncio pesado destes dias, leio, leio tudo, e por causa disto fui à procura da Ana Paula Inácio.

«Doze contos. Doze histórias breves. Muito breves. Com homens e mulheres à deriva. Seres vulgares, mas seres humanos. Com pensamentos e sentimentos. Todos no descontentamento de si ou do que os rodeia. Todos perdidos no espaço e no tempo que lhes coube em sorte. E de que a autora fala com contida emoção, desdobando a meada de uma solidão sem esperança, enquanto entre o cáustico e o enternecida nos torna cúmplices ou carrascos da vida dessa gente.» | sobre Os Invisíveis

ok, é desta. vou juntar a Ana Paula Inácia à lista de coisas para fazer, e um dia falar-te-ei dela.

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música para o dia de hoje #4 [towards the within]



Erykah Badu | Mama's Gun

my culture | one giant leap (feat. robbie williams / maxi jazz)
come undone | robbie williams
free love | depeche mode
is you is or is you ain't my baby | dinah washington (rae & christian mix)
time's a wastin' | erykah badu
light my fire | shirley bassey
magic wand of love | united future organization
salt water sound | zero 7
zion | fluke (matrix reloaded b.s.o.)
born slippy | underworld
heat miser | massive attack





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hoje estive no outro lado da lua.

«Um dia crescemos e o silêncio do estio deu lugar ao silêncio cá dentro, a estas palavras que calamos assim que se colam ao céu da boca. Agora é o tempo da solidão, dos dias passados a folhear livros e memórias, a rever tempos em que tudo era muito mais real.»





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posted by saturnine | 01:48 | 0 Comentários


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por motivos que não interessam, chamou-me a atenção - ainda nos tempos do falecido Audiogalaxy :( - o nome Pedro, The Lion. Os mp3 são de péssima qualidade, a música também deixa um pouco a desejar, mas uma coisa não deixa de ser curiosa: numa versão de 'fade into you' consegue encontrar-se a mesma melancolia de Hope Sandoval [Mazzy Star], uma voz em tom de chuva. e como sempre acontece quando se segue um rumo incerto, encontramos constantemente as coincidências convenientes. não foi inocentemente que guardei as músicas, apesar de pouco dizerem. mas dizem. 'i am always the one who calls'.


recomendo: So tonight that I might see | Mazzy Star



I want to hold the hand inside you
I want to take a breath that's true
I look to you and I see nothing
I look to you to see the truth
You live your life
You go in shadows
You'll come apart and you'll go black
Some kind of night into your darkness
Colors your eyes with what's not there.

Fade into you
Strange you never knew






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posted by saturnine | 01:01 |


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sábado, 2 de agosto de 2003



sou um girassol e no fundo dos meus olhos brilham dois sóis negros


foi quando há uns meses me veio ter às mãos o livro A Religião do Girassol que tomei disso efectiva consciência. sou um ser do verão. hiberno o resto do ano no pressentimento exasperado desta enxorrada de luz árida que é própria dos desertos. dizem que uma vez visitado, transporta-lo-emos doravante connosco sob a pele. assim me tornei parte do deserto e nele me converti ao amor dos espaços vastos, ao amor das pedras, ao amor do sol. respiro e restauro-me na claridade limpa dos dias azuis que se prolongam pelo ardor das sombras, pelo ardor do solo, pelo ardor dos corpos, até ao perfume de sal da noite azul-negra. ergo o meu rosto ao corpo aberto do astro inclemente e dele absorvo a quietude possível que me permita suportar o inverno. em Setembro ocorre uma pequena morte, com o canto dos plátanos que sibila pelas ruas. sou um girassol adormecido. sou o único girassol numa planície deserta, desconhecendo o rumo dos dias.

René Char diz, no referido livro [Assírio & Alvim, 2000], que 'quem acredita no girassol não meditará dentro de casa'. que fazemos nós então? que faço eu aqui? que desencanto pode ser maior que um desejo de mar? que desencanto de amor pode ser maior que o chamamento de todo o azul que existe pelo mundo fora?

um dia destes (um ano destes, mais exactamente) mudo-me para as ilhas gregas (no verão, bem entendido). quero ofuscar-me com a evidência de verdade que só conheço dos versos de Sophia.




um girassol habita o azul
o silêncio agudo da paisagem
um pé queimando a sombra.






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sexta-feira, 1 de agosto de 2003





Imogen Cunningham | Magnolia Blossom

em última instância, as palavras são inúteis. não porque não alcancem o que escrevem, mas porque inflamam o silêncio, o que não sabemos dizer. e eu escrevo por isso ainda mais. e tu silencias por isso ainda mais. e dissolvemo-nos por isso ainda mais.
apesar do ardor, deste hálito quente da noite incerta, vacilo, mas não esqueço. estremeço, mas não quebro. escrevo. e escrevendo, sustento.

dissolve | massive attack





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posted by saturnine | 22:47 | 0 Comentários


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::promessa::

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.


Sophia de Mello Breyner Andresen | Casa Branca





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música para o dia de hoje #3




genetic world | télépopmusik
breathe | télépopmusik
peter gunn theme | the blues brothers
pink panther theme | henry mancini
james bond theme | propellerheads
la banana | ben sa tumba
i come from a land down under (reggae mix) | men at work





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posted by saturnine | 16:19 | 0 Comentários


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duas mulheres



Camille Claudel



'Sakountala' ou 'O abandono'

o paralelo, aparentemente inexistente, traço-o no entendimento dos percursos singulares em que a arte seguiu os caminhos da paixão, cujas fronteiras não negam o contacto com a loucura. Claudel é o rosto do espírito atormentado, que se consome na voracidade do fogo que brota do interior de si próprio; a História arrumou-a injustamente para a sombra de Rodin, quando na verdade ela o terá superado em génio, coragem e expressão. a sua obra constitui-se como uma espécie de ficção autobiográfica, produzindo uma visão romântica da criação que acentua a imagem da artista em constante duelo - entre o lirismo da sua sensibilidade feminina e o drama da trágica aproximação da arte à vida. *



Louise Bourgeois | foto de Robert Mapplethorpe



'Arch of Hysteria'

Bourgeois é o rosto do espírito assombrado, como um quarto povoado de demónios, que a arte deve encarregar-se de exorcizar. o indivíduo circula num labirinto cingido pelas marcas sucessivas da dor - e não é possível suprimir a dor, uma vez instalada, porque ela é indestrutível como a pedra; a escultura para Bourgeois não se propõe fazer uma tentativa de resgate ao sofrimento, mas antes produzir uma resposta a essa sofrimento, explorar o seu conteúdo, proporcionar o alívio do grito, do adormecimento. e também aqui é tão evidente como perturbadora a presença de uma aguda sensibilidade feminina. **


* ver A paixão de Camille Claudel | Anne Delbée
** ver He disappeared into complete silence | Louise Bourgeois






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posted by saturnine | 14:48 |


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3 seguidas



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spot player special




"us people are just poems"
[ani difranco]


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calamity.spot[at]gmail.com



~*. through the looking glass .*~




little black spot | portfolio
Baucis & Philemon | tea for two
os dias do minotauro | against demons
menina tangerina | citrus reticulata deliciosa
the woman who could not live with her faulty heart | work in progress
pale blue dot | sala de exposições
o rosto de deus | fairy tales








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~*. rearview mirror .*~


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~*. spying glass .*~


a balada do café triste . ágrafo . albergue dos danados . almanaque de ironias menores . a natureza do mal . animais domésticos . antologia do esquecimento . arquivo fantasma . a rute é estranha . as aranhas . as formigas . as pequenas estruturas do ócio . atelier de domesticação de demónios . atum bisnaga . auto-retrato . avatares de um desejo . baggio geodésico . bananafish . bibliotecário de Babel . bloodbeats . caixa-de-lata . casa de cacela . chafarica iconoclasta . coisa ruim . com a luz acesa . comboio de fantasmas . complicadíssima teia . corpo em excesso de velocidade . daily make-up . detective cantor . dias com árvores . dias felizes . e deus criou a mulher . e.g., i.e. . ein moment bitte . em busca da límpida medida . em escuta . estado civil . glooka . i kant, kant you? . imitation of life . isto é o que hoje é . last breath . livros são papéis pintados com tinta . loose lips sink ships . manuel falcão malzbender . mastiga e deita fora . meditação na pastelaria . menina limão . moro aqui . mundo imaginado . não tenho vida para isto . no meu vaso . no vazio da onda . o amor é um cão do inferno . o leitor sem qualidades . o assobio das árvores . paperback cell . pátio alfacinha . o polvo . o regabofe . o rosto de deus . o silêncio dos livros . os cavaleiros camponeses no ano mil no lago de paladru . os amigos de alex . Paris vs. New York . passeio alegre . pathos na polis . postcard blues . post secret . provas de contacto . respirar o mesmo ar . senhor palomar . she hangs brightly . some variations . tarte de rabanete . tempo dual . there is only 1 alice . tratado de metatísica . triciclo feliz . uma por rolo . um blog sobre kleist . vazio bonito . viajador


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~*. the bell jar .*~



os lugares comuns: against demons . all work and no play . compêndio de vocações inúteis  .  current mood . filosofia e metafísica quotidiana . fruta esquisita menina aflita . inventário crescente de palavras mais-que-perfeitas . miles to go before I sleep . música no coração  .  música para o dia de hoje . o ponto de vista dos demónios . planos para dominar o mundo . this magic moment  .  you came on like a punch in the heart . you must believe in spring


egosfera: a infância . a minha vida dava um post . afirmações identitárias . a troubled cure for a troubled mind . april was the cruellest month . aquele canto escuro que tudo sabe . as coisas que me passam pela cabeça . fruto saturnino (conhecimento do inferno) . gotham style . mafarricar por aí . Mafia . morto amado nunca mais pára de morrer . o exílio e o reino . os diálogos imaginários . os infernos almofadados . RE: de mail . sina de mulher de bandido . the woman who could not live with her faulty heart . um lugar onde pousar a cabeça   .  correio sentimental


scriptorium: (des)considerações sobre arte . a noite . and death shall have no dominion . angularidades . bicho escala-estantes . do frio . do medo . escrever . exercícios . exercícios de anatomia . exercícios de respiração . exercícios de sobrevivência . Ítaca . lunário . mediterrânica . minimal . parágrafos mínimos . poemas . poemas mínimos . substâncias . teses, tratados e outras elocubrações quase científicas  .  um rumor no arvoredo


grandes amores: a thing of beauty is a joy forever . grandes amores . abraços . Afta . árvores . cat powa . colectânea de explicações avulsas da língua portuguesa  .  declaração de amor a um objecto . declaração de amor a uma cidade . desolação magnífica . divas e heróis . down the rabbit hole . drogas duras . drogas leves . esqueletos no armário . filmes . fotografia . geometrias . heart of darkness . ilustraçãoinício . matéria solar . mitologias . o mar . os livros . pintura . poesia . sol nascente . space is the place . the creatures inside my head . Twin Peaks . us people are just poems . verão  .  you're the night, Lilah


do quotidiano: achados imperdíveis . acidentes quotidianos e outros desastres . blogspotting . carpe diem . celebrações . declarações de emergência . diz que é uma espécie de portfolio . férias  .  greves, renúncias e outras rebeliões . isto anda tudo ligado . livro de reclamações . moleskine de viagem . níveis mínimos de suporte de vida . o existencialismo é um humanismo . só estão bem a fazer pouco


nomes: Aimee Mann . Al Berto . Albert Camus . Ana Teresa Pereira  . Bauhaus . Bismarck . Björk . Bond, James Bond . Camille Claudel . Carlos de Oliveira . Corto Maltese . Edvard Munch . Enki Bilal . Fight Club . Fiona Apple . Garfield . Giacometti . Indiana Jones . Jeff Buckley  .  Kavafis . Klimt . Kurt Halsey . Louise Bourgeois . Malcolm Lowry . Manuel de Freitas . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Max Payne . Mia Couto . Monty Python . Nick Drake . Patrick Wolf  .  Sophia de Mello Breyner Andresen . Sylvia Plath . Tarantino . The National . Tim Burton


os outros: a natureza do mal . amigos . dedicatórias . em busca da límpida medida . retalhos e recortes



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